Peça: Querido Brahms, foto 1

Querido Brahms: o amor entre o casal Schumann e o jovem compositor

De em fevereiro 9, 2015

Peça: Querido Brahms, foto 1

Carolina Kasting e Werner Schünemann vivem o casal de compositores Clara e Robert Schumann

A peça de José Eduardo Vendramini, Querido Brahms, em cartaz no Teatro J.Safra, não só se passa em pleno século XIX como deve ser compreendida dentro dos padrões morais e de comportamento da época. A trama tem início com a chegada do jovem compositor Johannes Brahms (Olavo Cavalheiro) à residência do casal de músicos e compositores: Clara, interpretada por Carolina Kasting, quer ouvir a opinião do amigo sobre o que fazer com seu marido Robert, vivido por Werner Schünemann, que acabara de tentar o suicídio e mostra sinais de insanidade e loucura. Ela está indecisa se continua o tratamento em casa ou se aceita a recomendação médica de interná-lo num manicômio. Para a história da música, a relação entre os três é de extrema amizade e admiração e se houve um triângulo amoroso, não há registro que prove.

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A atriz encarna a pianista, que era admirada por Brahms (Olavo Cavalheiro)

O dramaturgo — que em sua carreira sempre se dividiu entre o teatro e a universidade — faz questão de ressaltar que sua peça é ficcional, mas tem como base a pesquisa:

“Costumo trabalhar com pesquisa, memória e invenção. Neste sentido, minha peça é uma fantasia ficcional elogiosa a partir daquele que é considerado o mais belo trio de amor, amizade e lealdade da história da música”, argumenta Eduardo Vendramini.

 

Se no início da trama há o encontro entre Clara e Brahms e o público pode conhecer o grau de afinidade entre os dois, assim como a fidelidade e admiração de ambos a Schumann, num segundo momento os dois homens trocam confidências profissionais e íntimas — inclusive da frequência deles a prostíbulos. É justamente na frente do amigo e discípulo que Robert fala de suas visões e de seu mundo interior fantasmagórico.

Peça: Querido Brahms, foto 3

Os atores são o mestre e o discípulo em trama de Eduardo Vendramini

Sob direção de Tadeu Aguiar, a montagem é fiel ao ritmo da época retratada e ao mesmo tempo consegue dissecar a dura realidade vivida pelos personagens. Num período em que a mulher era submissa e com a vida reclusa ao lar, Clara precisou romper tabus: com oito filhos e o marido com problemas de saúde — Robert depois da tentativa de suicídio solicitou para ser internado no manicômio, onde morreu dois anos depois, com apenas 46 anos — ela assumiu as obrigações da casa e com seus concertos manteve a família. Foi casada só 14 anos e morreu em 1896, aos 77 anos (quatro décadas depois do marido).
Sem dúvida, Querido Brahms, mesmo sendo um recorte da história (a trama está focada em 1854, quando Robert tentou o suicídio), é a chance para se conhecer um pouco mais sobre a vida dos famosos compositores da música clássica. Destaque para o cenário de J.C.Serroni, que mostra três níveis da mansão dos Schumann, e a trilha sonora, assinada pelo maestro Miguel Briamonte, que traz as obras dos três personagens. Por se tratar de um personagem tão denso e enigmático, fiquei impressionado com a interpretação visceral de Werner Schünemann. Confira, o espetáculo fica em cartaz até o fim de março.

 

 

 

Fotos: João Caldas

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