Peça: Sylvia, foto 1

Sylvia: comédia mostra relação afetiva entre o homem e o cachorro

De em julho 17, 2019

Peça: Sylvia, foto 1

Elenco: Rodrigo Fagundes, Françoise Forton, Cassio Scapin e Simone Zucato

 

 

Com este título, Sylvia, a peça do norte-americano A.R.Gurney, em cartaz no Teatro das Artes, dificilmente faz com que o espectador imagine se tratar do nome de uma cadela. O inusitado é exatamente este: a personagem central é um misto de cachorra e mulher (uma cachorra humanizada ou uma mulher animalizada). Além de dar vida à personagem, Simone Zucato assina a tradução e divide a produção com Jorge Eali.

A trama gira em torno da vida de um casal de meia idade, o engenheiro Greg, Cassio Scapin, e a professora universitária Kate, Françoise Forton. Sofrendo da síndrome do ninho vazio (quando os filhos já adultos saem de casa), eles precisam se reinventar. Greg vai passear no parque, encontra Sylvia e uma forte relação amorosa nasce entre eles. O problema é que Kate não aceita a presença da cachorra e a vida do casal sofre uma grande transformação.

 

 


A cena inicial é com a chegada de Sylvia ao lindo apartamento do casal. Alegre e curiosa com tudo o que vê, ela ainda não indica ao público se tratar de uma cachorra. Só com a chegada de Greg é que a situação se esclarece. E tudo fica pior quando Kate entra em casa: ela se assusta com o animal e, ao inverso do marido, a aversão entre elas fica evidente desde o início. O combinado entre o casal é que Sylvia ficará apenas por uns dias, mas o apego da cachorra com o dono é tão grande que a partir daí nasce uma crise conjugal e Sylvia passa a ser um empecilho na vida dos dois.

 

Peça: Sylvia, foto 2

Peça de A.R.Gurney e direção de Gustavo Wabner

O contraponto na vida do casal é exercido pelos personagens interpretados por Rodrigo Fagundes: ele vive um homem que adora seu cão, Trovão que se envolve com Sylvia, e ao mesmo tempo interpreta uma amiga de Kate, que detesta cachorros. As cenas das amigas são hilárias e Rodrigo ganha a plateia com suas tiradas engraçadíssimas!

 

Com uma produção bem cuidada — destaque para o cenário, iluminação e figurinos —, a comédia, além de divertir, provoca reflexões, já que toca em temas sensíveis, como a crise da meia idade em que as pessoas necessitam se reinventar profissional e emocionalmente, a síndrome do ninho vazio, a solidão, a crise entre casal com anos de convivência e, principalmente, a relação de amor entre o ser humano e o cão.

 

 

 

Com duas montagens recentes encenadas na cidade em que o cão tem protagonismo — Cachorro enterrado vivo e Benjamin —, senti falta de uma caracterização mais marcante da atriz na pele da cachorra (postura, gestual, respiração e fala/latido). No entanto a sintonia em cena entre Simone e Scapin supera esta opção da direção em mostrar Sylvia sempre de pé, com o mínimo de aparência canina. Destaque ainda para a composição do casal em crise, com ótimas performances de Françoise Forton e Scapin.

Como hoje em dia cães e gatos fazem parte intrínseca da vida de muita gente, os espectadores se identificam com o espetáculo, que permanece em cartaz até início de setembro. Confira.

 

Peça: Sylvia, foto 3

Simone Zucato: assina a tradução e vive a cachorra

 

Roteiro:
Sylvia. Texto: A. R.Gurney. Tradução: Simone Zucato. Direção: Gustavo Wabner.Elenco: Françoise Forton, Cassio Scapin, Simone Zucato e Rodrigo Fagundes. Cenário:Camila Schimtz. Figurino:Marcelo Marques. Iluminação:Wagner Freire.Trilha sonora:Daniel Maia. Preparação vocal: Edi Montecchi. Direção de movimento:Sueli Guerra. Visagismo: Tainá Lasmar. Fotografia: Victor Hugo Cecatto. Direção de produção:Jorge Elali e Simone Zucato.Realização: SPZ Produções Artísticas e Jorge Elali Produções.
Serviço:

Teatro das Artes(769 lugares), Avenida Rebouças, 3970, Shopping Eldorado, 3º piso, tel. 11 3034-0075. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos:R$ 50,  R$ 70 e R$ 90. Bilheteria: terça e quarta das 14h às 20h; de quinta a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Vendas: www.sympla.com.br. Duração: 80 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 01 de setembro.

 

Uba
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