Asas de pano: peça de Eliete Cigaarini discute relação mãe e filha

De em fevereiro 12, 2026

 

 

Elenco: Anette Naiman, Gabriela Cigarini e Eliete Cigaarini

 

 

Espetáculo que acaba de estrear no Núcleo Experimental, Asas de pano, marca os 40 anos de carreia da atriz Eliete Cigaarini. Para dirigir seu primeiro texto teatral, a atriz convidou o ator Otávio Martins, que assina também a supervisão dramatúrgica, e, a seu lado no palco, estão a filha Gabriela (em sua primeira peça profissional) e a amiga Anette Naiman.

 

 

O que desencadeia toda a narrativa é o anúncio que a filha faz para a mãe: ela irá sair de casa e dividir um apartamento com uma amiga. A partir daí elas travam um forte embate, que fará com que segredos de família, guardados a sete chaves, venham à tona. Um inusitado telefonema contribui ainda mais para que a verdade se estabeleça: a avó da garota (Anette), falecida há 20 anos, aconselha a filha a desvendar os mistérios familiares.

 

 

 

 

 

As atrizes com o ator e diretor Otávio Martins

 

 

Sentada numa velha poltrona, no centro de um apartamento envolto em malas, baús e caixas, a contadora aposentada, especialista em acertar a vida econômica dos clientes, não consegue administrar a própria vida. Prevendo a solidão do ninho vazio — sensação psicológica que pais sentem quando os filhos saem de casa pela primeira vez —, ela usa de chantagem e até esconde documentos que a filha precisa para se mudar.

 

 

 

 

]

 

“Minha peça é um olhar voltado às raízes femininas e propõe um diálogo entre mundos, permitindo que a comunicação se restabeleça, que palavras nunca ditas encontrem seu destino. Asas de pano também dá voz ao que ficou retido no silêncio, a última chance de dizer o indizível, de concluir o que ficou suspenso e celebrar o amor que não conhece fim”, explica Eliete Cigaarini.

 

 

 

 

 

Estreias: Eliete como autora e Gabriela no palco

 

 

Em meio ao atrito entre mãe e filha é que surgem os telefonemas do além, que provocam um turbilhão de sentimentos naquele círculo familiar constituído só de mulheres. A avó traz à tona situações vivenciadas em momentos distintos da vida da contadora: a infância dolorida, a dificuldade de se relacionar na juventude, o aborto que foi obrigada a se submeter e a chegada da filha, que transformou totalmente sua existência.

 

 

 “Esta peça fala sobre o peso do passado versus a leveza necessária para voar. O texto trata ainda da busca pela estabilidade em contraponto ao desapego que é inevitável para seguir em frente. E no fim, fica a pergunta: qual é a verdade que você esconde para proteger quem ama?”, indaga Otávio Martins.

 

 

 

 

 

 

 

Anette: performance corajosa, tocante

 

 

 

A chegada de nova dramaturga é mais do que louvável. Em sua primeira peça, Eliete procura esmiuçar o universo feminino, em especial o conflito de gerações entre mãe e filha. A condução da trama em tempos distintos, o real em oposição ao imaginário representado pela avó, incita o espectador a refletir. Entretanto, o grande número de temas apresentados —  violência doméstica, ausência do convívio materno, aborto, relação homoafetiva e adoção — não aprofunda a discussão. Senti falta ainda de uma definição do tempo real em que a contadora e filha coexistem.

 

 

 

 

 

 

 

Eliete: versatilidade em cena

 

 

 

O destaque da montagem, no entanto, fica para a atuação das atrizes: a jovem Gabriela Cigarini mostra grande potencial e Anette Naimann tem uma performance corajosa, emocionante. Já Eliete, cuja personagem transita em diversas fases da vida, tem a chance de revelar todo seu talento e versatilidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

@asasdepano.teatro

 

 

Roteiro:
Asas de pano. Texto: Eliete Cigaarini.. Supervisão dramatúrgica e direção: Otávio Martins. Assistente de direção: João Pedro Martins. Elenco: Eliete Cigaarini, Anette Naiman e Gabriela Cigarini. Direção de arte:  Armando Filho. Figurino: Eliete Cigaarini. Iluminação: Otávio Martins. Cenografia: Marcelo Andrade. Fotografia: Helô Bortz. Produção e realização: Creartes Prod. Artísticas Ltda.
Serviço:
Teatro Núcleo Experimental (60 lugares), Rua Barra Funda, 637, tel 11 3259-0898. Horários: sábado e domingos às 20h. Ingressos: R$ 100 e R$ 50. Vendas: Sympla. Classificação: 12 anos. Duração: 65 min. Temporada: até 29 de março de 2026  (não haverá sessões durante o Carnaval).

2 Comentários

Adriana Bifulco

fevereiro 17, 2026 @ 22:51

Resposta

Esse espetáculo, com certeza, é uma dupla oportunidade para assistir à estreia de Eliete como autora e da lindíssima Gabriela como atriz.

Além disso, aborda vários temas sobre o universo feminino e a síndrome do ninho vazio, sempre tão atuais. Muito interessante!! Adorei saber!!

Maurício Mellone

fevereiro 19, 2026 @ 14:41

Resposta

Adriana,
vale a pena conferir a nova dramaturga e
a estreante atriz.
Citei na resenha/crítica e reforço aqui: Anette
tem um desempenho magnífico.
Beijos e volte sempre, querida.

Deixe comentário

Deixe uma sugestão

    Deixe uma sugestão





    Indique um evento

      Indique um evento