Trágica.3, foto 1

Trágica.3: releitura das heroínas gregas Antígona, Electra e Medeia

De em maio 2, 2014

Trágica.3, foto 1

Miwa Yanagizawa, Denise Del Vecchio e Letícia Sabatella encarnam as heroínas gregas Electra, Medeia e Antígona

Uma releitura contemporânea das tragédias gregas Medeia, Electra e Antígona é o que propõe o ator e diretor Guilherme Leme no espetáculo Trágica.3, que acabou de fazer sua estreia nacional na última semana no CCBB-SP. A temporada paulistana está prevista até o início de julho, depois a peça irá para Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, nas demais unidades do CCBB.
Em três peças curtas, apresentadas de forma independente, as atrizes Letícia Sabatella, Miwa Yanagizawa e Denise Del Vecchio, vivem respectivamente as heroínas Antígona, Electra e Medeia. No elenco estão ainda Fernando Alves Pinto e Marcello H, que além de atuarem são os músicos do espetáculo, ao lado de Letícia, que inicia a peça tocando piano (ela também toca surdo).

Trágica.3, foto 2

As atrizes atuam em três peças curtas e independentes

O espetáculo começa com Letícia dando vida a Antígona, texto do paulista Caio de Andrade, baseado no clássico de Sófocles, que discute o comportamento humano diante do poder e da intolerância. Em seguida Miwa encarna Electra, em texto do amazonense Francisco Carlos que traz as três visões da vingança cultivada pela heroína, guardiã da façanha executada pelo irmão, Orestes, que elimina a mãe, Clitemnestra, assassina confessa do marido soberano. A última a entrar em cena é Denise em Medeia, de Heiner Müller com tradução de Monique Gardenberg e Guilherme Leme; em interpretação vigorosa, a atriz vive a heroína que trai tanto seu povo como seus parentes próximos (mata o irmão e lança seus pedaços ao mar, possibilitando a fuga de Jasão). Com diálogos curtos, Denise também dá voz a Jasão, que abandonou Medeia e se casa com a filha de Creonte, Rei de Corinto. O vídeo exibido no telão atrás da atriz complementa o jogo cênico.

 

“A questão política está contida na proposta de reunir as três tragédias numa montagem. A tragédia não é maniqueísta, não especula sobre bem e mal. Ela é, e ponto”, diz Guilherme Leme em entrevista ao site Ideias Online/CCBB-SP.

 

Além de trazer as histórias das heroínas da Grécia antiga sob o olhar contemporâneo, Trágica.3 se destaca por sua montagem minimalista e intimista, o que potencializa o poder da palavra e o impacto que as tragédias provocam no espectador. Destaque ainda para a trilha sonora executada ao vivo, a iluminação de Tomás Ribas e o visagismo assinado pelo ator Leopoldo Pacheco. Espetáculo denso e de forte conexão com o espectador.

 

Fotos: Victor Hugo Cecatto

Trágica.3, foto 3

Na estreia, o diretor Guilherme Leme cumprimenta Denise, que vive Medeia

 

Roteiro:Trágica.3. Textos: Medeia (Heiner Müller), Antígona (Caio de Andrade), Electra (Francisco Carlos). Tradução: Monique Gardenberg e Guilherme Leme Concepção e direção: Guilherme Leme. Elenco: Denise Del Vecchio, Letícia Sabatella, Miwa Yanagizawa, Fernando Alves Pinto e Marcello H. Cenografia: Aurora dos Campos. Iluminação: Tomás Ribas. Figurino: Glória Coelho. Trilha sonora original: Fernando Alves Pinto, Leticia Sabatella e Marcello H. Visagismo: Leopoldo Pacheco. Fotografia: Victor Hugo Cecatto. Produção executiva: Sílvia Rezende.

Serviço: Centro Cultural Banco do Brasil (130 lugares), Rua Álvares Penteado, 112 tels. (11) 3113-3651/ 3113-3652. Horários: sábado e segunda às 20 horas e domingo às 19 horas. Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Duração: 75 min. Classificação: 14 anos. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física. Estacionamento conveniado: Estapar Estacionamentos – Rua da Consolação, 228; van faz o transporte até o CCBB. Temporada: até 7 de julho.

 


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