A gente mira no amor e acerta na solidão: monólogo de Johnny Massaro

De em setembro 29, 2026

 

 

 

Primeiro solo de Johnny Massaro, numa livre adaptação do livro de Ana Suy

 

 

O best-seller da psicanalista Ana Suy, A gente mira no amor e acerta na solidão, — mais de 500 mil exemplares vendidos — acaba de ganhar os palcos, numa temporada até o final de outubro no Auditório do Sesc Pinheiros. Uma livre adaptação de Júlia Portes, com direção de Helena Varvaki, o espetáculo é protagonizado por Johnny Massaro: na pele de um Guia Turístico, ele convida os espectadores a conhecerem um coração. Além de informações sobre o órgão humano, ele propõe uma discussão sobre as complexidades do amor, da solidão e da existência humana. O projeto nasceu enquanto Massaro lia a obra e, coincidentemente seu amigo, o ator e produtor Pablo Sanábio, também estava debruçado no livro:

 

 

“Tomamos aquilo como um sinal e cá estamos, anos depois, depois de muito amor e esforço, juntos, com uma ideia que se tornou o meu primeiro monólogo e que tem nos emocionado diariamente. Eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, confessa Johnny Massaro.

 

 

 

 

 

O público entra na sala de espetáculo e no palco, totalmente branco, há uma escultura enorme de um coração humano, com um homem abraçado a ele. Depois do terceiro sinal, ele levanta com um fone de ouvido, está ouvindo Metade, música de Adriana Calconhoto:

 

 

“Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?
(Metade, Adriana Calcanhoto)

 

 

 

Dirigido por Helena Varvaki, ator é o idealizador do projeto

 

 

Ele tira o fone e percebe que os espectadores já estão ali. Meio sem graça, se desculpa e se apresenta: é um Guia Turístico que irá conduzir a todos para conhecer o coração humano. E avisa: há um lugar reservado na plateia, espera que a pessoa amada ainda chegue. Começa a descrição anatômica do órgão, ao mesmo tempo que faz indagações sobre o porquê que o coração é o órgão que representa o amor e os nossos sentimentos.

 

 

“O desafio era inventar uma dramaturgia que não fosse uma palestra de um psicanalista, criar um gesto que comportasse o livro ao mesmo tempo que fosse diferente dele. Gosto de pensar a partir de um personagem e de seus hábitos. A profissão dele pode ser uma boa pista para esse enigma de escrever uma dramaturgia; foi assim que surgiu o Guia Turístico: ele não é um poço de informações, ele é um veículo de experiência. Espero que todos embarquem nesta visita guiada”, espera Júlia Portes, responsável pela dramaturgia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Massaro mistura falas profundas com humor

 

Já totalmente desenvolto, o Guia interage com a plateia, fazendo perguntas sobre o comportamento das pessoas durante a relação amorosa e faz pequenas enquetes. Quando volta a falar sobre o coração e suas funções anatômicas, é interrompido por uma voz, a do coração, uma gravação feita por Júlia Portes: “você não é um poço de informações, é um veículo de experiência!”
Nesta interação com o público, o humor é a tônica, culminando com o pedido que faz: que todos levantem os celulares e cantem com ele, como acontece nos shows musicais.

 

“Com uma dose acertada de riso, experienciamos de modo coletivo um encontro um tanto desencontrado com a gente mesmo. Triste? De maneira alguma. A gente mira no amor e acerta no humor. Porque viver é tragicômico”, afirma Ana Suy no programa da peça.

 

 

 

 

 

 

Atuação de Massaro é o ápice do espetáculo

 

 

Ao mesclar temas profundos e existenciais — amor, desamor, ciúme, solidão, perda, vida e morte — com passagens bem-humoradas, Johnny Massaro tem a público em suas mãos, não se percebe o tempo de duração da peça. Talvez até por esta troca/interação entre palco e plateia, há um pequeno descompasso do ator para se chegar ao desfecho da trama, o que com o decorrer da temporada pode se dissolver.

 

Com uma direção precisa e sensível, um cenário acolhedor (destaque para o imenso coração), além da trilha sonora e a iluminação coesas com a narrativa, o espetáculo encanta e ao mesmo tempo incita que o espectador reflita sobre sua relação amorosa. E a atuação de Massaro é o ápice desta produção.
A temporada se estende até o final deste mês, não perca. Mais informações, acesse a página da peça no Instagram:

 

 

 

 

 

@agentemiranoamor

 

 

Roteiro:
A gente mira no amor e acerta na solidão. Peça inspirada livremente na obra de Ana Suy. Dramaturgia: Júlia Portes. Direção: Helena Varvaki. Idealização e atuação: Johnny Massaro. Voz do coração: Júlia Portes. Produção artística: Pablo Sanábio. Cenografia: Aurora dos Campos. Aderecistas: Gabriel Barros e Luziana Eleutério. Iluminação: Nina Balbi. Figurino: Mondepars. Trilha sonora: Frederico Santiago e Pedro Sodré. Preparação corporal: Esther Weitzman. Direção de produção: Roberta Dias. Produção/SP: Julia Tavares. Fotografia: Hudson Rennan. Visagismo: Cris Biato. Produção: Johnny Massaro e Pablo Sanábio.

Serviço:
Sesc Pinheiros/Auditório 3º andar, Rua Paes Leme, 195, tel. 1’1’ 3995-9400. Horários: quinta a sábado às 20h30. Ingressos: R$ 50, R$ 25 e R$ 15 (credencial plena). Duração: 60 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 31 de outubro de 2026.

 

 

5 Comentários

Dinah Sales de Oliveira

outubro 1, 2026 @ 16:47

Resposta

Maurício,
Lendo sua resenha fiquei com vontade de assistir ao espetáculo.
Se eu for, comentamos mais longamente.

beijo,
Dinah

Maurício Mellone

outubro 4, 2026 @ 09:29

Resposta

Dinah, querida:
Tomara q vc vá;
vc leu o livro da Ana Suy?
É uma livre adaptação, vale a pena
Beijos

Maurício Mellone

outubro 4, 2026 @ 09:32

Resposta

Dinah, minha amiga:
Vá assistir, vc vai curtir.
É uma livre adaptação do livro (q ainda não li),
mas é comovente e o ator está muito bem em cena
Beijos

Adriana Bifulco

setembro 30, 2026 @ 16:35

Resposta

Fiquei emocionada só por ler a resenha. Imagino como a sensação deve ser ainda mais intensa ao vivo, querido. Quanta sutileza, delicadeza e amorosidade em cena. Vou me organizar para ir assistir e ler o livro. Adorei!!

Maurício Mellone

outubro 4, 2026 @ 09:31

Resposta

Adriana:
Tb não li o livro, ainda….
É uma livre adaptação da obra.
Gostei bastante do resultado e o Johnny
envolve o público
Beijos

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