A Semente da Romã: versão digital da peça de Luis Alberto de Abreu

De em janeiro 22, 2021

Elenco: Ondina Clais, Eduardo Estrela, Walderez de Barros,  João Vasconcellos, Sérgio Mamberti, e Lavínia Pannunzio

 

Com atores de gerações distintas — Walderez de Barros, Sérgio Mamberti, Ondina Clais, Eduardo Estela, Lavínia Pannunzio e João Vasconcelos —, a peça inédita de Luis Alberto de Abreu, A Semente da Romã, ganha versão digital e permanece em cartaz até 16 de março, com acesso gratuito pelo canal You Tube da Biblioteca Mário de Andrade.

 

O espetáculo fazia parte de um projeto mais ambicioso da Cia da Memória, que, em razão do fechamento dos teatros em 2020 por causa da pandemia da Covid-19, foi obrigado a ser cancelado. Com direção de Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez, o projeto iria unir o clássico As Três Irmãs de Anton Tchekhov com o texto de Luis Alberto de Abreu em encenação simultânea no Teatro do Sesc Pompeia. Como a pandemia persiste, o grupo resolveu abrir 2021 com esta versão digital de A Semente da Romã.

 

 

Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez dirigem o espetáculo

 

A montagem tem início com cada um dos seis atores em seus camarins se maquiando para entrar em cena, na última apresentação da temporada da peça de Tchekhov. O espetáculo começa e, na coxia, os atores que esperam para entrar no palco refletem e comparam esta montagem de que participam com a célebre criação de Zé Celso Martinez Correa de As Três Irmãs, em 1972, em plena ditadura militar, com a rígida censura da época.

 

 

A partir daí, os depoimentos se intercalam, ora são os veteranos Ariela (Walderez) e Guilherme (Mamberti) relatando suas experiências profissionais e de vida, ora Dion (Vasconcelos) e Augusto (Estrela) com visões mais atuais sobre a profissão e por fim Kátia (Ondina) que irá abandonar os palcos troca experiências com Tônia (Lavínia), que mantém viva sua fascinação e amor ao teatro.

 

 

 

 

“As peças dialogam entre si: enquanto a primeira reflete as discussões e os sonhos de uma classe mais instruída sobre sua própria vida e seu papel na sociedade russa do início do século XX, a segunda lança o olhar para a vida das pessoas de teatro e para o significado do próprio teatro na sociedade brasileira atual”, diz o diretor Ruy Cortez.

 

 

Mamberti vive Guilherme, ator da velha guarda

 

Nas conversas que acontecem na coxia, os atores, por pertencerem a diferentes gerações, trazem à tona vários temas, com visões até antagônicas. Falam das produções teatrais de hoje e as comparam com as de décadas atrás, falam da política cultural do país (ou da falta dela), falam das experiências, convicções e esperanças diante da arte, mas também não deixam de falar da desilusão diante da vida, dos problemas decorrentes da velhice e da morte. Impossível não se emocionar diante de depoimentos tão profundos, verdadeiros e comoventes.

 

 

 

 

Se a montagem coloca lado a lado duas peças de épocas distantes, o público também associa as experiências dos personagens da trama do dramaturgo brasileiro com as trajetórias profissionais dos atores. Até que ponto as vitórias, desafios e sucessos, mas também as agruras, desilusões e fracassos de Ariela, Guilherme, Kátia, Tônia, Dion e Augusto não são vividos igualmente por Walderez, Sérgio, Ondina, Lavínia, João, Eduardo e tantos outros artistas? Sem dúvida um espetáculo que disseca o fazer teatral e provoca reflexões profundas tanto para quem trabalha com artes dramáticas como para o público em geral.

 

 

 

Walderez, como Ariela: atuação comovente

Roteiro:
A Semente da Romã
. Texto: Luis Alberto de Abreu. Direção, roteiro de filmagem e de edição: Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez. Elenco: Walderez de Barros, Sérgio Mamberti, Ondina Clais, Lavínia Pannunzio, João Vasconcellos e Eduardo Estrela. Direção de fotografia e edição: Yghor Boy. Direção de arte: Vera Hamburger. Iluminação: Ana Kutner. Trilha sonora original: Thomas Rohrer. Figurino: Fábio Namatame. Fotografia: Ale Catan. Produção executiva: Mariana Machado. Produção: Companhia da Memória e Marlene Salgado.
Serviço:
Versão digital transmitida do teatro da Biblioteca Mário de Andrade e disponível no canal You Tube. Duração: 80 min. Classificação: 14 anos. Ingressos: gratuitos. Temporada: até 16/03/2021.

 

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