Édipo: olhar contemporâneo da tragédia grega clássica de Sófocles

De em julho 14, 2026

 

Clarisse Abujamra e Sergio Mastropasqua vivem Jocasta e Édipo na peça de Robert Icke

 

 

A companhia Círculo de Atores depois de encenar grandes textos da dramaturgia mundial, dentre outros A Profissão de Sra Warren de Bernard Shaw e Hedda Gabler de Henrik Ibsen, retorna a um dos nomes mais celebrados da nova geração do teatro, o dramaturgo inglês Robert Icke. O grupo produziu em 2025 A Médica e agora está em cartaz no Auditório MASP com outra peça do autor britânico, Édipo, uma releitura da tragédia clássica de Sófocles, Édipo Rei.

 

 

Com direção de Clara Carvalho, o espetáculo é um thriller político contemporâneo, em que Édipo, interpretado por Sergio Mastropasqua, é um candidato a cargo majoritário prestes a ser eleito quando recebe a visita do cego Tirésias, vivido por Oswaldo Mendes, que o adverte sobre seu futuro e sua identidade. A partir daí, Édipo entra em crise e é amparado pela esposa Jocasta, papel de Clarisse Abujamra. Completam o elenco Rodrigo Scarpelli, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, Thomas Huszar e Roberto Borenstein.

 

 

 

 

 

Mastropasqua e a diretora Clara Carvalho

 

 

 

Enquanto o público entra no auditório, telões nas laterais já exibem cenas de manifestações de eleitores pelas ruas e, pouco antes do início da peça, o candidato Édipo, líder das pesquisas, é entrevistado por repórteres pouco antes da apuração. Um cronômetro em ordem decrescente é acionado e Édipo entra no palco, ambientado como o escritório político, ao lado de Creonte (Scarpelli), organizador da campanha; Jocasta e os filhos os recebem, mas eles são interrompidos com a chegada de Tirésias, que deixa o político tenso com as previsões enigmáticas sobre seu futuro e sua origem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Édipo em jantar com a família

 

Antes que sejam revelados os resultados da eleição, Édipo convida a mãe Mérope (Chris), além de Jocasta e os filhos para um jantar, onde ficam evidentes os atritos familiares. O político tenta espairecer, mas as dúvidas lançadas por Tirésias ficam presentes em sua mente e ele confessa a Jocasta sobre o temor que ainda sente sobre o acidente em que se envolveu há anos. Mérope, por sua vez, tenta uma conversa em particular com o filho, mas ele sempre adia. Com a ajuda de Creonte, o motorista envolvido no acidente é convocado e todos sabem que o causador da morte do primeiro marido de Jocasta era um jovem. Toda a verdade sobre o passado de Édipo está prestes a vir à tona, assim como a confirmação de sua vitória eleitoral.

 

 

 

 

 

 

“Conservando as unidades clássicas de tempo, espaço e ação, a peça traz, além do suspense e de um painel intrincado de relações familiares, uma profunda sondagem existencial e um mergulho no inconsciente. Assistimos à crise de um político que, sem saber, transgrediu leis civilizatórias e que, por excesso de autoconfiança e orgulho, engendra a própria ruína. O texto de Icke reafirma e renova a potência daquela que foi considerada por Aristóteles a mais perfeita das tragédias e nos fascina até hoje”, esclarece a diretora Clara Carvalho.

 

 

 

 

Clarisse Abujamra: atuação vigorosa

 

Outro aspecto inovador da peça é a dimensão dada a Jocasta, que num desabafo comovente relembra o abuso que sofreu do primeiro marido e da gravidez ainda adolescente. O autor transforma a personagem numa mulher contemporânea, consciente de seu papel social e antenada com a realidade que a cerca. A sensível e ao mesmo tempo vigorosa interpretação de Clarisse Abujamra dá ainda mais ênfase à personagem.

 

 

Com uma produção bem cuidada, o espetáculo se destaca pela direção dinâmica e criativa, além da perfeita conexão entre os demais elementos cênicos, como cenografia, iluminação, trilha sonora e belos figurinos. O cronômetro acionado no início da peça zera exatamente no momento em que a verdade sobre o passado de Édipo vem à tona. As cenas finais causam grande impacto graças à comovente atuação de Sergio Mastropasqua e sua sintonia com Clarisse Abujamra.

 

 

 

 

 

 

 

Tragédia grega com o olhar contemporâneo

 

 

 

É sempre enriquecedor assistir a um clássico da dramaturgia mundial e o texto de Icke consegue unir o vigor da tragédia grega com temas pungentes do mundo contemporâneo, como machismo, violência doméstica, discriminação e preconceito, além de autoritarismo e campanhas políticas distantes dos reais problemas sociais. Não perca, a temporada se estende até setembro. Mais informações na página da peça no Instagram:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

@edipo.teatro

 

 

 

 Roteiro:
Édipo. Idealização e produção geral: Rosalie Rahal Haddad. Texto: Robert Icke. Direção e tradução: Clara Carvalho. Diretor assistente: Thiago Ledier. Elenco: Sergio Mastropasqua, Clarisse Abujamra, Oswaldo Mendes, Rodrigo Scarpelli, Chris Couto, João Bourbonnais, Thalles Cabral, Thomas Huszar, Thaina Muniz, Márcia Teodoro, Marisa Mainarte, e Roberto Borenstein. Música original: Gregory Slivar. Cenografia e arquitetura cênica: Chris Aizner. Figurino: Marichilene Artisevskis. Iluminação: Gabriele Souza. Direção de imagem: Ícarus Filmes. Visagismo: Loeni Mazzei. Fotografia: Ronaldo Gutierrez. Produção: SM Arte Cultura. Direção de produção: Selene Marinho. Produção executiva: André Roman. Realização: Círculo de Atores.
Serviço:
Auditório do MASP (344 lugares), Av. Paulista, 1578, tel. 11 3149-5959. Horários: sexta e sábado às 20h e domingo às 18h. Ingressos: sexta R$100 e R$50; sábado e domingo R$120 e R$60. Vendas: Sympla. Classificação: 16 anos. Duração: 110 min. Temporadas: até 06 de setembro.

 

Deixe comentário

Deixe uma sugestão

    Deixe uma sugestão





    Indique um evento

      Indique um evento