De Maurício Mellone em dezembro 15, 2025
Amigos e parceiros há décadas, os atores Marcelo Médici e Ricardo Rathsam emplacam mais um grande sucesso teatral, Dona Lola, que depois de temporadas no Teatro FAAP e Renaissance, fecha o ano com casas lotadas. A dupla já havia conquistado o público com outra comédia, Cada um com seus pobrema, que permaneceu em cartaz por mais de 20 anos.
O espetáculo presta uma homenagem às mulheres do convício de Médici, a começar por sua avó Lola, que dá nome à peça. A trama conta a história de uma senhora que depois do sucesso estrondoso de seus vídeos postados pela neta na internet, aceita fazer uma peça graças ao incentivo de suas amigas. No entanto, na estreia ela é surpreendida com a ausência delas e, por vingança, resolve expor as mazelas de todas as amigas para a plateia.
Num palco de poucos elementos cênicos (uma cadeira giratória e duas mesas redondas), Dona Lola entra em cena com muito glamour. Mas logo quebra as expectativas, manda parar tudo e reclama com a neta que a música de abertura não foi a que ela escolheu. Pede desculpas à plateia e diz que vai repetir. Com a música de seu agrado, ela volta triunfante para dar início à peça.
Esta pequena descrição do início do espetáculo é somente para exemplificar o domínio de cena de Marcelo Médici: desde que pisa o palco ele tem o público em suas mãos! A adorável personagem parece que já faz parte do cotidiano de todos.
“Dirigir o Marcelo é ter o privilégio de assistir, em primeiríssima mão, a todo o seu talento e a honra de participar de seu processo criativo. O momento de abrir a cortina para o público é como o prazer de ter acompanhado uma série que você amou e agora quer assistir junto a alguém que você tanto gosta”, confessa Ricardo Rathsam no programa da peça.
Dona Lola explica aos espectadores como tudo começou: para alegrar a neta, ela aceitou fazer um vídeo confeitando um bolo. O resultado não foi o que ela esperava, mas suas trapalhadas fizeram o maior sucesso e o vídeo viralizou, com milhões de acessos. Deste inesperado êxito é que ela aceitou fazer uma peça, graças ao incentivo das amigas, que a deixaram na mão (não foram à estreia).
Aí entra outro trunfo da dramaturgia: duas das amigas mandam mensagens para o celular de Lola justificando as ausências e ela ouve os áudios ao lado do público: Olga diz que se atrapalhou e errou de teatro e de horário; já Marli diz que está resfriada e ficaria nervosa no teatro. O hilário é que as vozes das amigas são dos grandes atores Antonio Fagundes e Tony Ramos, respectivamente.
“Na peça, conto histórias reais e fictícias. Foi impossível fugir destas mulheres com quem convivi, todas absolutamente extraordinárias. Acho que elas iam gostar da peça, que não é sobre a minha avó, mas quase sem querer acaba sendo”, explica Marcelo Médici.
Só em cena — conta apenas com a pequena participação de Paulo Travassos, diretor de palco —, Marcelo Médici se mostra um ator maduro e de muita versatilidade. Com histórias hilárias e alguns momentos dramáticos (ele leva o espectador do riso à lágrima em segundos), Médici brilha em cena e é ovacionado ao final. Destaque ainda para a iluminação, trilha sonora e a direção de arte (as flores brancas suspensas ao fundo do palco são lindas). Pena que o espetáculo não tem ainda previsão de volta, mas certamente deve seguir os passos da primeira comédia da dupla de artistas, que já faz parte dos anais da dramaturgia brasileira contemporânea. Siga a página da peça no Instagram:
Roteiro:
Dona Lola. Texto e trilha sonora: Marcelo Médici e Ricardo Rathsam . Direção: Ricardo Rathsam. Elenco: Marcelo Médici. Direção de produção: Thati Manzan. Direção de arte: Mira Haar. Design de luz: Ricardo Silva. Direção de movimento: Kátia Barros. Visagismo: Marcos Padilha. Fotografia: Caio Galucci e Bianca Tatamiya. Voz off Olga: Antonio Fagundes. Voz off Marli: Tony Ramos.
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