RSS FACEBOOK TWITTER

Poema questiona o destino da humanidade


Bomba atômica lançada em 1945 sobre o Japão

Neste período próximo ao Natal, geralmente sinto-me alheio ao burburinho das ruas e ao clima festivo. Luto para não me entristecer ou ficar melancólico. E constato que esse sentimento é mais comum do que se imagina. O poeta e professor de língua portuguesa Giacomo Leone talvez compartilhe desse clima que segue na contramão da maioria. Mas ao invés da melancolia ou depressão, Giacomo nos brinda com um poema que provoca reflexão sobre como nós, seres humanos, estamos lidando com a nossa casa, a Terra. Crítico mordaz, o poeta cumpre em Crematório de Seres Vivos uma das funções do artista, ou seja, a de provocar e incitar o público a refletir sobre a vida. Giacomo, obrigado pela confiança no blog e a todos boa leitura. Deixe comentário sobre o poema e como vê a participação de outros profissionais aqui no Favo do Mellone

Crematório de Seres Vivos

Vamos!
Toquem as trombetas!
Os arautos insensatos anunciam:
Eis o trágico espetáculo
Do circo pirotécnico da Terra.
Palhaços pálidos invadem o cenário
Eis o anúncio trágico de sua triste herança.
É para tu, bicho homem.
Toma!
A Terra é tua.
Destrua!

Aquele ser patético que a tudo devora.
E devora pra depois pôr pra fora
Num vômito frêmito em jato corrosivo
A bile derretida desses espíritos entristecidos.

Viva!

Cadáveres eufóricos celebram o jubileu das trevas.
A brindar com o próprio sangue àquele verme entorpecido de tanto tempo antigo.
Vibram os mármores tectônicos a estremecer a Terra.
O terremoto é o prenúncio infindo para um triste caminho.

Mas… Vamos!
Toquem as trombetas!
Os arautos insensatos anunciam:
Eis o trágico espetáculo
Do circo pirotécnico da Terra.
Palhaços pálidos invadem o cenário.
Eis o anúncio trágico de sua triste herança.
É para tu, bicho homem.
Toma!
A Terra é tua.
Destrua!

Vamos, defuntos vadios! Por que diabos ficam aí a jazer?
Levantem-se para o inevitável crematório carnavalesco dos seres vivos!
Venham com esses mesmos ternos carcomidos pelo teimoso roer
O que importa é celebrar a glória deste triste mundo antigo.

Viva!

Vamos inaugurar uma nova central de horrores!
É tempo de exaltar a energia nuclear! A bomba!
Vamos exibir, mudos, nossos sempiternos temores!
Marchemos, pois, ao encontro da intempérie atômica!

Mas… Ora! Vamos!
Toquem as trombetas!
Os arautos insensatos anunciam:
Eis o trágico espetáculo
Do circo pirotécnico da Terra.
Palhaços pálidos invadem o cenário.
Eis o anúncio trágico de sua triste herança
É para tu, bicho homem.
Toma!
A Terra é tua.
Destrua!

Giacomo Leone

,

2 Comentários para “Poema questiona o destino da humanidade”

  1. Danielle Gaia Says:

    Giacomo,
    Como faço para te encontrar visto que você é contra as redes sociais? rsrs
    Você me manda seu telefone? tks danny gaia

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Danielle:
      Danielle, o Giacomo trabalha com um amigo (Mario Garrone)
      na Ed. Três; talvez seria o caso de vc ligar e solicitar o e-mail dele.
      Obrigado pela visita e volte outras vezes: tenho sempre dicas quentes
      da produção cultural da cidade.
      abr

      responder

Deixe uma resposta