De Maurício Mellone em julho 7, 2026
Leve e sensível comédia romântica sobre dois adolescentes. Numa única frase é possível definir o filme de Daniel Lieff, Quinze dias, uma adaptação do livro best-seller de Vitor Martins sobre a história do encontro de Felipe, vivido por Miguel Lallo, e de Caio, interpretado por Diego Lira.
Tudo começa mostrando o cotidiano de Felipe, um jovem acima do peso, que de tanto sofrer bullying na escola não vê a hora de chegar as férias para poder ficar em seu quarto curtindo as séries na TV e lendo seus livros. O garoto mal sabe o que o destino lhe promete: no primeiro dia das férias, ao sair do banho e entrar em seu quarto só de toalha, dá de cara com Caio. Os dois se assustam, mas logo Rita, papel de Débora Falabella, explica tudo ao filho. Por causa da viagem dos pais de Caio, interpretados por Mariana Santos e Sílvio Guindane, o garoto irá passar 15 dias com eles. Apesar da confusão inicial e das diferenças entre os meninos, com o passar dos dias eles irão viver a primeira experiência amorosa de suas vidas.
Nas cenas iniciais, em off, Felipe conta sobre sua infância e como gostava de nadar na piscina até o dia em que começou a sofrer com as brincadeiras desagradáveis das crianças por causa de seu peso. E na escola, já adolescente, cenas de bullying são constantes, daí a estratégia de se isolar. Por isto que Felipe se irrita com a presença de Caio em sua casa: além de perder a privacidade, eles são muito diferentes. Caio é dinâmico, atlético e se relaciona bem com as pessoas. Como são obrigados a conviver naqueles dias, eles aos poucos vão se entendendo e as arestas sendo aparadas.
O que muito contribui para que os garotos se entendam é uma festa em que eles são convidados por Beka e a namorada Melissa, vividas por Mika Soeiro e Bel Moreira. Além da descontração e da farra adolescente, Felipe fica sabendo que o amigo também é gay, para a sua alegria. A partir daí a aproximação entre os garotos é inevitável e eles percebem como foram criados de forma bem diferentes. Se Rita é aberta e solidária com o filho, Caio sempre foi podado e superprotegido pela mãe conservadora e o pai ausente.
Com roteiro assinado por Ray Tavares e Vitor Brandt, o filme é ágil e ao mesmo tempo toca em questões profundas e delicadas que movem a sociedade contemporânea, como a agressão e intolerância a jovens que fogem de padrões (pessoas acima do peso e pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+), além de provocar reflexão sobre a maneira de se educar os filhos no mundo de hoje.
Destaque ainda para a atuação dos jovens atores Miguel Lallo e Diego Lira, que com naturalidade compõem muito bem seus personagens. A trilha sonora também deve ser ressaltada, com canções que dialogam com a trama; é o caso de Menino Bonito, de Rita Lee interpretada por Chico Chico e Flutua de Johnny Hooker, que com os versos finais se encaixam perfeitamente na história de amor de Felipe e Caio:
‘Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”.
Fique com o clipe oficial de Flutua, com Johnny Hooker e Liniker e a participação de Jesuíta Barbosa e Maurício Destri:
Deixe comentário