Filme: Sangue Azul, foto 1

Sangue Azul: com Daniel de Oliveira, filme exalta o amor e a fantasia

De em junho 30, 2015

Filme: Sangue Azul, foto 1

Daniel de Oliveira vive Zolah, o homem bala do Circo Netuno

Depois de percorrer festivais pelo mundo — foi o vencedor da mostra Première Brasil do Festival do Rio 2014 e esteve no Festival de Berlim deste ano, dentre outros —, finalmente chega aos cinemas do país Sangue Azul, o terceiro longa-metragem de ficção do diretor pernambucano Lírio Ferreira.
Em formato de fábula, o filme é constituído de um prólogo — em que se vê um barco chegando à ilha e o personagem de Daniel de Oliveira passa mal — e cinco partes: Homem bala, Insônia, Infância, Angústia e Lenda do Pecado. O barco traz a trupe do Circo Netuno que vai fazer uma temporada nesta ilha do nordeste brasileiro, onde Zolah (Daniel), o homem bala, nasceu e está de volta depois de 20 anos. Ao desembarcar, ele é recepcionado por Rosa e Raquel, a mãe e a irmã, interpretadas por Sandra Corveloni e Caroline Abras, e logo o espectador sente um clima diferente entre eles: é que a mãe, por temer uma relação incestuosa entre os filhos, entregou o garoto a Kaleb (Paulo César Peréio), o ilusionista do circo, e ficou só com a menina na ilha.

Filme: Sangue Azul, foto 2

Zolah (Daniel) e Raquel (Caroline Abras) são irmãos mas foram separados na infância

As belas cenas iniciais são da montagem do circo: sem uma palavra, só com o trabalho e o esforço de toda a trupe, a lona é levantada. A primeira sessão acontece e o número do homem bala é a grande atração da noite, para delírio da plateia. A trama se desenrola com os artistas do circo se interagindo com os ilhéus: Inox, vivido por Milhem Cortaz, considerado o homem mais forte do mundo, é desafiado no braço de ferro, o atirador de facas (Matheus Nachtergaele) se envolve em confusão depois de dançar com a namorada de outro e as garotas da ilha que se insinuam para a trupe, principalmente para Zolah, assim como os artistas sentem atração pelos nativos. A história de Kaleb também se destaca: além de rever velhos conhecidos, ele admite que está ficando cego e desaparece (misto de realidade e fantasia). A pequena (porém intensa) participação do cineasta Ruy Guerra é fundamental: na pele de um velho pescador, ele é como um oráculo, um sábio que transmite ensinamentos às crianças.
No entanto, o mote central do filme é a relação mal resolvida entre Zolah e Raquel, que hoje vive com Cangulo (Rômulo Braga). Ao se reencontrarem, a forte ligação vivida na infância vem à tona e eles precisam entender o que um sente pelo outro. Por terem vivido separados, hoje eles são muito diferentes: Raquel vive no mar (é mergulhadora e trabalha com turismo) e adora se isolar, ao passo que Zolah morre de medo do mar e, ao contrário da irmã, é expansivo e galanteador. Entre eles, além de Cangulo, tem a mãe, que ainda teme pelo incesto e ao mesmo tempo se culpa por ter separado os filhos — a cena em que Zolah visita a mãe é de uma emoção extrema e os dois atores têm uma atuação irrepreensível.

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Paulo César Peréio e Sandra Corveloni têm atuações marcantes no filme de Lírio Ferreira

Com roteiro assinado pelo diretor em parceria com Sergio Oliveira e Fellipe Barbosa, Sangue Azul encanta o espectador, graças à mescla de realismo e fantasia e uma bela história de amor. Valeu a pena esperar: o filme foi rodado em 2012 em Fernando de Noronha, correu o mundo e só agora pode ser apreciado pelo grande público. Imperdível, uma das grandes produções brasileiras deste ano.

 

 

Fotos: divulgação


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