12º Round- a história de Emile Griffith: últimas apresentações da peça

De em julho 7, 2025

 

Fernando Vitor interpreta o pugilista, cinco vezes campeão mundial em três categorias diferentes

 

 

Espetáculo que marca a estreia do Coletivo Nocaute (novo grupo de teatro negro), 12º Round- a história de Emile Griffith faz as últimas apresentações nesta semana no Sesc Ipiranga. Com direção de Bruno Lourenço e dramaturgia de Sérgio Roveri, peça traz a trajetória de Emile Griffith, considerado um dos maiores boxeadores da história — cinco vezes campeão mundial em três categorias diferentes — e que enfrentou racismo e preconceito por ter assumido sua bissexualidade em plenos anos 1960.

 

 

Fernando Vitor, idealizador do projeto, dá vida ao boxeador e divide o palco com Alexandre Ammano e Letícia Calvosa. A montagem, além de enaltecer a vida de Emile Griffith, dá ênfase tanto ao racismo como à homofobia presentes no esporte durante a década de 1960. Além das sessões do final de semana, o espetáculo ganhou duas apresentações extras neste final de temporada: na quarta às 18h e na quinta às 20h.

 

 

 

 

Alexandre Ammano, Fernando e Letícia Calvosa

 

 

Ao entrar na sala de espetáculos, o público já se depara com os  atores em cena, como boxeadores treinando. A trilha sonora, assinada pelo diretor, contribui para que os atletas lutem como se estivessem dançando. O palco é um misto de ringue e vestiário e, de acordo com o dramaturgo, o texto foi criado dentro do contexto de uma luta de boxe:

 

 

 

 

 

 

 

“Decidi escrever esta peça por achar imperdoável que um lutador da importância de Emile Griffith, um ativista de tantas causas sociais, não tivesse gravado seu nome na história. Senti que a dramaturgia poderia obedecer às regras do boxe, no intuito de reproduzir o tempo de uma disputa na íntegra. Criei 12 cenas de três minutos, separadas por cenas menores, que corresponderiam aos intervalos do gongo, com o objetivo de ser fiel ao esporte”, explica Sérgio Roveri.

 

 

 

A trajetória de Griffith é contada desde sua infância nas Ilhas Virgens Americanas até seu ingresso no pugilismo profissional. Os outros dois atores, Letícia e Alexandre, interpretam os diversos personagens da vida do campeão, como sua mãe, seu maior adversário (Kid Paret), sua amiga, seu namorado, além de jornalistas e outras pessoas ligadas a ele. O ponto chave da narrativa é a luta entre Griffith e Paret, que o havia provocado e chamado publicamente de ‘maricon’ ou bicha. A luta foi televisionada para todo o país e Griffith nocauteou o adversário, que faleceu dez dias depois no hospital. Este fato passou a ser um trauma na vida dele:

 

 

 

“Griffith é uma das maiores histórias do mundo do esporte, mas sofreu um processo de apagamento. Estamos comprometidos em honrar sua trajetória, destacando o fato dele ter se tornado, além de tudo, um ativista da causa LGBTQIAPN+. Num momento histórico atual, em que a luta contra a homofobia e o racismo se faz tão necessária, resgatar a história de Griffith nos inspira a seguir em frente”, argumenta Fernando Vitor.

 

 

 

Cena final: público reage como uma torcida

 

Com uma trama de impacto, um personagem forte, a montagem também se destaca pela dinâmica cênica criada pela direção: o espectador se envolve com a história de um atleta campeão que foi apagado do imaginário devido à homofobia. Na cena final, o público reage como uma grande torcida pelo triunfo de um herói. Vale a pena conferir, a temporada termina no próximo domingo. Siga o grupo no Instagram:
@12roundteatro

 

 

 

Roteiro:
12º Round: a história de Emile Griffith. Idealização de projeto: Fernando Vitor. Dramaturgia: Sérgio Roveri. Direção artística e direção musical: Bruno Lourenço. Elenco: Alexandre Ammano, Fernando Vitor e Letícia Calvosa. Cenografia, figurino e direção de arte: Maíra Sciuto e Natália Burger. Iluminação: Ariel Rodrigues. Preparação de corpo: Tainara Cerqueira. Consultoria e treinamento de boxe: Wellinton Souza. Vídeo e projeções: Renan Almeida. Fotografia: Heloisa Bortz e Rony Hernandess. Direção de produção: Natália Burger. Designer: João Vitor Lage.
Serviço:
Teatro do Sesc Ipiranga (213 lugares), Rua Bom Pastor, 822, tel.: (11) 3340-2000. Horário: sexta e sábados às 20h, domingos e feriados às 18h. Ingressos: R$ 60, R$ 30  e R$ 18. Duração: 70 min. Classificação: 16 anos. Temporada: até 13 de julho de 2025.

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