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Um Bonde Chamado Desejo: ousada montagem de um clássico dramatúrgico

De em junho 10, 2015

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Eduardo Moscovis e Maria Luisa Mendonça vivem os personagens centrais do clássico de Tennessee Williams

O que faz com que uma peça teatral se torne clássica? Sua temática universal, sua densidade dramática, um enredo envolvente, uma discussão relevante sobre a alma humana ou conter personagens de rica e conflituosa dramaticidade? Talvez o clássico contenha todos estes elementos e, por isso, merece sempre ser revisitado. É o caso de Um Bonde Chamado Desejo, do escritor e dramaturgo norte-americano Tennessee Williams, que acaba de estrear no Tucarena, na montagem ousada do jovem e premiado diretor Rafael Gomes, que também traduziu o texto.
Na pele da densa e enigmática Blanche Dubois — personagem que toda a atriz um dia deseja interpretar —, Maria Luisa Mendonça, que divide o palco com Eduardo Moscovis, que interpreta o rude e pragmático Stanley Kowalski, cunhado de Blance e casado com Stella, vivida por Virgínia Buckowski. Completam o elenco Donizeti Mazonas, Fabricio Licursi, Fernanda Castello Branco e Matheus Martins, que permanecem em cena durante todo o espetáculo dando vida a seus personagens e também movimentam elementos do cenário, ajudam na iluminação e na troca de figurino. O embate entre o sonho e a realidade, a fantasia e o comezinho cotidiano é o cerne deste texto, que se mostra extremamente atual, atingindo a todos.

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Maria Luisa interpreta a atormentada Blanche Dubois



Rafael Gomes e sua equipe criaram o espetáculo especialmente para as dimensões e características do Tucarena: no centro do palco redondo (cercado pela plateia) há um trilho que circula um grande módulo retangular, formado por bancos, e mesas (usados e montados à medida que as cenas acontecem). A entrada triunfal de Blanche Dubois é por este trilho: a sonhadora (e decadente) senhora chega para se hospedar na humilde casa da irmã, que está grávida e vive muito bem com o marido. Ela desdenha da situação de vida de Stella e entra em conflito ferrenho com o cunhado, um rude trabalhador que não se conforma com o estilo requintado de Blanche. No entanto, logo vem à tona a verdadeira razão da inusitada visita: Stanley descobre que a cunhada perdeu a propriedade da família, está na miséria e, para piorar, sua reputação também está em ruína, o que a bela senhora não só omite como faz questão de esconder. O mundo de fantasia e sonhos criado por Blanche evidentemente entra em atrito com a crua e dura realidade do dia a dia vivida por Stella e Stanley.
No programa, o diretor se pergunta por que montar em 2015 Um Bonde Chamado Desejo, peça escrita e encenada pela primeira vez em 1947. E ele mesmo responde:

 

“Para fazer este trabalho dialogar com o mundo e as circunstâncias que vivemos hoje, injetando algum sangue — o nosso sangue, fazendo-o transbordar — nesse texto tão bonito e tão preciso e tão dilacerante e tão vital”, diz Rafael Gomes.

 

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Virgínia Buckowski (Stella) contracena com Maria Luisa e Moscovis

 

Com previsão inicial de temporada curta (só até o início de agosto), Um Bonde Chamado Desejo se destaca pela concepção cênica ousada e moderna impressa pelo diretor, os cenários criativos e muito bem adaptados ao teatro de André Cortez, a iluminação de Wagner Antônio e os lindos figurinos de Fause Haten. Maria Luisa com sua delicadeza e olhar enigmático mostra todas as nuances da complexa Blanche Dubois e Du Moscovis constrói com verossimilhança o bronco e realista Stanley. Um clássico revisitado com o olhar contemporâneo. Confira!


 

 

Fotos: João Caldas


Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
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