Como esquecer

De em outubro 22, 2010

Ana Paula, Murilo e Natália em cena do filme

Num site de divulgação do filme Como esquecer, da diretora Malu De Martino, há uma promoção para a melhor resposta a uma indagação proposta no filme: qual oposto do amor? Em off, a personagem central Júlia, vivida por Ana Paula Arosio, logo adianta que ódio seria uma resposta muito óbvia. Esta questão me mobilizou durante a exibição. Tanto pelo drama vivido por Júlia como pela minha própria experiência de vida, tenho a impressão que o oposto do amor é a solidão, a dor e em muitas vezes a depressão!
Esse tom cinzento, sombrio e sofrido é o que caracteriza Como esquecer — uma adaptação da história autobiográfica de Myriam Campello— que poderia ser definido como o drama da perda. Júlia, uma professora universitária de literatura inglesa, se vê abandonada após longa relação com Antonia. Seu melhor amigo, o ator Hugo, interpretado por Murilo Rosa, tem o temperamento oposto — é otimista, alegre e amoroso—, mas também convive com a dor da perda recente de seu namorado. Para fechar o círculo, Lisa, papel de Natália Lage, separou-se do namorado. Como solução para a vida dos três, Hugo propõe que passem a dividir uma casa, num ambiente próximo à natureza. Depois de muito resistir, Júlia aceita o convite e eles se mudam para Mangaratiba, cidade litorânea e próxima do Rio.
O fio condutor do filme é dado pelo olhar e pela voz em off de Júlia. Os conflitos internos, a luta por refazer sua vida amorosa, o vazio com o fim do amor. Júlia em vários momentos funde sua realidade sofrida com os dramas da literatura, alvo de sua carreira universitária. As cenas em que ela aparece numa alusão ao mundo descrito e vivido por Virginia Woolf são encantadoras e tocantes!
No entanto, o roteiro, assinado por uma equipe de seis pessoas e que teve a versão final de José Carvalho, traz luz e brisa, para aliviar tanta dor! Hugo é o que incentiva a amiga e está aberto ao amor, pronto para voltar a ser feliz! Mas o que realmente mexe com a tristonha Júlia é Helena, prima de Lisa, artista plástica, que está de volta ao Brasil depois de uma temporada em Paris. Mesmo já tendo passado por dissabores, Helena provoca a professora, justamente por ser doce, alegre e de bem com a vida.
Em entrevista de lançamento do filme, a diretora confessa ter tido problemas de produção por tratar de temática LGBT: “Ainda há resistência em associar produtos e marcas a esse universo. Por outro lado, há muitas empresas e instituições que concedem benefícios aos casais homoafetivos e foi por meio delas que conseguimos realizar o filme, que não é panfletário e não há nenhum conflito relacionado à sexualidade dos personagens. Mas confesso que trazer para o trato comum a imagem de duas mulheres andando de mãos dadas ou dois homens se beijando me agrada muito. Espero contribuir de alguma forma para o fim da homofobia”.
Para finalizar com uma resposta mais definitiva para o oposto do amor, diria que é o medo de amar. E o antídoto desse sentimento é exatamente o proposto pelos personagens Hugo e Helena: estar aberto e receptivo ao amor!


6 Comentários

Rico

outubro 29, 2010 @ 00:51

Resposta

Vi o filme ontem…gostei muito, é cinzento como vc disse, traz muitas coisas a lembrança. A parte do sofrimento fisico para aliviar o sofrimento psicologico é muito forte, já senti essa necessidade apesar de nao ter cedido da mesma forma. a atuação dela esta otima. as musicas, elis no começo e k.d. lang no final…
boa dica mesmo!
bjo

Maurício Mellone

outubro 29, 2010 @ 11:31

Resposta

Rico:
que maravilha saber que o filme te tocou
também, como a mim! Que atire a primeira
pedra quem não sofreu a perda do amor!
bjs

Fabrizio

outubro 26, 2010 @ 18:33

Resposta

como falamos, o amor não é cartesiano e está onde menos se espera…todos passamos por uma ou duas ou três situaçoes como essa na vida….mas o filme traz um alento, uma brisa para a vida tao dura que nos é imposta…principalmente numa cidade como sp (outras divagaçoes)…mas adorei a dica!

bjs

Maurício Mellone

outubro 26, 2010 @ 18:37

Resposta

Fabrízio:
O filme, mesmo tratando de temas densos e sofridos,
traz brisas e luzes! Precisamos aproveitar
a luz e a brisa para vivenciar o amor!
Obrigado pela visita e apareça sempre!
bjs

Dinah

outubro 25, 2010 @ 19:18

Resposta

Maurício,
Comentamos rapidamente sobre o filme na semana passada, mas ainda não fui assistir. De todo modo, como vc ‘cutucou’ pelo FB, resolvi pensar na questão proposta pelo filme e que te mobilizou: qual o oposto do amor?
Talvez seja a indiferença. O amor pluga e atrai, a indiferença naõ tem sentido algum, é vazia e sem emoção.
Se puder ver o filme, volto a tocar no assunto.
um beijo,
Dinah

Maurício Mellone

outubro 26, 2010 @ 15:10

Resposta

Dinah:
Realmente a indiferença não tem nada de amorosa!
Continuemos o papo depois de vc assistir Como Esquecer.
bjs

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