De Maurício Mellone em janeiro 30, 2026
O espetáculo A Baleia, que estreou no Rio de Janeiro e está em turnê pelo país, acaba de chegar a São Paulo, no Teatro Sabesp Frei Caneca, para uma curta temporada, só até 1º de março. E o papel principal, do professor de inglês Charlie, que sofre de obesidade mórbida, aqui é interpretado por Emílio de Mello. Completam o elenco Luisa Thiré (Liz, a enfermeira), Gabriela Freire (Ellie, a filha), Eduardo Speroni (Elder, jovem missionário) e Alice Borges (Mary, ex esposa).
A peça de 2012 é de autoria do dramaturgo norte-americano Samuel D. Hunter e inspirou o filme do mesmo nome, dirigido por Darren Aronofsky, que proporcionou o Oscar/2023 de melhor ator para Brendan Fraser. A trama gira em torno de Charlie, que vive isolado e dá aulas on line, com a câmera desligada. Ele só recebe visita de sua amiga Liz, que é enfermeira e tenta convencê-lo a procurar ajuda hospitalar, mas ele é irredutível, prefere viver seus últimos dias em casa.
Num cenário que reproduz a sala adaptada de um apartamento de uma pessoa obesa (sofá bem grande, mesa e andador muito próximos do sofá), a trama começa com Charlie com o computador ligado, dando aula on line; ele é professor de língua inglesa e comenta as redações dos alunos. A estrutura do texto é composta por cenas separadas: cada uma delas se refere a um dia na vida daquele homem, que está à beira da morte. O diretor, responsável também pela tradução do texto, conta sobre a narrativa peculiar da peça:
“Foi um verdadeiro presente receber esse texto. Já havia gostado muito do filme, mas me apaixonei pela peça do Hunter. A dramaturgia é construída no modo realista, mas com uma estrutura de grande modernidade. A narrativa da peça é em mosaico, cujos fragmentos se articulam num todo coerente”, explica Luís Artur Nunes.
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Além de se negar a um tratamento mais intensivo e de manter um embate com Liz, Charlie deseja se reaproximar da filha: com a separação do casal, Mary praticamente proibiu que ele tivesse contato com a garota. Mas após 12 anos e sem que a mãe saiba, Ellie procura o pai e os encontros são um misto de aversão e conflito da parte dela, mas há carinho e tentativa de aproximação por parte de Charlie. Outro personagem que começa a conviver com o professor é o jovem missionário, que procura divulgar sua seita. No entanto, ninguém consegue fazer com que Charlie se anime: sua doença evoluiu após a morte de seu companheiro, ele não vê mais sentido na vida. Deseja apenas se conectar com a filha antes de morrer.
Assim como no filme, a composição de Emílio de Mello para o obeso professor causa grande impacto na plateia. O trabalho de caracterização para um personagem com mais de 200 quilos incluiu prótese facial e figurino com enchimento e recurso de climatização. Porém, é graças ao talento e à sensibilidade do ator que Charlie emociona e toca o espectador. Destaque ainda para a iluminação, trilha sonora e o vídeo final com o mar ganhando a cena. Para mais informações, siga a página da peça no Instagram:
Roteiro:
A Baleia. Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Emílio de Mello, Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha sonora: Federico Puppi. Visagismo: Mona Magalhaes. Preparação corporal: Jacyan Castilho. Preparação vocal: Jane Celeste. Fotografia: Ale Catan. Direção de produção: Alessandra Reis. Produção executiva: Cristina Leite.
Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca (600 lugares), 7º piso do Shopping, Rua Frei Caneca, 569. Horários: sextas e sábado às 20h e domingo às 19h. Ingressos: de R$ 160 a R$ 25. Vendas: uhuu.com. Duração: 100 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 1º de março 2026.
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