Sismógrafo: romance de estreia do escritor mineiro Leonardo Piana

De em setembro 18, 2026

 

O premiado escritor mineiro Leonardo Piana é formado em Comunicações pela USP

 

 

Reconhecido pela crítica e pelo público, Sismógrafo, livro de estreia do escritor mineiro Leonardo Piana, foi lançado em 2022, recebeu o prêmio Cidade de Belo Horizonte e foi finalista em três outros prêmios — Jabuti, São Paulo de Literatura e Mix Literário. No entanto, com uma tiragem pequena, a obra logo se esgotou, mas a Autêntica Contemporânea acaba de lançar esta segunda edição.

 

 

Com uma linguagem repleta de mistérios e lacunas, a trama conta a história de amor entre dois adolescentes, Eduardo e Tomás, ambientada na pequena cidade mineira de Andradas, em meados da década de 1990. Sempre na primeira pessoa, o autor incita o leitor a descobrir o que se passou na vida daquele jovem que se apaixonou pelo amigo de escola e anos depois volta para a cidade para tentar reconstruir seus laços afetivos.

 

 

 Piana é autor de dois romances e do livro de poemas Escalar cansa

 

 

 

 

Nascido em Andradas/MG em 1992, Leonardo Piana Jordão Ribeiro é formado em Comunicações pela USP (Universidade de São Paulo); hoje mora em sua cidade natal e é servidor público. Poeta e romancista, Leonardo em 2025 lançou duas obras, ambas premiadas: o romance Tarde no planeta (Prêmio Cidade de Belo Horizonte) e o livro de poemas Escalar cansa, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, categoria poesia. Sismógrafo, sua obra de estreia, também foi premiada com o Cidade de Belo Horizonte, além de ter sido finalista nos prêmios Jabuti, São Paulo de Literatura e Mix Literário e seus direitos foram vendidos para adaptação cinematográfica.

 

 

 

 

 

 

 

A definição literal de sismógrafo — instrumento que mede a intensidade das oscilações produzidas pelos tremores de terra — é utilizada pelo autor no título de seu livro como uma metáfora. Sismógrafo, para Piana, mede cataclismos íntimos do personagem. Logo nas primeiras páginas o leitor fica diante de um jovem que recolhe fotos de sua adolescência e se despede do apartamento em São Paulo para voltar à sua cidade natal. É para lá, em Andradas, que Eduardo volta na tentativa de contar a sua história — de amor e de dor —, de recontar para si mesmo o que viveu em meados dos anos 1990 ao lado de Tomás e de sua fiel escudeira, Clara.

Constituído de um pequeno prólogo e três partes, cada uma delas com capítulos curtos, o livro é narrado sempre na primeira pessoa. A trama é um verdadeiro labirinto, com idas e vindas no tempo, o que obriga o leitor a ir montando o quebra cabeça sobre o destino de Eduardo. E nesta construção, o leitor também precisa ficar atento, pois nada é dito de forma direta: na maioria das vezes tudo se passa no mundo interior do personagem, tanto do jovem Edu, como na criança que ele foi. O jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto define com precisão a obra:

 

 

 

“A história de um amor cujo desenlace obscuro fica impresso na película fotográfica da memória não apenas do narrador, mas também do leitor, como uma ausência que põe a narrativa em marcha ao ritmo de um road movie afetivo, um vazio que anima esse enredo de retorno às origens de traumas e desejos.”

 

 

 

Uma característica da narrativa de Piana é a construção de diálogos de forma não convencional:

 

 

 

“A mãe parece surpresa ao me ver chegar, está tudo bem, filhote? Está, só quis trazer alguma coisa pra você comer. Imagina, ela diz, como quem realmente não imaginasse, você é o melhor filho do mundo. E eu repito imagina, na tentativa de inverter o pouco que seja da relação restante entre nós dois.”

 

 

 

O amor entre Eduardo e Tomás é construído de maneira natural, por mais que a trama se passe numa cidadezinha do interior do país, nos anos 1990. A primeira relação é descrita poeticamente:

 

 

 

“A mão feito uma correnteza contra meu rosto quando o braço foi enlaçado ao meu peito, a dureza dele contra minhas costas era um oceano inteiro como eu nunca tinha visto, que eu nunca tinha sentido sobre mim, violento e sem jeito, era à dor de um oceano interminável a que eu cedia, à saliva, sem ar, era eu que em silêncio me afogava, entregue ao mar, era eu quem não sabia nadar.”

 

 

Entretanto, o personagem também relembra cenas de preconceito, homofobia e bullying, que o marcaram profundamente No desfecho do livro, ao deixar Andradas, Eduardo vê um menino muito jovem que também sofre agressões de outros garotos. Ele tenta ajudá-lo, mas como uma forma de reparação, promete:

 

 

 

“Quero poder dizer algo a ele, quero um dia poder escrever algo para todos esses meninos sobre estar aqui, registrar a imagem imperfeita disto, eles saberão: eu também sinto.”

 

 

 

 

 

Ficha técnica:
Título: Sismógrafo
Autor: Leonardo Piana
Editora: Autêntica Contemporânea, 224 pgs
Preço : R$ 64,90

 

 

 

 

 

 

Fotos: divulgação

2 Comentários

Adriana Bifulco

setembro 21, 2026 @ 13:46

Resposta

Que relação interessante entre o nome do livro com as sensações vividas pelo personagem!! E também quanta intensidade na relação vivida por ele e o namorado. Com certeza, é uma história marcante, daquelas que nos fazem ter dificuldade de “desapegar”, mesmo quando começamos a ler outro livro. Obrigada por mais uma resenha impecável, querido.

Maurício Mellone

setembro 21, 2026 @ 15:10

Resposta

Adriana:
Tenho certeza q vc irá amar conhecer ‘os abalos íntimos’ do Eduardo, personagem/narrador
da obra do Piana.
Beijos e muito obrigado por sua constante presença aqui no FAVO!

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