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Término do amor: premiado texto francês disseca o fim de uma relação

De em julho 20, 2017

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Carolina Fabri, Pedro Gongom e Gabriel Miziara protagonizam peça inédita no país

O velho ditado popular, ‘roupa suja se lava em casa’, é levado às últimas consequências pelo dramaturgo francês Pascal Rambert em sua premiada peça Clôture de l’amour, traduzida pela diretora Janaína Suaudeau como Término do amor. Na trama, em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade , o casal Carol e Gabi, interpretado por Carolina Fabri e Gabriel Miziara, promove um verdadeiro embate para estabelecer definitivamente a separação conjugal — como na montagem francesa em que os personagens ficaram com os nomes dos atores, aqui a diretora fez o mesmo. Assim, todas as mágoas, ressentimentos, reclamações e também os momentos felizes da relação são dissecados pelos personagens. Entretanto, tudo é feito de uma maneira peculiar: primeiro Gabi põe pra fora toda a sua proposta de separação e Carol apenas ouve; em seguida é ela que rebate e desconstrói todo o discurso do companheiro, que permanece calado.

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O embate do casal é pontuado pelo ritmo da bateria

A peça de Rambert conquistou o grande Prêmio CNT de literatura dramática francesa em 2012, um ano depois de sua estreia, e pela primeira vez é encenada no Brasil. A atriz e diretora assina a tradução, com a colaboração de Clara Carvalho, e faz questão de esclarecer:

“O texto é escrito em versos livres com palavras que dão porradas, mas que curam também. Meu desejo era fazer com que ele fosse ouvido em português. Rambert descreve o final de um relacionamento, mas o que importa é a forma como ele trata a questão. Ele disseca os dois pontos de vista, expõe os dois lados, um verdadeiro embate”, diz Janaína Suaudeau.

 

Para esta disputa entre marido e mulher, o cenário de Ulisses Cohn tem fundamental importância. São três passarelas, em que os atores ficam frente a frente, cada um em uma delas, e a terceira é ocupada pelo baterista Pedro Gongom, que pontua o ritmo do embate verbal do casal.
Depois de uma coreografia inicial, os atores sobem nas passarelas e Gabi é o primeiro a expressar sua posição: “Eu queria te ver para dizer que acabou”. Ele em seu discurso explicita o fim do amor entre eles e confessa que se sente preso e submisso diante de uma mulher forte e dominadora. À medida que ele enumera as razões que levaram ao fim da relação, Carol fica muda, mas expressa sua indignação e também se mostra frágil. Depois que Gabi despeja todos seus reclamos, é a vez de Carol revidar e ele se calar. Demonstrando muito mais ressentimento, ela desconstrói o discurso do marido, não deixando nenhuma reclamação dele sem resposta.
A beleza da dramaturgia de Rambert é que os personagens se mostram por inteiro, revelam suas limitações, fragilidades, mas também sua força e determinação. Como em toda a relação, não há a vítima e o algoz, ambos são responsáveis por tudo o que construíram juntos. Isto fica explícito na peça. Se num momento o espectador pode concordar com o marido, em seguida ouve o lado da mulher e pode tirar as próprias conclusões.
Além do texto envolvente e a direção que sabe valorizar o potencial dos atores, Término do amor se destaca pela iluminação de Aline Santini (focos de luz evidenciam cada polo da disputa) e pelo trabalho de interação entre música e dramaturgia, assinado por Vinícius Calderoni. No entanto, a interpretação visceral e a entrega tanto de Gabriel Miziara como de Carolina Fabri para a proposta cênica é o que ressalta desta ousada e criativa montagem. Não deixe de conferir: sessões somente quarta e quinta, até final de agosto, com ingressos gratuitos.

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Destaque: atuação visceral de Carolina e Gabriel

 

Roteiro:
Término do amor
. Texto: Pascal Rambert. Tradução: Janaína Suaudeau com colaboração de Clara Carvalho e Eloïse Morhange. Direção: Janaína Suaudeau. Elenco: Carolina Fabri, Gabriel Miziara e Pedro Gongom (bateria). Provocadora: Malú Bazan. Drumaturgy (interação musical dramatúrgica): Vinicius Calderoni. Cenografia: Ulisses Cohn. Iluminação: Aline Santini. Figurinos: Isabela Teles. Fotografias: Carla Trevizani e João Caldas. Produção executiva: Larissa Barbosa.
Serviço:

Oficina Cultural Oswald de Andrade (30 lugares), Rua Três Rios, 363, Tel. 11 3222-2662. Horários: quarta e quinta às 20 horas. Ingressos: gratuitos. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 30 de agosto.


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