RSS FACEBOOK TWITTER

Woody Allen filma na Itália histórias reais e oníricas


Woody Allen e Judy Davis interpretam os pais da turista que se apaixona por um italiano

Em sua fase europeia — já filmou na Inglaterra (Match Point – Ponto Final), na Espanha (Vicky Cristina Barcelona) e na França (Meia-Noite em Paris) —Woody Allen agora escolheu a Itália, mais propriamente Roma, como cenário de seu mais recente trabalho, Para Roma, com Amor (To Rome with Love). O diretor norte-americano, que assina também o roteiro, conta quatro histórias independentes sobre cidadãos locais e turistas em passagem pela capital italiana. O teor das histórias varia de situações reais a outras completamente absurdas e surreais. Numa delas, temos o famoso arquiteto americano (Alec Baldwin) que viveu em Roma na juventude e está de visita à cidade com a mulher e uns amigos; paralelamente, uma turista americana (Alison Pill) conhece o italiano Michelangelo (Flavio Parenti) e se apaixonam perdidamente. Para oficializar a relação, as duas famílias se conhecem. Há ainda o casal (Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi) que vem do interior da Itália e por confusões ambos tomam rumos diferentes; por último Roberto Benigni vive Leopoldo Pisaneto, que de uma hora para outra vira celebridade no país todo!

Cartaz do filme, que no elenco estão Roberto Benigni, Penélope Cruz, Ellen Page, Jesse Eisenberg e Alec Baldwin entre outros

O filme começa com uma pequena tomada sobre Roma e vê-se um guarda de trânsito em ação; a câmera chega até ele, que fala das pessoas que visitam a cidade, de seus moradores e das inúmeras histórias vividas por lá. Pronto, os personagens da trama iniciam suas histórias, que acontecem de forma desordenada e sem obedecer a tempos reais. A situação vivida pelo arquiteto é a que mais me envolveu: como já morou em Roma, ele se afasta do grupo de amigos e quer fazer um passeio individual; neste momento que conhece Jack (Jesse Eisenberg) um arquiteto em início de carreira e eles passam a conviver. Num determinado momento o espectador percebe que aquele passeio pode ser para o passado do arquiteto e que Jack seria ele na juventude. Situação instigante, que provoca e emociona!
Na contramão, a história dos apaixonados tem um tanto do gênero pastelão, que me desagradou muito. Os pais da turista americana são justamente vividos por Judy Davis e Woody Allen: ele é um produtor musical aposentado que vê no futuro sogro da filha um promissor cantor de ópera. O único senão é que o “cantor” (vivido por Fabio Armiliato) só se apresenta debaixo do chuveiro e é assim que ele vai para o palco: sempre num boxe, se ensaboando!

Alessandro Tiberi e Penélope Cruz vivem cenas hilárias

Na terceira história, o casal do interior se hospeda no hotel e logo será apresentado para a família do rapaz; mas a garota quer ir ao salão de beleza e se perde na cidade. Ela se envolve com um veterano ator de cinema (Antonio Albanese) e o marido recebe no quarto, por engano, a visita de uma prostituta, interpretada com graça por Penélope Cruz. As confusões são hilárias!
No meio destas três situações, aparece o personagem de Benigni, que de um pai de família tradicional amanhece num certo dia como celebridade nacional. As circunstâncias que ele vive são irreais, sem pé nem cabeça, mas é uma sátira feroz ao mundo das celebridades, tão conhecido de nós brasileiros, desses “ex” participantes de reality shows que não se contentam com os 15 minutos de fama!
Como as histórias não se interligam e os tempos também são absurdos (a trama do casal interiorano se desenrola num único dia, já a do cantor de ópera leva meses), o diretor retorna ao guarda de trânsito que dá um arremate final. Nunca fui um ‘tiete’ de Woody Allen, parece que sua produção vive de altos e baixos, mas respeito muito sua persistência e constante produção cinematográfica. Pena que, na minha concepção, Para Roma, com Amor não esteja entre suas obras mais brilhantes.

Fotos: divulgação

, , , ,

4 Comentários para “Woody Allen filma na Itália histórias reais e oníricas”

  1. Luiz Carlos Líbano Says:

    Oi, Maurício, sem dúvida não é dos melhores do Woody, mas tem o seu charme e a sua graça. O foco nas traições inevitáveis já me torrou um pouco a paciência, pra não dizer outra coisa. Mas adorei o personagem do Alec Baldwin e a sacada crítica em relação ao personagem do Benigni. Aquilo de mostrar a mídia atrás do nada, procurando um ‘cristo’ pra depois desprezá-lo é um dos pontos altos do filme, além do cantor de ópera, que vivia no anonimato e depois foi envolvido naqueles espetáculos surreais, com aqueles banheiros cênicos, hilário. Tudo de bom! Agora a de mestre mesmo foi ele , o Woody, deixar o Benigni suportável, digerível. Sem dúvida, um bom entretenimento.

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Luiz:
      Woody Allen é sempre Woody Allen!
      Mesmo quando ‘erra’, acerta.
      O Mário Viana num comentário aqui diz que a história do cantor
      lírico é também uma continuação da história que critica o mundo das
      celebridades. Uma leitura interessante.
      bjs e até mais

      responder

  2. Mario Viana Says:

    O filme pode não ser brilhante, mas é delicioso, inclusive na falta de compromisso com o realismo. Penélope Cruz remete diretamente às prostitutas vividas por Sophia Loren e Benigni merece sofrer até mais, só pra deixar de ser mala.
    O filme critica a indústria da celebridade também na história do tenor. Só desse jeito é possível entender o absurdo daquilo, de pessoas lotarem um teatro pra ver um cara tomando banho! E as pessoas aplaudem, pq ele é a sensação, tão na moda quanto o sujeito comum vivido pelo Benigni.
    A trama do casal que se perde, ok, mas a prostituta some, sem mais nem menos… kkkk
    Um dos melhores momentos é a cara do rapaz ouvindo a aventura lésbica da menina e ela perguntando se ele já transou com um amigo.
    Repito, é um Woody Allen delicioso.
    Mas reconheço que Elis Regina, Chico Buarque e Woody Allen são dogmas pra mim.

    responder

    • Maurício Mellone Says:

      Mário: o dogmático! rsrsrsr
      Adorei seu comentário sobre Para Roma, com Amor
      do Woody Allen.
      A sua leitura sobre o tenor tb fazer parte da crítica ao mundo das celebridades
      é sensacional, não tinha visto por este ângulo.
      Sophia Penélope Loren Cruz também é uma óitma sacada!
      Mas ainda fico com a história do arquiteto como a mais envolvente!
      Bjs e obrigado pela visita!

      responder

Deixe uma resposta