De Maurício Mellone em setembro 6, 2025
Depois de estrear com sucesso no Rio de Janeiro, a comédia Meu remédio, com texto, produção e atuação do ator carioca Mouhamed Harfouch, chega a São Paulo para uma curta temporada no Teatro Santos Augusta, só até o dia 28 de setembro.
Com direção de João Fonseca, o monólogo é centrado na história de vida de Mouhamed, filho de pai sírio e mãe brasileira de origem portuguesa. De forma leve, descontraída e bem humorada, o ator mantém uma ligação direta com a plateia desde a primeira cena e discute temas profundos, como identidade, origem, ancestralidade e o poder transformador de aceitação pessoal.
Ao entrar na sala de espetáculo, o público já é recepcionado por Mouhamed, que, após o terceiro sinal, sobe ao palco e continua com a mesma descontração que estava na plateia. Diz que é essencial para o teatro esta troca entre artistas e espectadores e, aos poucos, pergunta para algumas pessoas o nome delas e qual a origem ou o significado do próprio nome. Tudo isto para começar realmente a peça, pois seu nome é difícil de se pronunciar. Ele pega um cartaz em que seu nome completo está escrito e pede para que as pessoas falem como se pronuncia.
Após esta introdução bem humorada, o ator começa a contar a própria origem, que é uma mistura de etnias e culturas, muito comum na sociedade brasileira. Seu pai é sírio e a mãe brasileira, com ascendência portuguesa. Ele conta que o pai escolheu seu nome para homenagear o profeta do islamismo. No entanto, na infância ele sofreu muito, pois as pessoas não sabiam pronunciar seu nome corretamente, o que era motivo de chacotas. E é desta forma que Mouhamed começa a discutir ancestralidade e a própria existência. Relata a seguir fatos ocorridos em sua vida, da meninice para a adolescência e até a fase adulta.
“A peça nasce da minha vontade de entender e compartilhar a relação com o meu nome, com minha história de vida, com a mistura de culturas que carrego. Crescer com um nome tão emblemático em um Brasil dos anos 1970, em que o preconceito e a dificuldade de aceitação eram muito presentes, não foi fácil. A peça é uma comédia, mas carrega uma reflexão sobre aceitação e pertencimento, sobre entender que, muitas vezes, o maior remédio é aceitar quem somos”, confessa Mouhamed Harfouch
Ao lado de fatos autobiográficos, o autor/ator introduz na trama elementos da ficção. Num cenário de poucos elementos — um grande baú que o ator retira uns elementos cênicos —, Mouhamed conta sua história pessoal e a dos principais personagens que o acompanharam durante a vida. Para compor esta narrativa, ele lança mão ainda do violão e canta canções e hits que o ajudam a ilustrar aqueles anos.
Com uma carreira no teatro composta de inúmeras peças e musicais, além de diversas participações em produções audiovisuais (novelas, séries e filmes), Mouhamed Harfouch, prestes a completar 48 anos, com Meu remédio tem a chance de mostrar toda a sua versatilidade como dramaturgo, produtor e ator. O espetáculo é leve, bem humorado e ao mesmo tempo profundo. O próprio ator define o que a peça representa para ele:
“Este espetáculo foi pra mim um ponto de partida, pois quem somos é curativo e a arte salva”, arremata Mouhamed Harfouch.
Siga o espetáculo nas redes sociais:@meuremediote
Roteiro:
Meu remédio: Idealização, produção, texto e atuação: Mouhamed Harfouch Direção: João Fonseca. Figurino: Ney Madeira e Dani Vidal. Iluminação: Dani Sanchez. Cenografia: Nello Marrese. Fotografia: Gustavo de Freitas Lara Produção executiva: Valéria Meirelles. Coordenação geral: Edmundo Lippi.
Serviço:
Teatro Santos Augusta (240 lugares), Alameda Santos 2159, 1º andar. Horários: sábado às 20h e domingo às 18h. Ingressos: de R$ 120 a R$50. Duração: 75 min. Classificação: 10 anos. Temporada: até 28 de setembro.
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