Museu da Língua Portuguesa: imersão no mundo da palavra e da poesia

De em julho 29, 2025

 

 

Fachada do Museu, reinaugurado em 2021: exposições permanente e temporária

 

 

Tive a oportunidade de viver três anos no Recife, onde pude apreciar a rica cultura pernambucana e retratá-la aqui no FAVO, como também atuei na imprensa local. Já estou de volta à minha terra natal há um ano e na semana passada tive uma experiência única: ter uma imersão no mundo da palavra e da poesia ao visitar o Museu da Língua Portuguesa.

 

 

Fiquei embevecido com a vitalidade do Museu, que em 2015 sofreu um abalo profundo com o incêndio que destruiu dois andares do edifício e, seis anos depois, reabriu suas portas, ainda mais criativo e interativo, com a exposição permanente Viagens da Língua, totalmente reformulada e ampliada, que ocupa o segundo e o terceiro andares; e a mostra temporária Fala Falar Falares, que está no primeiro andar e fica em cartaz até 14 de setembro.

 

 

 

Idioma no Brasil e apresentações da língua nos países lusófonos 

 

 

 

O trabalho de pesquisa da língua portuguesa é o que mais me chama a atenção ao entrar no Museu da Língua Portuguesa. Num dos primeiros totens da exposição permanente (Línguas do Cotidiano), o público já se depara com um letreiro definitivo:

 

 

 

 

 

 

 

 

“O português é a língua falada de uma ponta à outra do Brasil; é a forma de expressão de uma cultura diversa e multifacetada e o código central que dá unidade a um país do tamanho do Brasil. A língua portuguesa do Brasil é uma língua viva, que está em permanente movimento, sofrendo influências de outras línguas e refazendo-se, sem cessar, na boca de todos os seus falantes.
Nossa língua é a nossa cara, o nosso melhor retrato. É o modo que temos de carregar o mundo dentro de nós.”

 

 

 

 

A exposição permanente  é composta de seis divisões: Línguas do mundo, que traz totens com áudios de 23 línguas faladas no país ou ligadas à imigração, Laços de família/ beco das palavras/ palavras cruzadas, com totens interativos, Rua da língua, instalação de texto urbano com provérbios, músicas, pichações e trechos de poemas gravados em um grande painel, O Português do Brasil / Nós da língua, linha do tempo das transformações do idioma no Brasil e apresentações da língua nos países de língua portuguesa, Praça da língua, espaço multimídia e Falares, com depoimentos e sotaques diversos do Brasil.

 

 

 

 

 

Mostra Fala Falar Falares

Fala Falar Falares
A exposição temporária explora o ato de falar sob múltiplas perspectivas e tem como curadores Daniela Thomas e Caetano Galindo. A primeira parte da mostra é voltada à mecânica da fala: micrôfono capta o som da respiração acompanhado de projeções pulsantes. As imagens de ressonância magnética capturadas revelam como o corpo fala. Há ainda um quiz interativo de sotaques brasileiros, um mapa-múndi com trajeto etimológico de palavras até chegarem ao português cotidiano, um painel com cerca de 500 nomes curiosos de municípios brasileiros, formando um poema visual e sonoro e por último uma instalação com depoimentos sincronizados de 12 pessoas sobre a experiência oral, sotaques e linguagem em contextos diversos — identidade, pertencimento, preconceito, humor.

 

 

 

 

Terraço Paulo Mendes da Rocha

 

Vídeo imersivo do terceiro andar
Depois de ter percorrido as duas exposições, o público tem mais uma grata surpresa no terceiro andar: um vídeo imersivo que celebra a diversidade da língua portuguesa falada no Brasil, com músicas, depoimentos e trechos literários que formam uma colagem audiovisual, que demonstra a riqueza e vivacidade no nosso idioma.

 

 

 

Ao final do vídeo, outra surpresa: ao sair da sala de exibição, o espectador chega ao Terraço Paulo Mendes da Rocha, um espaço em homenagem ao arquiteto brasileiro, onde é possível ter uma vista panorâmica da Estação e do Jardim da Luz e de todo o centro da cidade de São Paulo.
Sem dúvida um passeio cultural imperdível.

 

 

 

 

 

 

 

 

Roteiro:
Museu da Língua Portuguesa, Praça da Luz, s/n, tel 11 4470-1515. Fotografias: Ciete Silvério e Wellington Almeida.
 Horários: de terça a domingo, das 9h às 16h30, com permanência até às 18h (segunda fechado). Ingressos: $24, e $12 (gratuitos aos sábados e domingos). Vendas: Sympla.

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