O agente secreto: premiado filme de Kleber Mendonça denuncia opressão

De em novembro 12, 2025

 

 

Wagner Moura, premiado em Cannes,  vive Armando/Marcelo na produção pernambucana

 

 

 

Aclamado no Festival de Cannes/2025 , onde recebeu os prêmios de melhor filme da crítica, de diretor e de ator, acaba de estrear no país O agente secreto, produção escrita e dirigida pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho e protagonizada por Wagner Moura.

 

 

 

A trama se passa em 1977, com o Brasil ainda mergulhado na sangrenta ditadura militar, e o personagem central sendo um fugitivo, que tenta se livrar da opressão política e social reinante na época. Tudo começa com Marcelo — mais tarde sabe-se que este é um nome fictício — viajando de São Paulo para o Recife, no meio do Carnaval. A história vai sendo contada aos poucos, com pequenas pistas sendo desvendadas paulatinamente para que o espectador possa montar toda a trama envolvida na saga de Marcelo.

 

 

 

 

 

Kleber Mendonça Fº conquistou prêmio de melhor diretor em Cannes

 

 

De forma gradual (são 2 horas e 40 minutos de exibição), o filme é composto de vários gêneros, do thriller político, passando pelo romance policial, com pitadas de horror e suspense e até de humor (ou de um humor ácido). Logo nas primeiras cenas, Marcelo, viajando de fusca, para num posto de gasolina onde havia ocorrido um homicídio. Depois de abastecer, ele passa por uma batida policial, mas é liberado. Chega no Recife no meio do Carnaval e se dirige a um edifício, onde é recepcionado por Dona Sebastiana, vivida por Tânia Maria, e por outros moradores. No dia seguinte, vai visitar seu filho Fernando, que mora com os pais de Fátima (Alice Carvalho), sua falecida esposa.

 

 

 

 

 

 

 

Marcelo com outros disidentes políticos

O próximo passo de Marcelo, codinome de Armando — professor universitário que havia se indisposto com funcionários corruptos do regime militar— é se apresentar ao órgão de identificação onde irá trabalhar e procurar vestígios de sua mãe, registrada naquele distrito do Recife.
Com cenas de um passado remoto (Armando e a esposa trabalhando numa universidade federal) mescladas com outras em São Paulo onde dois policiais são contratados para executar o professor (papéis de Gabriel Leone e Roney Villela) e de investigações policiais sobre casos obscuros ocorridos na capital pernambucana — ataques de “um perna peluda” e a morte de uma garotinha filha de uma faxineira em alusão ao fato real de um menino que morreu após descuido da patroa de sua mãe —, a trama cria um grande painel, em que as peças são reveladas pouco a pouco.

 

 

 

 

 

Elza (Maria Fernanda Cândido) apoia Armando

 

 

Assim é que o espectador compreende que a moradia de Marcelo/Armando é na verdade um abrigo de dissidentes políticos, que o professor está jurado de morte e é alvo de uma virulenta emboscada, além da tentativa de outros dissidentes, liderados por Elza, papel de Maria Fernanda Cândido, de salvá-lo. Para completar o painel de situações, o diretor/roteirista inclui ainda cenas atuais em que pesquisadoras trabalham para desvendar o desfecho da história de Marcelo/ Armando.

 

 

 

 

 

 

 

Wagner Moura: grande atuação

É difícil finalizar a resenha, com o cuidado de não dar spoiler, de um filme rico em mistérios e com peças do enredo que devem ser montadas pelo espectador. No entanto, gostaria de ressaltar que nos takes finais com Fernando/Wagner Moura (filho de Armando e Fátima) o diretor faz referência ao seu longa-metragem anterior, Retratos Fantasmas, sobre os cinemas de rua da capital pernambucana. O agente secreto, como representante brasileiro na cerimônia do Oscar/2026, pode se juntar ao Ainda estou aqui  de Walter Salles, e nos presentear com mais estatuetas (filme, ator, diretor). Vamos torcer, pois o filme é grandioso e Wagner Moura mostra todo o seu talento ao revelar facetas variadas do personagem, em momentos distintos de sua trajetória.

 

 

 

Fotos: divulgação

 

 

 

2 Comentários

Adriana Bifulco

novembro 18, 2025 @ 16:11

Resposta

Esse filme realmente é um forte concorrente ao Oscar 2026. Wagner Moura está ótimo em seu papel e as pistas que são dados no decorrer da história nos fazem pensar bastante.

Maravilhoso!! Sua resenha está perfeita e, não se preocupe, não dá spoilers.

Maurício Mellone

novembro 19, 2025 @ 14:22

Resposta

Adriana, querida:
Tenho sempre o cuidado de não adiantar ao leitor
passos importantes da trama (pra não tirar o gosto
dele em se envolver com a história)
O Wagner tem chances de ser premiado, tomara!
Beijos e obrigado pela visita

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