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Rainhas do Orinoco: comédia musical disseca alma latino-americana


Peça: Rainhas do Orinoco, foto 1

Luciana Carnieli, Dagoberto Feliz e Walderez de Barros protagonizam peça de Gabriel Villela

O novo trabalho do mineiro Gabriel Villela, a comédia musical Rainhas do Orinoco — encenação da peça Orinoco do mexicano Emilio Carballido, em cartaz no Teatro Vivo — convida o espectador a fazer um passeio para o mais profundo da alma e da cultura latino-americana. Por meio da trajetória de duas atrizes mambembes, a pessimista Mina vivida por Walderez de Barros e a otimista Fifi interpretada por Luciana Carnieli, que percorrem o rio Orinoco representando seus amores, aventuras e desventuras, a trama é uma reflexão sobre a existência humana, sobre o nascer, o viver e o morrer.
E o pano de fundo desta reflexão é a América Latina de Gabriel García Marquez, “esta pátria imensa de homens alucinados e mulheres históricas, cuja tenacidade sem fim se confunde com a lenda”. O programa da peça traz trechos do discurso do escritor colombiano ao receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, indicando que enredo do mexicano Carballido (que faleceu em 2008, aos 83 anos) retrata este universo cultural latino-americano.

Peça: Rainhas do Orinoco, foto 2

Walderez dá vida à pessimista Mina

A peça original é um teatro musicado, que ganha na montagem de Gabriel Villela o colorido do nosso circo-teatro, com trilha sonora criada por Babaya e Dagoberto Feliz (que divide o palco com as duas atrizes), composta por canções latinas interpretadas pela dupla paulista Cascatinha e Inhana.
A bordo do velho barco Stella Maris, Mina e Fifi fazem uma viagem imaginária pelo rio Orinoco e, além de representarem seus números musicais, discorrem sobre suas experiências de vida e o destino de serem obrigadas a se apresentar nuas num prostíbulo decadente. Além das diferenças de humor das duas personagens, o espectador percebe como são distintas as experiências e expectativas de vida destas mulheres.

“A peça é um depoimento humanista de alguém que enxerga através da comédia e do melodrama a existência de dois seres humanos desprotegidos na carne e nos grotões da América Latina. Colocamos em cena esse texto usando a linguagem estética do circo-teatro”, explica Gabriel Villela.

 

Peça: Rainhas do Orinoco, foto 3

Luciana interpreta a otimista Fifi

Com cenário de William Pereira, adereços e objetos de arte de Shicó do Mamulengo, a plástica do espetáculo encanta, envolve a plateia e denota o universo barroco, característica da obra do diretor mineiro, que também assina os figurinos. A discussão sobre as razões da existência humana — o novo e o velho, o ingênuo e o experiente, o idealista/otimista em contraposição ao realista/pessimista — é o que mais me emocionou no espetáculo. A performance em cena da grande atriz Walderez de Barros (que se despoja para dar vida à decadente e velha atriz Mina) é outro destaque da montagem, que se completa com os encantadores números musicais de Luciana Carnieli e Dagoberto Feliz. Não perca esta comédia musical, que permanece em cartaz até o início de julho.

Fotos: João Caldas Fº

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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4 Comentários para “Rainhas do Orinoco: comédia musical disseca alma latino-americana”

  1. Antoune Nakkhle Says:

    Com certo atraso,
    reitero o que Maurício Mellone registrou nessa bela resenha aqui no Favo. Além de tudo o que Maurício diz, é uma emoção sem igual assistir uma atriz como Walderez de Barros se entregar ao universo de Gabriel Villela com tanto depojamento. Que ela é maravilhosa, todos sabem, mas manter o frescor na atuação é coisa rara. Luciana Carnieli e Dagoberto Feliz mandam muito bem e estão tendo um mega privilégio de aprender com uma das maiores atrizes vivas do nosso País. Valeu pela resenham, Maurício, o público agradece!

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  2. Ed Paiva Says:

    O universo circense e barroco de Gabriel Villela encanta! Já o vimos o que sua sensibilidade é capaz de fazer com as obras de Shakespeare. Agora fico curioso para conferir como a latinidade e as reflexões sobre vida e morte serão tratadas.
    Obrigado pela resenha, Maurício!

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    • Maurício Mellone Says:

      Ed,
      tenho certeza q vc vai curtir.
      Além do trabalho do Villela (q vc bem conhece),
      ter a chance de assistir a atuação brilhante da
      grande Walderez de Barros é o que mais irá te
      motivar a conferir ‘Rainhas do Orinoco’
      Obrigado pela presença constante aqui no Favo e pelo
      incentivo, sempre!
      Bjs

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