De Maurício Mellone em junho 20, 2026
Considerada uma das mais importantes artistas plásticas contemporâneas, a carioca Beatriz Milhazes expõe pela primeira vez o conjunto de gravuras que produziu de 1996 a 2019, que pertence à Pinacoteca paulista.
A mostra Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo possui 27 gravuras produzidas pela artista em colaboração com Jean-Paul Rusell, renomado impressor e fundador do estúdio de edição de gravuras Durham Press, sediado na Pensilvânia, Estados Unidos. De acordo com o curador da exposição, Beatriz Milhazes concilia em sua obra elementos e referências muito diferentes da cultura brasileira:
“Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira, grafismos indígenas, ela se alimenta dessas referências e transforma tudo isso em uma linguagem própria. A gravura, técnica de reprodução de imagens, completa o sentido profundamente popular de seu trabalho, já manifestado em sua pintura. Além disso, a gravura coloca desafios técnicos novos para o seu trabalho e requer outra forma de lidar com o tempo”, assegura Renato Menezes, curador da exposição.
A mostra ocupa um salão do segundo andar do prédio Pina Estação e as obras estão expostas em ordem cronológica, narrando um ciclo de produção gráfica da artista brasileira. São 27 gravuras, desde O Pato e Uva Selvagem, ambas de 1996/1998, até Dovetail e Flower Swing de 2019.
As obras expostas são das mais variadas dimensões e formatos, algumas possuindo quase 2 metros de largura. E todas com a marca registrada da artista: as cores vibrantes e matizes diversas. As gravuras, que partiram de pinturas de Beatriz Milhazes, utilizam a serigrafia, técnica que consiste em fazer a tinta passar para a superfície desejada por meio de um bastidor preparado. A artista consegue efeitos de transparência e sobreposição, criando situações de profundidade e vibração nas cores. As gravuras da mostra trazem estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos, além de arabescos e formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas.
“Observar o conjunto completo de gravuras da exposição soa aqui como um convite, após uma contemplação demorada, a desinventar os objetos do mundo e encontrar neles a beleza essencial que os constitui”, conclui Renato Menezes.
Roteiro:
Beatriz Milhazes: gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo. São 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, com colaboração com Jean-Paul Rusell. Curadoria: Renato Menezes. Fotografia: Mariana Souza Martir.
Serviço:
Pinacoteca de São Paulo /Edifício Pina Estação, 2º andar, Largo Gen. Osório, 66, tel. 11 3335-4990. Horários: de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (gratuitos aos sábados; ingresso único com acesso aos três edifícios e 2º domingo do mês gratuidade Mantenedora B3. Temporada: até 14.03.2027.
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