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Quando tudo estiver pronto: drama e comédia em montagem sobre o luto

De em julho 15, 2019

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Elenco: Filipe Ribeiro, Eliete Cigaarini, Sylvio Zilber, Otavio Martins, Lilian Blanc e Patricia Pichamone (a morta/viva)

Encenada pela primeira vez no país, a peça do norte-americano Donald Margulies, Quando tudo estiver pronto, em cartaz no Teatro Folha, mostra o drama de uma família judia que precisa saber lidar com a morte inesperada da mãe, vivida por Patricia Pichamone. O inusitado é que uma semana depois dos funerais, ela volta pra casa e reencontra o marido e o filho, vividos respectivamente por Otavio Martins e Filipe Ribeiro, que estão sofrendo com o luto. O objetivo é deixar tudo arrumado e limpo no apartamento e tentar fazer com que eles saibam enfrentar melhor a dor da perda. Os sogros e a cunhada, interpretados por Lilian Blanc, Sylvio Zilber e Eliete Cigaarini, também são surpreendidos com a situação.

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Reunidos: mãe (Patricia) reencontra o marido e o filho (Otavio e Filipe)

 

Mesclando drama e comédia, a trama, traduzida e dirigida por Isser Korik, mostra a morte de forma natural, evitando o tom melodramático. As cenas iniciais trazem a família judia logo após as cerimônias fúnebres, que duram uma semana após o sepultamento. A mãe e a irmã do viúvo, além do consolo, querem deixar a casa em ordem. O adolescente deseja providenciar a troca dos móveis, mas é impedido pelo pai. Só quando os sogros e a cunhada vão embora é que a falecida volta pra casa: há um susto imediato, mas logo ela  troca de roupa e, com a ajuda do filho, promove a arrumação da casa (troca da mobília e faxina geral). No entanto o mais difícil é convencer o marido da nova situação, já que os demais membros da família, após o estranhamento inicial, encaram com naturalidade a volta e a morte real da jovem mulher.

 

Além do texto que provoca uma reflexão sobre perda e como enfrentar a vida após a morte de entes queridos, a montagem se destaca pela sensível interpretação de Otavio Martins na pele do viúvo inconformado e de Filipe Ribeiro, que transmite segurança como o órfão que reavalia a vida com a morte da mãe. Mesmo com papéis de apoio, os veteranos Sylvio Zilber e Lilian Blanc brilham em cena. Outro destaque é para iluminação, assinada por César Pivetti e Vânia Jaconis, que enfatiza os momentos de realidade e de fantasia (aquela mulher voltou da sepultura realmente ou tudo não passa de imaginação?). Senti falta que a direção evidenciasse exatamente o inusitado proposto pelo autor, ou seja, o fato da defunta voltar à vida — a partida definitiva dela também é pouco valorizada. Impossível não se lembrar da instigante peça de Flávio de Souza, Fica comigo esta noite, em que a viúva evoca o marido morto e, na noite que antecede o sepultamento, o casal revive todas as fases da vida a dois.

 

 

Peça: Quando tudo estiver pronto, foto 3Roteiro:
Quando tudo estiver pronto. Texto: Donald Margulies. Direção, tradução e trilha sonora: Isser Korik. Elenco: Otavio Martins, Patricia Pichamone, Lilian Blanc, Sylvio Zilber, Eliete Cigaarini e Filipe Ribeiro. Cenografia e figurinos: Márcio Vinícius e Carol Buček. Fotografia: Heloísa Bortz. Iluminação: César Pivetti e Vânia Jaconis. Produção executiva e administração: Will Siqueira. Realização: Ian Soffredini Korich Participações e Serviços Teatrais.
Serviço:
Teatro Folha (305 lugares), Shopping Pátio Higienópolis, Av. Higienópolis, 618, tel. 11 3823-2737. Horários: sexta às 21h30, sábado e domingo às 20h. Ingressos: R$ 70 e R$ 50. Duração: 70 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 15 de setembro.


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