De Maurício Mellone em setembro 3, 2025
Premiado com o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim/2025, O último azul, do cineasta Gabriel Mascaro, acaba de estrear no país. Estrelado por Denise Weinberg, o filme se passa na Amazônia, num Brasil distópico, em que os idosos são retirados da sociedade e enviados para colônias habitacionais para “desfrutar” os últimos dias de suas vidas.
No entanto, Tereza, personagem de Denise, ao se ver diante da iminência da ida para a colônia, resolve fugir e realizar seu sonho, o de voar. Nesta aventura, ela parte pelos rios amazônicos com o objetivo de encontrar uma maneira de poder realizar o sonho e assim dá outro sentido a sua existência. Completam o elenco, Rodrigo Santoro, Clarissa Pinheiro, Adelino Reis e Miriam Socarrás.
Com roteiro assinado pelo diretor e por Tibério Azul, a trama começa com Tereza trabalhando numa espécie de frigorífico; ao chegar em casa, ela é surpreendida com a visita de funcionários do governo que lhe entregam uma medalha e avisam que será preciso que se apresente à prefeitura local. No dia seguinte ela é desligada do emprego e, sem ter o que fazer, resolve partir para realizar seu sonho.
Se há road movie em que personagens viajam por terra durante todo o filme, a produção de Mascaro pode ser considerada boat movie, pois Tereza para atingir seu objetivo viaja pelos rios da região amazônica. É assim que consegue sua primeira carona na embarcação de Cadu, vivido por Rodrigo Santoro; ele promete levá-la até um lugarejo em que poderá encontrar um avião. No percurso, eles são obrigados a parar, para desespero de Tereza. Depois de retomarem a viagem, ela chega ao local, mas a pequena aeronave está avariada.
Toda vez em que Tereza tenta se locomover por transporte urbano, sua filha Joana (Clarissa Pinheiro) é acionada. Numa destas tentativas, ela é presa e levada de volta para casa. Seu destino é a colônia. Entretanto, Tereza consegue burlar a fiscalização e novamente retoma sua aventura
“Vão mandar no meu querer agora, é?”
Tereza não se conforma com os desmandos oficiais e na sua nova fuga conhece a barqueira Roberta, vivida pela atriz cubana Miriam Socarrás, que lhe dá guarida. Elas percorrem os rios vendendo livros religiosos e Tereza tem a consciência de que só o dinheiro pode lhe salvar:
“Vou comprar a liberdade antes de ser presa”.
Com uma bela fotografia, o grande destaque do filme é para a atuação de Denise Weinberg, que traça um perfil ascendente de uma mulher que mesmo aos 77 anos está em pleno vigor e com total capacidade para comandar a própria vida. O desfecho do filme pode surpreender o espectador.
Fotos: divulgação
2 Comentários
DINAH SALES DE OLIVEIRA
setembro 3, 2025 @ 18:25
Maurício,
Ficou ótima a resenha!
Acho que você acertou bem nos olhares e, principalmente, em falar de surpresa no desfecho. Foi exatamente isso que aconteceu comigo, fiquei surpresa.
Depois falamos ao vivo.
Beijos,
Dinah
Maurício Mellone
setembro 4, 2025 @ 14:36
Dinah.
O filme provoca mesmo uma surpresa no final.
Obrigado por sua visita. Nem preciso dizer para
voltar, pois vc sempre está aqui. Para minha alegria!
Beijos