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Brasil: o futuro que nunca chega— espetáculos reveem história do país

De em junho 16, 2016

Peça: 'Brasil: o futuro que nunca chega, foto 1

Rogério Brito, Janette Santiago, Gabriela Flores e Helio Cicero protagonizam peça sobre a Princesa Isabel

Com praticamente o mesmo elenco da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou, duas peças escritas e dirigidas por Samir Yazbek são apresentadas em dias alternados no SESC Consolação e propõem uma reflexão sobre o racismo no Brasil, desde o Império até os nossos dias.
Em Brasil: o futuro que nunca chega – Princesa Isabel a trama se passa exatamente no dia em que a filha do imperador assina a Lei Áurea que libertou os escravos. No entanto, Isabel, vivida por Gabriela Flores, é questionada por José, um escravo alforriado interpretado por Rogério Brito, sobre as condições de desamparo dos negros depois da escravidão e como será a integração deles à sociedade. Já em Brasil: o futuro que nunca chega – D.Pedro II a trama acontece nos dias atuais com um repórter de TV, interpretado por Eduardo Mossri, se indagando sobre o racismo e a intolerância da sociedade brasileira contemporânea, tendo como foco a visita de D. Pedro II, vivido por Helio Cicero, ao Líbano em 1876.

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Henrique Zanoni, Cicero, Eduardo Mossri, Gabriela e Rogério estão em D. Pedro II

A abertura do espetáculo que se passa no dia 13 de maio de 1888 é com a atriz Janette Santiago, que interpreta a mãe já falecida de José, o escravo alforriado, apresentando uma coreografia afro de grande impacto. A sequência é com a Princesa Isabel ansiosa com os rumores sobre a Lei Áurea que ela irá assinar naquele dia. O embate se dá com ela e seu marido, o Conde d’Eu (Cicero), que tenta dissuadi-la da ideia, dizendo que ao assinar a lei, o império estará com os dias contados. No entanto, Isabel é questionada veementemente por José, que aponta as relações promíscuas entre o Império e os grandes latifundiários e como os negros serão totalmente abandonados e não terão condições reais de integração à sociedade após a escravidão.

Já a outra peça traz a discussão para os dias atuais, refletindo sobre o racismo, a intolerância e as diferenças que foram dadas para as comunidades de imigrantes e negadas aos africanos, que foram trazidos de forma violenta ao país e depois escravizados. O mote é a visita de D. Pedro II ao Líbano e tudo é apresentado pela ótica do repórter de origem libanesa, que conduz a trama e é questionado pelo cinegrafista (Rogério Brito), que reforça as condições injustas impostas aos negros desde que chegaram ao Brasil.

 

“Inspiradas na passagem do Império à República, as duas peças examinam como as estruturas políticas e sociais que determinaram a escravidão no país são as mesmas responsáveis, no século XXI, pela desigualdade social brasileira”, argumenta o autor e diretor Samir Yazbek.

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Interpretação comovente de Janette e Rogério

 

O projeto de Yazbek ganha importância pelo caráter educativo de rever momentos cruciais da história brasileira, principalmente num momento em que o mundo passa por grandes movimentos migratórios, com refugiados buscando abrigos em países longínquos e tendo de lidar com todo o tipo de preconceito e intolerância. Além do vigor da dramaturgia, outros destaques do projeto Brasil: o futuro que nunca chega são os cenários criativos de André Cortez (principalmente em D. Pedro II, com a estrutura móvel contribuindo para o jogo cênico de passagem do tempo), e as emocionantes interpretações de Rogério Brito, Janette Santiago (que também assina a preparação corporal), Eduardo Mossri e Helio Cicero, que divide a direção com Yazbek.

 

 

 

Fotos: Heloísa Bortz


2 Comentários

Eduardo Mossri

junho 26, 2016 @ 14:45

Resposta

Um olhar sensível e preciso sobre o trabalho.
Boas palavras

Maurício Mellone

junho 27, 2016 @ 10:36

Resposta

Eduardo,
fico feliz que vc tenha gostado
da resenha sobre o projeto do Samir Yazbek,
que reflete sobre a história do Brasil.
Parabéns por sua atuação e muito obrigado
por seu comentário e incentivo ao Favo.
abrs

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