Peça: Sede, foto 1

Sede: montagem inédita no país de texto do premiado Wajdi Mouawad

De em fevereiro 19, 2020

Peça: Sede, foto 1

Luna Martinelli, Marcelo Varzea e Felipe de Carolis protagonizam espetáculo

Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer

 

 

Estes versos de Comida, canção de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto, sucesso da banda Titãs, funcionam como síntese da peça Sede, do ator e dramaturgo libanês (radicado no Canadá) Wajdi Mouawad, em cartaz no Tucarena. Esta é a terceira montagem de textos do premiado dramaturgo no Brasil: Aderbal Freire-Filho dirigiu outras duas peças dele — Incêndios/2013-14 e Céus/2016-17.

 

Com direção de Zé Henrique de Paula, montagem inédita no país retrata o drama de três personagens que lutam para entender o sentido da vida, têm gana, têm sede de viver. O espetáculo teve sua estreia há três semanas com outro elenco: Felipe de Carolis dividia o palco com Maria Manoella e o diretor; desentendimentos internos provocaram mudanças e a peça conta agora com Luna Martinelli e Marcelo Varzea.

 

 

Peça: Sede, foto 2

Ação corre entre Boon (Varzea) e Murdoch (Felipe) 

 

 

Assim como Incêndios, Sede exige atenção máxima do espectador, já que a ação corre em paralelo entre o drama do jovem Murdoch (Felipe) — que questiona a existência humana e sua adequação ao mundo contemporâneo — e a luta interna de Boon (Varzea) que anulou sua vocação de escritor para viver como antropólogo forense, um técnico legista. Entre Murdoch e Boon vive a enigmática Noruega (Luna), que perambula entre o imaginário daqueles dois homens.

 

 

 

 

 

Com uma estrutura dramática densa, poética, recheada de mistérios e com ações passadas em épocas distintas, a trama é como um quebra cabeça que precisa ser montado pelo espectador. Além de retratar a insatisfação do jovem diante da vida e a consequente opção pelo suicídio, Mouawad discute nesta peça a importância da educação e da arte no mundo contemporâneo. Para o diretor, a beleza em Sede é tratada como “experiência estética renovadora e revitalizante para nossas almas”.

 

 

“Esta peça fala da sensação de alma seca, portanto de outras sedes — sede do coração, sede do espírito. A água que cura a sede da alma não é a mesma que cura a sede do corpo. É uma outra água, que só se descobre quando se tem coragem de fazer a pergunta: minha alma tem sede de quê?”, indaga Zé Henrique de Paula.

 

 

Com direção musical e trilha original de Fernanda Maia, a montagem conta com três músicos (Jonatan Harold, Felipe Parisi e Catherine Santana) que executam ao vivo as canções, o que amplifica o drama vivido em cena. A cenografia (Bruno Anselmo) é outro elemento preponderante para o fluxo narrativo: o palco giratório, movido pelos atores, ajuda o espectador a localizar as ações que correm em paralelo (no tempo e no espaço). Assim como os demais elementos, a iluminação (Fran Barros) está muito bem inserida na concepção proposta pela direção. E a interpretação visceral dos atores (a maioria das cenas são solos, com poucos momentos em que os personagens contracenam) valoriza ainda mais a contundente dramaturgia de Wajdi Mouawad. Como comecei citando a canção dos Titãs, nada melhor do que finalizar com a versão de Marisa Monte (em início de carreira) para Comida.

 

 

 

Peça: Sede, foto 3

Luna e Varzea substituíram Maria Manoella e Zé Henrique

Roteiro:
Sede. Texto: Wajdi Mou wad. Tradução: Angela Leite Lopes. Direção e figurino: Zé Henrique de Paula. Idealização: Felipe de Carolis. Direção musical: Fernanda Maia. Elenco: Felipe de Carolis, Luna Martinelli e Marcelo Varzea. Músicos: Jonatan Harold, Felipe Parisi e Catherine Santana. Cenografia: Bruno Anselmo. Iluminação: Fran Barros. Preparação de corpo: Inês Aranha. Programação visual: Laerte Késsimos. Fotografia: Caio Gallucci. Produção executiva: Martha Lozano. Produção: E-Merge e Quadrilha da Arte.
Serviço:
Tucarena (288 lugares), Rua Monte Alegre, 1024, tels. 11 3670-8455/8454. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: sexta R$60, sábado e domingo R$70. Bilheteria: de terça a sábado das 14h às 20h; domingo das 14h às 19h. Duração: 90 min. Classificação: 16 anos. Temporada: até 29 de março (não haverá sessões no Carnaval).

 

 

 

 

 

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Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
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