De Maurício Mellone em janeiro 18, 2026
Depois do sucesso no Rio de Janeiro, com mais de 60 mil visitantes, a exposição Cazuza Exagerado chega a São Paulo, no Shopping Eldorado, para uma temporada prevista até final de março.
Considerada a maior mostra dedicada ao cantor e compositor carioca — são 1800 m², em nove salas, com mais de 700 itens expostos vindos do acervo pessoal de Lucinha Araújo, mãe do artista — o evento marca os 40 anos de lançamento do álbum Exagerado. Além de ter acesso a objetos pessoais e fotos de todas as fases da vida de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, o público poderá ouvir as canções compostas por ele em diversos telões e fones espalhados pelas salas. Fotos, pôsteres, recortes de revistas e jornais com entrevistas, além participações dele em programas de TV e depoimentos de amigos, como Bebel Gilberto, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Pedro Bial, Leo Jaime, dentre outros, completam o grande painel em homenagem a Cazuza.
Logo na abertura da exposição, o visitante se depara com um texto de apresentação, assinado pelo curador, em que ele faz um breve resumo da vida e obra de Cazuza e, principalmente, da importância do artista para a cultura brasileira:
“Cazuza é gigante, isto enche de orgulho não só Lucinha Araújo, mas todos nós que admiramos sua força de vida e sua obra infinita. Hoje e sempre Cazuza!”, exclama Ramon Nunes Mello.
Outra declaração emocionante que se pode ler na entrada é de Gilberto Gil: “Cazuza vive. Não adianta discutir, nem insistir nem mitificar, Cazuza vive e ficará vivo! ”
Ao percorrer a mostra é possível fazer um mergulho no universo Cazuza. Numa imersão sensorial e emocional por meio de ambientes que revisitam as etapas da trajetória do artista, o visitante tem acesso desde informações sobre sua infância e adolescência, seu ingresso como vocalista do grupo Barão Vermelho, o início da carreira solo, os grandes shows e os álbuns com os principais hits até as últimas apresentações, em que ele já estava debilitado em razão da Aids.
Na primeira sala, o que chama a atenção são os objetos da infância, os cadernos escolares, os desenhos, os brinquedos e réplicas de documentos escolares. No telão, Lucinha conta sobre como ela e o marido João Araújo descobriram que o filho era um cantor. “O Caetano Veloso foi o primeiro a falar do Cazuza e o Ney Matogrosso o primeiro a gravar uma de suas composições”, diz Lucinha Araújo
A sala seguinte já traz Cazuza, aos 21/22 anos, como líder do Barão Vermelho. Há registros dos primeiros shows, imagens de bastidores, réplica do Disco de Ouro (100 mil cópias vendidas) do álbum Maior Abandonado e no telão imagens da apresentação do grupo no Rock in Rio e uma entrevista do cantor logo após o show. Já a terceira sala é dedicada ao início da carreira solo, com recortes das entrevistas e críticas e nos telões registro dos shows. Destaque para a reprodução do quarto de Cazuza, com escrivaninha, máquina de escrever e os manuscritos das letras das canções desta época. Há ainda os totens com os discos: o visitante pode ouvir todas as músicas, além de entrevistas do artista.
A próxima sala tem como destaque o programa de TV Cassino do Chacrinha: além dos telões com as apresentações de Cazuza no programa, ele é entrevistado pelos jurados, como Monique Evans e Elke Maravilha. Emocionante assistir o Velho Guerreiro, com sua irreverência, recebendo o rebelde e criativo poeta!
Na outra sala, o visitante tem a nítida impressão de estar ao lado de Cazuza: o ambiente é composto com imagens das várias etapas da carreira e, com o uso da inteligência artificial, Cazuza canta e interage com o visitante. Pura emoção!
A sala seguinte procura retratar os anos derradeiros da vida do poeta: a veraneio preta que Cazuza percorria as ruas do Rio de Janeiro com seus amigos está no centro do ambiente. Imagens das ruas são projetadas no chão e as fotos nas paredes registram os encontros dele com a família e os amigos mais próximos. No telão, depoimento de Cazuza sobre Renato Russo e trecho do show da banda Legião Urbana no dia da morte de Cazuza.
A próxima sala é a reprodução do camarim do artista, com espelho, fotos dos pais, o terno branco e a bandana que ele usava no final da vida. No telão, o artista aparece sendo maquiado naquele camarim. A sala seguinte é de uma emoção ímpar: há a reprodução do palco do Canecão, onde ele fez suas últimas apresentações; com o uso de holograma, Cazuza aparece no centro do palco e canta O tempo não para…. Como conter as lágrimas?
O outro ambiente traz registros de locais frequentados por Cazuza, como Barbarella e Galeria Alaska; nos telões canções dele que estiveram em trilhas de telenovelas, além de programas sobre ele e filmes, como Bete Balanço. Na sala que encerra a mostra há a reprodução da Pizzaria Guanabara, que ele adorava, e nas mesas há telões com depoimentos dos amigos e o visitante pode conversar com Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Frejat, Bebel Gilberto, Fernanda Montenegro, Pedro Bial e Sandra de Sá.
Depois deste bate papo com os amigos do poeta e deste mergulho na vida e obra deste ícone da música brasileira, o curador da exposição define a experiência de visitar a mostra Cazuza Exagerado:
“Cada sala foi pensada para provocar emoção, como se o público caminhasse pelos bastidores da vida e da obra de Cazuza”, resume Ramon Nunes Mello.
Roteiro:
Cazuza Exagerado: exposição sobre vida e obra do cantor e compositor carioca. São 1800m² em 9 salas com fotos, vídeos, objetos pessoais, documentos, capas de revistas e jornais e depoimentos de amigos. Curadoria de Ramon Nunes Mello. Acervo pessoal: Lucinha Araújo. Realização: Sorria!, coprodução da Hit Makers, do Grupo 4ZERO4, Caselúdico e Viva Cazuza.
Serviço:
Shopping Eldorado, 2º ss, Av. Rebouças, 3970, tel 11 2197-7800. Horários: de segunda a sábado das 10h às 21h15; domingo e feriado das 14h às 19h15. Ingressos: a partir de R$40; clientes dos cartões de crédito Bradesco, Bradescard, next e Digio têm 20% de desconto. Vendas: cazuzaexposicao.com.br. Classificação: livre; menores de 14 anos devem estar acompanhados por responsável. Temporada: até 22/03/2026.
2 Comentários
Dinah Sales de Oliveira
janeiro 18, 2026 @ 13:35
Maurício,
Essa exposição , que você nos dá esse panorama completo, não posso perder. Sou fã do Cazuza desde sempre.
Me lembrei do texto que fiz sobre a morte dele para um jornalzinho que circulava em Paris, para brasileiros. Uma hora dessas te mostro.
Boa resenha!!!
Beijos
Maurício Mellone
janeiro 19, 2026 @ 09:51
Dinah, querida:
Quero muito ler seu texto sobre o Cazuza.
A mostra é muito bem cuidada e em diversos
momentos fiquei muito emocionado. Vá e depois
comentaremos.
Muito obrigado por sua presença constante por
aqui. Beijos