A hora do boi: solo de Vandré Silveira sobre o amor entre seres vivos

De em março 10, 2026

 

 

Vandré Silveira dá vida ao capataz Francisco, ao boi Chico e a São Francisco de Assis

 

 

Depois de quatro temporadas no Rio de Janeiro e indicações a prêmios, acaba de estrear em São Paulo, no Ágora Teatro, o monólogo de Vandré Silveira, A hora do boi. Com dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho e direção de André Paes Leme, a peça — idealizada pelo ator e inspirada em fato real ocorrido na Bahia —, retrata o dilema de seu Francisco, capataz de um matadouro que se afeiçoou ao boi Chico, o qual salvou no nascimento: chegou o dia de o funcionário exercer a tarefa ordenada pelo patrão, a de executar o animal.

 

 

A trama, mais do que ressaltar a relação de amor entre um homem rude e solitário e um boi manso e de alma de poeta, incita o espectador a refletir sobre a relação dos humanos com os demais seres vivos e sobre a forma predatória que lidamos com a Natureza.

 

 

 

Em peça de Daniela Pereira Carvalho, ator é dirigido por André P. Leme

 

Num cenário de poucos elementos (palco vazio e num canto correntes presas ao teto com carcaças de animais), a trama começa com o ator no chão relatando, com muita fluência, os fatos de sua existência. Com gestos sutis, agora de cócoras, ele dá continuidade à história. Aos poucos o espectador percebe, tanto pela postura corporal como pela forma de se comunicar, que está diante de um boi sensível e de alma de poeta (cita poemas e versos de canções populares) e de um homem simples, solitário, sem instrução mas amante do seu animal de estimação. Esta relação de amor surgiu há tempos: seu Francisco ajudou o parto daquele bezerro que estava com dificuldade para nascer; debilitado, o animal cresceu na casa do capataz.

 

 

 

 

 

 

“A peça fala sobre o afeto. Vandré Silveira mergulha com exemplar intensidade na pesquisa corporal para dar existência ao boi Chico, um poeta com coração cheio de amor. E, no mesmo corpo, fazer ser visto na pele de um homem rude e solitário, seu Francisco. O destino fez com que Francisco amasse Chico e, por força da profissão, ter de matar o animal. Um conflito que no palco faz explodir a arte da atuação, num final surpreendente”, analisa o diretor André Paes Leme.

 

 

 

 

Cenário com correntes e carcaças de animais

 

Além do capataz e do animal, o texto traz mais um personagem, Francisco de Assis, que redimensiona a trama. O ator deixa o centro do palco, muda sua postura e forma de falar e passa a refletir sobre os ensinamentos de São Francisco de Assis, conhecido como padroeiro dos animais, que demonstrava profundo amor e compaixão a todas as criaturas divinas e via os seres vivos com igual importância.

 

 

 

 

 

“Buscamos com esta peça (e a relação do seu Francisco e o Chico) jogar luz sobre a maneira como nós seres humanos nos relacionamos com as outras espécies, com os nossos semelhantes e com o planeta. É necessário e urgente propormos outra forma de relação com os recursos naturais, não exploratória e predatória, e também com os animais, que não estão a serviço da humanidade.  Precisamos nos enxergar como parte do todo, ampliarmos o olhar para a coletividade, para a empatia e para o afeto. O amor é a força mais poderosa do universo”, arremata Vandré Silveira.

 

 

 

 

Vandré: atuação visceral

 

O espectador se envolve com aquela relação de homem e boi e se emociona com o desfecho surpreendente e em tom de fábula. Além da força dramatúrgica e a sensível direção, A hora do boi se destaca pela iluminação, a direção de movimento e o belo figurino. No entanto a performance de Vandré Silveira é definitiva para a concepção da montagem: o ator com mudanças sutis de postura e entonação compõe os três personagens com vigor e brilhantismo. Não perca, um espetáculo encantador! Para mais informações, siga a página da peça no Instagram.

 

 

 

@ahoradoboiteatro

 

 

 

Roteiro:
A hora do boi. Texto: Daniela Pereira de Carvalho. Idealização e atuação: Vandré Silveira. Direção: André Paes Leme. Assistência de direção e direção de movimento: Paula Aguas e Toni Rodrigues. Cenografia e figurinos: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Renato Machado e Anderson Ratto. Trilha sonora: Lucas de Paiva. Fotografia: Callanga e Lorena Zschaber. Produção executiva: Márcia Andrade. Direção de produção: Sandro Rabello. Realização: Oriente Produções e Diga Sim Produções.
Serviço:
Teatro Ágora (50 lugares), Rua Rui Barbosa, 664, tel 11 98859-6939. Horários: sexta e sábado às 20h e domingo às 19h.  Ingressos: R$100  e R$50. Duração: 60 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 26/04/2026.

2 Comentários

Adriana Bifulco

março 10, 2026 @ 16:06

Resposta

Só de ler dá para perceber a grandiosidade desse espetáculo, que aborda um tema tão sensível. E ainda em tom de fábula!! Com certeza é incrível! Quero me programar para assistir.

Maurício Mellone

março 10, 2026 @ 16:15

Resposta

Adriana, querida:
Sem dúvida um espetáculo sensível, comovente.
E o Vandré está brilhante em cena.
Obrigado pela visita, tomara q vc possa ir assistir
beijos

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