Filme: Eles Voltam, foto 1

Eles Voltam: filme traz choque de realidade de garota de classe média

De em março 19, 2014

Filme: Eles Voltam, foto 1

Maria Luiza Tavares conduz o filme e foi a melhor atriz no Festival de Brasília 2012

A safra do cinema produzido em Pernambuco continua fértil! Eles Voltam, filme de Marcelo Lordello — diretor brasiliense mas que mora em Recife — é mais uma prova desta vitalidade. Depois de ter participado de festivais nos Estados Unidos, Europa e Ásia (com críticas elogiosas nos jornais, inclusive no New York Times), o filme — que recebeu dois prêmios no Festival de Brasília de 2012, melhor filme e melhor atriz para Maria Luiza Tavares — acaba de estrear em diversas salas de exibição pelo Brasil.
A trama tem início com um plano bem aberto de uma estrada; de longe o espectador vê que um carro para, alguém desce e em seguida o automóvel continua viagem. Sem saber do que se trata, a câmera se aproxima e dois jovens estão brigando por um celular: Cristiane de 12 anos, interpretada por Maria Luiza, e Peu (Georgio Kokkosi), seu irmão mais velho, foram deixados pelos pais na estrada como castigo. Aos poucos eles percebem que não era brincadeira e se veem abandonados (a mudança de atitude entre eles é sutil, mas fica evidente que a partir daí eles dependem um do outro para sobreviver). Peu resolve procurar um posto de gasolina e ordena que Cris fique no mesmo local caso os pais voltem para buscá-los. A garota resiste no início, mas concorda; as horas passam e só no dia seguinte ela arrisca a procurar ajuda. O filme passa a acompanhar a menina, que se depara com uma realidade totalmente oposta à que conhece até então.

Filme: Eles Voltam, foto 2

Líder dos sem terra ajuda a garota a voltar pra casa

O primeiro contato externo de Cris é com um garoto que passa de bicicleta e que, depois de muito insistir, consegue convencê-la a ir até sua casa, que fica num assentamento de sem terra, próximo da estrada. Sem titubear, a mãe do garoto oferece o pouco que eles têm para Cris se alimentar (esta sequência me emocionou, pois revela a cordialidade e a solidariedade humana tão presente nas pessoas humildes e sem posses). Depois de comer e dormir, Cris é ciceroneada pela garotinha da casa, enquanto os adultos resolvem o que fazer com ela. Uma líder do grupo, que mora na cidade próxima, assume a responsabilidade de levar a garota até as autoridades policiais. Como o posto está às moscas, a senhora é obrigada a levá-la até sua casa. Mais um choque de realidade, Cris tem de tomar banho de canequinha e, pior, precisa aprender a trabalhar: a senhora faz faxina numa casa de grã-finos, à beira mar, e leva a filha e a garota para ajudá-la. No final do dia, já anoitecendo, elas estão voltando pra casa e Cris se distancia; ela para e entra numa casa luxuosa, que está vazia. Mais uma surpresa para o espectador: aquela casa é a dos pais de Cris! A menina ouve barulho na piscina do vizinho e a moça reconhece Cris.
De volta pra casa, Cris é recebida pelos avós e sabe o porquê do abandono.  Ao retomar a rotina, Cris está modificada e o público constata que houve um crescimento interior profundo na personagem. Isto fica evidente no primeiro diálogo entre Cris e Peu depois da volta da garota.

Filme: Eles Voltam, foto 3

Cartaz do filme dirigido por Marcelo Lordello, que também assina o roteiro

 

Com poucos diálogos e com a câmera muito próxima da protagonista (recurso que provoca cumplicidade com o espectador), Eles Voltam se destaca pela sutileza com que temas profundos são tratados — a diferença de classes sociais, a crítica ao modo de vida pequeno burguês e o choque cultural —, e como tudo isto provoca uma mudança no modo de vida da garota.
Imperdível!

 

 

 

Fotos: divulgação

Uba
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