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Sobre Ratos e Homens: Kiko Marques encena clássico de John Steinbeck


Peça: Sobre Ratos e Homens, foto 1

Ricardo Monastero e Ando Camargo vivem os camponeses George e Lennie

Depois de uma pequena temporada no Sesc Bom Retiro, acaba de reestrear no Teatro FAAP Sobre Ratos e Homens, montagem do diretor Kiko Marques para o romance clássico do escritor norte-americano John Steinbeck, vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 1962.
O texto escrito em 1937 ganhou versões para o cinema e teatro — no Brasil o diretor Augusto Boal encenou a peça no final dos anos 1950 — e retrata um período de grave crise nos EUA, a depressão de 1929, em que dois camponeses de temperamentos opostos, mas muito amigos, lutam para sobreviver. George, vivido por Ricardo Monastero, é sagaz, esperto, mas com pouca força física, ao contrário de Lennie, interpretado por Ando Camargo, um homem de uma força descomunal, mas de extrema ingenuidade e certo retardo mental. A ligação deles é muito próxima, mas ao chegarem a outra fazenda novamente entram em confusão causada pela inabilidade de Lennie em controlar sua força.

Peça: Sobre Ratos e Homens, foto 2

Ricardo, Ando, Luiz Serra e Tom Nunes interpretam trabalhadores da fazenda

Num belo cenário assinado por Márcio Vinicius que reproduz um alojamento de trabalhadores, a trama é centrada na relação entre os dois camponeses. George é praticamente um tutor de Lennie, que nutre verdadeira adoração pelo amigo; eles buscam trabalho e almejam juntar o máximo de dinheiro possível para realizar um sonho em comum, a compra de um lote de terra onde poderão plantar, criar animais (Lennie só pensa em coelhos) e enfim serem felizes! Na fazenda aonde chegam, eles são contratados e se integram àquela vida dura e reclusa, mas logo ganham um adepto, o velho Candy (Luiz Serra), que promete contribuir com suas economias para a compra das terras. Tudo parece caminhar bem até o dia em que Lennie (que adora alisar coisas macias) encontra Mae (Natallia Rodrigues), nora do patrão, e seu jeito estabanado de acariciar provoca uma reviravolta na trama.
A crise generalizada, as péssimas condições de trabalho e as relações humanas um tanto deterioradas retratadas na obra de Steinbeck nos remetem ao que vivemos hoje, em pleno século XXI:

 

“A trama poderia se passar numa fazenda norte-americana em 1937, como num acampamento de refugiados sírios nos dias de hoje ou mesmo num barracão de dormitórios de um prédio em construção, no coração de qualquer metrópole. Qualquer lugar onde pessoas sejam tratadas como números, como bichos que têm somente a dureza da lida, a incerteza do amanhã e os dentes afiados do roedor, prontos a destruir qualquer tipo de sonho de uma vida melhor”, argumenta Kiko Marques.

 

Peça: Sobre Ratos e Homens, foto 3

Elenco: Luciano Schwab, Gustavo Vaz, Luiz Serra, Ricardo, Ando, Natallia Rodrigues, Cássio Inácio e Tom Nunes

Se o cerne da peça é a relação de profunda amizade entre os dois camponeses, o grande destaque de Sobre Ratos e Homens é sem dúvida para a composição de personagem dos dois atores e a perfeita sintonia em cena deles; Ricardo Monastero mostra as várias nuances de personalidade de George e Ando Camargo comove a plateia com a criação do encantador e, ao mesmo tempo, aterrorizante Lennie. Por ser ator, Kiko Marques imprime uma direção sensível e poética, que valoriza a atuação de todo o elenco, formado por oito atores. Espetáculo sensível e emocionante, que cumpre temporada até final de junho, não perca!

 

Fotos: Luciano Alves

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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2 Comentários para “Sobre Ratos e Homens: Kiko Marques encena clássico de John Steinbeck”

  1. Fábio Mráz Says:

    Genial! A linda direção do Kiko Marques e a atuação brilhante da dupla central tornam essa história que poderia ser rude e cruel num espetaculo de uma beleza poética linda!

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Fábio,
      que bom, concordamos em tudo!
      Uma montagem que provoca reflexão, um texto dos anos 1940
      que é muito atual (infelizmente a atual crise econômica
      nos iguala ao tema da peça)
      Adorei assistir ao espetáculo com vc
      bjs

      responder

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