A Máquina: peça de grande sucesso de João Falcão retorna aos palcos

De em dezembro 1, 2025

 

 

Elenco:  Marcos Oli, Alexandre Ammano, Agnes Brichta, Vitor Britto e Bruno Rocha

 

 

O próprio diretor João Falcão, que assina a adaptação do romance de Adriana Falcão aos palcos, admite que em 2000, quando a peça A Máquina estreou no Recife e cumpriu temporadas em algumas cidades, o número de espectadores foi pequeno, devido à imensa engrenagem cenográfica e a agenda atribulada dos atores que foram revelados pelo projeto — Lázaro Ramos, Wagner Moura, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão. Para o diretor, chegou a hora de mais gente conhecer a história de amor entre Antonio e Karina.

 

 

E o público paulistano tem esta chance: o espetáculo desta vez encenado pelo grupo paulista de atores negros do Coletivo Ocutá — Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto, com participação de Agnes Brichta —, estreou no novíssimo Teatro Iquè e permanece em cartaz até o próximo dia 14 de dezembro, com a promessa de iniciar uma turnê pelo país em 2026.

 

 

 

 

Cenário: palco giratório que possibilita a viagem no tempo de Antonio

O espetáculo ficou no imaginário dos amantes de teatro graças ao estrondoso sucesso na época (eu me incluo neste grupo, pois não assisti a montagem original). Sucesso este que se consolidou pela criativa direção e adaptação, em que Antonio, o protagonista, é vivido por quatro atores e o cenário é composto de um palco giratório cercado por arquibancadas, que possibilita a viagem no tempo proposta pelo personagem.

 

A trama central é sobre o amor de Antonio e Karina. O conflito gerado entre o casal de namorados é que a moça deseja deixar a pequena cidade de Nordestina para ganhar o mundo e se tornar uma atriz famosa. O rapaz, desesperado pela iminência da partida da amada, promete o impossível: viajar no tempo e trazer o mundo para Karina e para a sua cidadezinha.

 

 

 

 

 

Criativo programa da peça

No belo programa da peça um poema traduz muito bem a proposta da nova montagem:

 

É longe!
Lá de onde Antonio vem é longe que só a gota.
Vinte e cinco anos pra trás, lá quando ele inventou
aquela confusão de viagem no tempo e tal e coisa.
Agora ficou mais do que provado: olha Antonio aqui.
Vindo de lá.
Veio vindo, veio vindo, veio vindo, chegou.
Antonio viaja no tempo mesmo.
Não é Antonio?”

 

 

 

 

 

Interpretação: ápice do espetáculo

O fascínio que a peça A Máquina provoca no espectador é graças ao tom fabular de sua narrativa. O público disposto em forma de arena é ao mesmo tempo ouvinte e cúmplice daquele amor sublime, eterno. Em alguns momentos da trama, percebi semelhanças entre Antonio e Macunaíma (do romance clássico de Mario de Andrade), que também parte em viagem para recuperar o amuleto/muiraquitã que ganhou de seu grande amor.

Além da dramaturgia e encenação envolventes, a interpretação dos cinco atores é o ápice do espetáculo. As falas de Antonio ditas/repetidas em sintonia por Alexandre, Bruno, Marcos e Vitor ampliam a dimensão do personagem e de seu sentimento pela amada. Destaque ainda para os criativos figurinos e a perfeita conexão entre luz e trilha, que fortalecem a dinâmica narrativa. Grande montagem, que reitera, reforça o sucesso obtido pela peça há 25 anos.

 

 

 

@amaquinaoficial
@coletivo.ocuta

 

 

Roteiro:
A Máquina. Texto: Adriana Falcão. Adaptação e direção: João Falcão. Elenco: Agnes Brichta, Alexandre Ammano, Bruno Rocha, Marcos Oli e Vitor Britto- Coletivo Ocutá.  Idealização: Clayton Marques. Codireção e preparação corporal: Gustavo Falcão. Oficina de danças populares: Alisson Lima. Cenografia: João Falcão e Vanessa Poitena. Cenografia original: João Falcão e Denis Nascimento. Figurino: Chris Garrido. Visagismo: Louise Helène. Trilha sonora: Ricco Viana e João Falcão. Música original: DJ Dolores. Direção musical: Ricco Viana. Desenho de luz: Cesar de Ramires. Fotografia: Flora Negri e Leonardo Bonato. Produção: Daniel Bianchi e Margarete Calgaro. Realização: MaquinaMaquina Produções.       
Serviço:
Teatro Iquè (200 lugares), Rua Iquiririm, 110, tel. 11 97497-1620. Horários: quinta e sexta às 21h, sábado às 18h e 21h e domingo às 18h. Ingressos: R$150 e R$75. Vendas: Sympla. Duração: 70 min. Classificação: livre. Temporada: até 14 de dezembro de 2025.

2 Comentários

Adriana Bifulco

dezembro 3, 2025 @ 17:23

Resposta

Só pela resenha, que ficou com ‘gosto de quero mais’, dá para perceber a grandiosidade da peça. A história ser contada como fábula com certeza acolhe a plateia. Mais uma vez, será sucesso!

Maurício Mellone

dezembro 3, 2025 @ 17:56

Resposta

Adriana:
Se vc tiver chance de assistir, vá!
A montagem é emocionante, a plateia ao
final aplaude demais!
No dia em que assisti, o diretor estava presente,
foi chamado pelos atores e o teatro “veio” abaixo,
ovacionando o grande trabalho do João Falcão.
Muito obrigado pela visita e seu olhar sensível!
Beijos

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