De Maurício Mellone em agosto 15, 2025
A cineasta paulistana Anna Muylaert com seu mais novo longa-metragem, A melhor mãe do mundo, trata de um tema recorrente em sua carreira, a complexa condição da maternidade. Como no premiado Que horas ela volta?/2015 em que uma mãe e empregada doméstica conduzia a trama, desta vez Gal, a personagem central vivida por Shirley Cruz, é a protagonista. Ela é uma catadora de recicláveis que luta para sobreviver e criar seus filhos (Rihanna e Beninn, papéis das crianças Rihanna Barbosa e Benin Ayo) na metrópole de São Paulo, com seus perigos e ameaças. Para manter a inocência das crianças, ela faz com que os filhos vivam uma grande aventura em cima de sua carroça de recicláveis. Gal enfrenta ainda a dura realidade da mulher preta, pobre e periférica: machismo, preconceito, misoginia e as diferenças de gênero.
O filme começa com Gal diante de uma delegada de polícia, interpretada por Katiuscia Canoro, que tenta formalizar a queixa: mesmo com ferimento aparente no rosto, ela fica reticente diante a autoridade policial e, monossilábica, pouco informa sobre a agressão que sofreu do companheiro. Em seguida o espectador acompanha a fuga de Gal com as crianças do local em que viviam com Leandro (Seu Jorge). Ela coloca Rihanna e Benin na carroça, parte pela cidade de São Paulo e diz para entusiasmá-las:
“Não vamos dormir na rua, vamos acampar! Chegou a hora, cada dia num lugar, fazendo uma coisa diferente. Uma aventura, mistério, diversão, coisa de cinema!”
Gal se esforça para animar os filhos e com o pouco de dinheiro que lhe resta realmente procura diverti-los. Mas é preciso voltar à realidade e as crianças passam a ajudá-la, recolhendo tudo o que encontram pelas ruas. No entanto, ela está fugindo do companheiro e não pode mais frequentar a associação de catadores em que vendia o material recolhido. As dificuldades só aumentam e ela resolve procurar abrigo na casa de uma prima. Mas com a carroça e duas crianças, o caminho é longo! Gal ainda enfrenta violência e machismo por onde passa. O reencontro com Leandro não passa de uma desilusão e ela finalmente assume as rédeas da própria vida.
Anna Muylaert, que também assina o roteiro, novamente apresenta uma personagem complexa, uma mulher de fibra, que mesmo com todas as adversidades não esmorece e encontra forças para refazer a vida. A atriz Shirley Cruz, em grande atuação, passa todas as emoções dessa mulher guerreira. Destaque também para Seu Jorge, que imprime verdade naquele modelo de homem machista, e para a participação de Rejiane Faria, na pele de Munda, outro exemplo da força feminina.
Fotos: divulgação
2 Comentários
Dinah Sales de Oliveira
agosto 15, 2025 @ 14:41
Maurício,
Gostei muito do filme e a protagonista arrasa mesmo.
Fez tão bem o papel de catadora, muitíssimo convincente. E seu Jorge fez bem sua parte macho canalha, né?
Até que enfim leio sua resenha para um filme que assisti. Hahaha
Beijos
Maurício Mellone
agosto 17, 2025 @ 09:29
Dinah, querida:
Sem dúvida a Shirley arrasa. Assisti a uma entrevista dela,
no Bial, e ela está felicíssima com a chance de ter vivido
a Gal, aquela mulher guerreira!
Obrigado pela visita, desta vez já tendo assistido ao filme!
Beijos