Peça: Quarenta e Duas, foto 1

Quarenta e Duas: trama onírica questiona o consumo e o individualismo

De em março 27, 2018

Peça: Quarenta e Duas, foto 1

Cristiano Sales e Daniel Ortega se dividem em diversos papéis na trama de Camila Damasceno

Com o espetáculo Quarenta e Duas, em cartaz na SP Escola de Teatro, a Cia Artehúmus e o Núcleo Tumulto apresentam uma proposta cênica ousada e experimental. Tendo como base a notícia falsa veiculada em 2012 sobre suposta morte do garoto Robson que, no interior de Goiás, se masturbou 42 vezes ininterruptamente, a peça, de forma onírica, reflete sobre o exagero consumista da sociedade contemporânea, tanto do ponto de vista material como psicológico.
Com dramaturgia de Camila Damasceno e direção conjunta de Emerson Rossini e Daniel Ortega, o elenco é formado por Cibele Bissoli, Cristiano Sales e Daniel Ortega, que pela primeira vez atua e dirige o próprio espetáculo.

Peça: Quarenta e Duas, foto 2

Montagem da Cia Artehúmus e do Núcleo Tumulto

Vestindo máscaras de animais, os três atores iniciam o espetáculo portando inúmeras sacolas de compras, que são dispostas por todo o espaço cênico, numa alusão direta ao consumo extremo das pessoas hoje em dia. O cotidiano de Robson, um compulsivo sexual, é retratado de forma onírica em esquetes rápidos, que traduzem questões do dia a dia dele, como proteção materna excessiva, as expectativas da mãe sobre o futuro do filho, a ausência paterna, os impulsos e desejos do adolescente e a solidão provocada pelas relações virtuais.
Para construir este universo onírico e de nonsense, o cenário tem papel fundamental: luvas pretas com água ficam penduradas no teto por todo o espaço, além de partes de bonecas, regadores de plantas com formas humanas, moedor de carne, serrote são manipulados pelos atores, que se dividem nos diversos papéis.

“A metáfora está nas mutilações presentes na encenação, apontando o quanto nos automutilamos diante do mundo, pois o autoconsumo é uma ferramenta para sobrevivermos”, esclarece o diretor Emerson Rossini.

Além da ousadia cênica, Quarenta e Duas se destaca pela performance dos atores, que usam muito da ação física e visceral para representar aquele universo imagético e onírico. Daniel Ortega, além de dividir a direção com Rossini, emociona com sua atuação: com pequenos gestos e sua força no olhar vai do cômico ao drama em segundos. A montagem é encenada de sexta a segunda até o final de abril.

Peça: Quarenta e Duas, foto 3

Cibele Bissoli vive as personagens femininas


Roteiro:
Quarenta e Duas. Dramaturgia: Camila Damasceno. Direção: Daniel Ortega e Emerson Rossini. Elenco: Cibele Bissoli, Cristiano Sales e Daniel Ortega. Iluminação: Thatiana Moraes. Figurinos: Álvaro Franco. Cenário e adereços: Álvaro Franco e Daniel Ortega. Fotografia: Cacá Bernardes. Produção: Cia Artehúmus. Realização: Cia Artehúmus e Núcleo Tumulto.
Serviço:
SP Escola de Teatro, sala R1 (50 lugares), Pr. Franklin Roosevelt, 210, tel. 11 3775-8600. Horários: sexta, sábado e segunda às 21h e domingo às 19h. Ingressos: R$ 30 e R$ 15. Duração: 70 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 23 de abril.

 


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