Tropa de Elite 2- O inimigo Agora é Outro

De em outubro 16, 2010

Emílio Orciollo Neto e Wagner Moura em cena do filme

As filas das salas de exibição estão imensas e antes de completar uma semana da estreia o filme Tropa de Elite 2- O Inimigo Agora É Outro, do diretor José Padilha, já bateu todos os recordes de público.
Depois de tentar (sem sucesso) assistir a produção nacional mais esperada do ano, consegui estar na exibição que o jornal Folha de S.Paulo e o Cine Livraria Cultura promoveram ontem, dia 13. Ao final da projeção o diretor e o ator Wagner Moura participaram de um debate com a plateia.
O próprio título já indica os novos ingredientes dessa segunda versão. Se na primeira o tráfico de drogas era o centro do embate dos policiais do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), dessa vez as milícias armadas que passaram a dominar a vida das favelas cariocas é o maior inimigo.
O roteiro, assinado por Padilha e Bráulio Mantovani, retoma a discussão já levantada no primeiro filme, em que a polícia corrupta é outro braço da bandidagem, só que agora com a cobertura, a conivência e o amparo de políticos influentes.
A violência e a matança continuam sendo a tônica do filme, o que me deixou perplexo desde as primeiras cenas. Mesmo com o alerta no início da projeção, de que se trata de uma ficção e não da realidade muito conhecida de todos nós, não consigo lidar bem com tanto sangue e com a banalização da vida humana. Sei que infelizmente a realidade dos grandes centros no Brasil é essa, mas vê-la retratada na telona me choca profundamente!
Saí do cinema com a mesma sensação que tive com o primeiro Tropa: esse país não tem solução! Se de um lado há o bandido, o traficante e agora os facínoras das milícias, do outro há o policial corrupto e o governante que não só acorberta como usufrui da bandidagem. E o coronel Nascimento — personagem de Wagner Moura que no filme vive tanto o comandante geral do BOPE como subsecretário de inteligência da Secretaria de Segurança Pública — aprece como o grande herói. No entanto, o personagem mantém a mesma postura conservadora e machista da primeira versão. A única diferença é a tentativa de aproximação com o filho, que agora é um adolescente. As cenas em que Nascimento luta judô com o garoto mostra seu lado humano e sensível! Não é à toa que Wagner é hoje considerado um dos maiores atores de sua geração: mesmo com um personagem tão árido e violento, ele consegue mostrar a outra face, sensível e amorosa, do policial.


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