A última cova: solo de Marco França mostra um coveiro em busca da mãe

De em julho 20, 2026

 

 

Marco França divide o palco com os músicos Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo

 

 

Em forma de fábula, A última cova, em cartaz no Espaço Cênico do Sesc Pompeia, retrata a saga do coveiro Djalma — lindamente interpretado por Marco França —,  que deixa o Nordeste para procurar sua mãe em São Paulo. O texto do pernambucano Newton Moreno deixa o público encantado desde a primeira cena, graças à riqueza da cultura popular nordestina e da linguagem poética dos repentistas. A diretora do espetáculo explica a forma como trabalhou:

 

 

“A linguagem da peça bebe da palhaçaria, da clássica oralidade dos repentes e da infinita capacidade comunicativa da canção brasileira. Neste trabalho, procurei explicitar o jogo teatral para a audiência, ao mesmo tempo em que lhes oferecemos uma viagem para dentro deste país que tinge, borda e tece, em sua fábula, as raízes de um Brasil ao mesmo tempo vivido e sonhado”, esclarece Ana Rosa Genari Tezza.

 

 

 

Ator é o idealizador do projeto e assina visagismo e direção musical

 

 

 

 

 

Num cenário rico em detalhes e objetos da cultura popular — assinado por Kleber Montanheiro, responsável também pelo figurino —, o ator inicia o relato da trajetória de Djalma por meio da música, com a participação dos instrumentistas Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo. Mais do que falar sobre a busca pelo paradeiro da mãe, o coveiro passa a contar as mazelas e sofrimentos dos seus “clientes”, ou seja, daqueles que ele é encarregado de enterrar. Ele procura a mãe através dos olhos das mulheres enlutadas que ele encontra no cemitério onde trabalha e por todos os cantos da metrópole em que vive.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Ao assistir a um espetáculo sobre um coveiro que viveu durante a ditadura franquista na Espanha, me transportei aos canteiros de minha terra, pensando quantas histórias incríveis um cemitério coleciona, um lugar de memórias”, explica Marco França, que solicitou o texto para Moreno.

 

 

 

 

 

Além de idealizar o projeto, França assina a direção musical e o visagismo da peça. Para o ator, é na figura do coveiro (que traz alma em seu nome) que ele dá voz aos que “lutam diariamente contra o dragão da mentira, contra as ‘injustezas’ do mundo”. E completa citando uma frase do espetáculo:

 

Porque a coisa mais perigosa pra esse mundo enganoso e feio é um cabra que restou no silêncio!

 

 

 

Mesmo que seu ofício o obrigue a lidar com a morte, Djalma se preocupa muito com a vida e, em seus relatos, conta como procura ajudar os familiares de seus “clientes” a serem respeitados em seus desejos e direitos. O coveiro chega a burlar normas para realizar os pedidos das famílias que perderam seus entes queridos.

 

 

 

“Djalma é um cabra tinhoso, que retrata a resiliência e inconformidade do homem nordestino. Talvez não exista prova maior de resistência que não morrer; nisso o povo nordestino é mestre. Djalma está aí para provar, ele quer justiça e os que lutam por ela sempre são os primeiros alvos da ganância do mundo”, argumenta Newton Moreno.

 

 

Dramaturgia envolvente e atuação vigorosa

 

 

 

Em pouco mais de uma hora, Marco França na pele deste personagem cativante cria uma cumplicidade ímpar com a plateia, que chega a ‘beber um dos mortos’ com ele, num brinde coletivo com cachaça. Além da dramaturgia envolvente, da brilhante atuação do ator e da precisa direção, outro destaque da montagem é a sintonia entre os demais elementos cênicos: trilha sonora, iluminação e cenografia são componentes essenciais para a narrativa, completam e ampliam a saga do coveiro Djalma. Não perca, as sessões acontecem de quarta a sexta, às 19h30, até final deste mês. Mais informações na página da peça no Instagram:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

@aultimacova

 

 

 

Roteiro:
A última cova. Idealização, direção musical, visagismo e atuação: Marco França. Dramaturgia: Newton Moreno. Direção: Ana Rosa Genari Tezza. Núcleo de criação musical: Marco França, Arthur Jaime, Breno Mont Serrat.  Músicos: Bruno Menegatti e Juliano Veríssimo. Assistência de direção: Ana Elisa Mattos. Cenários e figurinos: Kleber Montanheiro. Desenho de luz: Gabriele Souza. Criação e confecção de boneco: Fernando Gomes. Fotografia: Caio Oviedo. Produção: Morente Forte Produções Teatrais e Galado Recordis. Realização Sesc SP
Serviço:
Sesc Pompeia/Espaço Cênico ( lugares), Rua Clélia, 93, tel. 11  3871-7700. Horários: de quarta a sexta-feira às 19h30. Ingressos: R$50, R$25 e R$15 (credencial plena). Duração: 70 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 31 de julho de 2026.

2 Comentários

Adriana Bifulco

julho 21, 2026 @ 15:18

Resposta

Esse espetáculo deve ser uma delícia, como você já descreveu, por ter elementos que cativam a plateia logo de início: aborda a cultura nordestina, tem repentistas e aborda um tema tão sensível. Vou me organizar para assistir. Obrigada pela dica, querido!!

Maurício Mellone

julho 21, 2026 @ 17:48

Resposta

Adriana,
Sem dúvida é um espetáculo encantador. O ator, idealizdor do projeto,
disse q durou 2 anos para tudo estar de acordo para apresentá-lo
ao público. Valeu a pena a espera!
Obrigado pela visita
Beijos

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