Nise da Silveira- Senhora das Imagens agora em São Paulo

De em fevereiro 2, 2012

Mariana Terra vive no palco a médica Nise da Silveira, dos 20 aos 94 anos

Ao entrar na sala do Teatro Eva Herz, o público já é envolto no clima do espetáculo Nise da Silveira- Senhora das Imagens. Quase na penumbra, as pessoas procuram seus assentos enquanto a atriz Mariana Terra está na plateia pintando quadros, numa referência direta aos trabalhos dos pacientes do hospício em que a médica Nise da Silveira trabalhou no Rio, nos meados do século XX. Com seu método revolucionário — implantou ateliês de pintura no tratamento da esquizofrenia em oposição à terapia de eletrochoque — Nise fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, que está completando 60 anos e foi o mote para a montagem.
Com passagens por Brasília, Alagoas, Espírito Santo e de grande sucesso no Rio, Nise da Silveira- Senhora das Imagens estreou nesta semana na cidade. Após breve rito budista entre diretor e atriz (a troca de energia para que tudo saia como o previsto), ouve-se em off a voz do inconsciente, interpretada por Carlos Vereza (também dá voz ao psicanalista Carl Jung), que anuncia: “Vai Mariana, pega o cajado, legado de teu pai, e dá vez a voz do coração”.

Com o cajado, a atriz dança coreografias de Ana Botafogo e trilha de João Carlos Assis Brasil

 

 

A atriz sobe ao palco para interpretar Nise da Silveira, dos 20 aos 94 anos, e mais uma surpresa: dança coreografias assinadas pela bailarina Ana Botafogo, que pela primeira vez executou este tipo de trabalho, sob a trilha sonora inédita do pianista João Carlos Assis Brasil.
Com a finalidade de homenagear a médica alagoana (1905-1999), o espetáculo faz um apanhado de sua trajetória, desde os tempos vividos ao lado dos pais nas Alagoas, passando por sua formação na Bahia e a decisão de se mudar para o Rio, onde com muita dificuldade — mesmo formada, passava mal ao ver sangue —aprofundou seus conhecimentos e estudos da alma humana e conseguiu trabalho Centro Psiquiátrico Pedro II, setor de Terapia Ocupacional. Com formação humanista, Nise se opunha aos métodos tradicionais de tratamento do hospício, o que lhe valeu até uma prisão durante a ditadura Vargas.

 

“A força daquela mulher  revolucionou a psiquiatria por meio da arte e de um processo mais humanitário de cura, de um olhar para o seu semelhante, que não fosse tão duro, tão científico, mas um olhar de amor e afeto ao próximo”, explica o diretor.

 

Em vídeo, o poeta Ferreira Gullar e o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa explicitam a importância de Nise da Silveira para a psiquiatria e a cultura brasileira. Mariana Terra é sem dúvida o grande destaque do espetáculo, graças ao vigor em dar vida a uma personalidade de tamanha grandeza e sua entrega visceral ao projeto. Destacaria ainda a sensível iluminação de Djalma Amaral e o cenário e figurino, assinados por Ronald Teixeira, muito bem afinados à concepção do espetáculo de Daniel Lobo.
Um único senão: mesmo com uma história de vida tão rica a ser contada, o espetáculo poderia ser mais enxuto e conciso para não desgastar ou cansar o público. Talvez por ter visto na estreia, alguns ajustes ainda acontecerão. Confira: a peça fica em cartaz até o final de março.

Fotos: Jackeline Nigri

Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
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28º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade

2 Comentários

Luiz Carlos Líbano

maio 5, 2012 @ 00:28

Resposta

Taí, Mau, um trabalho que ainda espero ver. Vi na madrugada de ontem, no programa do Jô, a atriz Mariana e me lembrei de sua resenha. Atiçou fogo na minha vontade de ver o espetáculo. Bela sugestão e bela resenha, querido. Muita imagem e vantagem (financeira) procê através dos já presentes ventos de maio.

Maurício Mellone

maio 9, 2012 @ 16:12

Resposta

Luiz:
obrigado pela força e que Deus o ouça qto aos ventos de maio e os bons fluidos!
E fico contente q vc tenha se lembrado da resenha ao assistir a entrevista da
atriz na TV!
Bjs

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