Grupo teatral Luna Lunera representa o país no México

De em setembro 13, 2010

aqueles dos, em apresentação no3º Encuentro de Criadores Teatrales Independientes

Cláudio Dias na frente do Teatro, no México

Caio Fernando Abreu no palco com o conto aqueles dois já é uma realidade que a Companhia mineira Luna Lunera apresenta pelo Brasil há mais de dois anos. Mas a versão em espanhol desse espetáculo — que já esteve em São Paulo por duas vezes, a mais recente no mês passado — foi apresentada no México, na cidade de Querétaro, dentro do 3º Encuentro de Criadores Teatrales Independientes, em agosto último.
Às vésperas de comemorar 10 anos de existência em 2011, a Companhia mineira foi a única representante do Brasil nesse evento mexicano. O ator Cláudio Dias, em entrevista exclusiva, conta sobre o encontro e a experiência única dessa interação entre os grupos latino-americanos.

Favo do Mellone– Como surgiu o convite para a Cia Luna Lunera participar do evento no México?

Cláudio Dias– Pra falar do 3O Encuentro de Criadores Teatrales Independientes, na cidade de Querétaro, é preciso contar como nossa Cia. Luna Lunera conheceu a Cia. mexicana Luna Avante, no Chile em 2005. Estávamos em Puerto Montt para apresentar a peça Nessa Data Querida, em espanhol, quando conhecemos os integrantes da Luna Avante. Eles estavam apresentando o espetáculo O Mercados de Veneza. Houve uma identificação imediata, primeiro pelo nome dos grupos; depois uma afinidade pessoal e uma identificação artística entre nós. Em 2008, os meninos da Luna Avante nos convidaram para participar de um coletivo artístico, chamado Teatropéia, juntamente com a Cia. La Jarra Azul (Barcelona/Espanha) e os grupos mexicanos Conjuro Teatro e Lagartijas Tiradas al Sol. Os cinco grupos criaram o site www.teatropeia.org para troca de experiências, intercâmbios.

FM- O encontro nasceu dessa interação entre os grupos?
CD- Essa é a terceira edição do Encuentro e nesse ano participaram grupos do México, um da Argentina, um da Espanha e nós pelo Brasil.
FM- Como é a estrutura do evento?
CD- O Encontro na verdade é uma mostra de espetáculos em que cada grupo ou cia. realiza uma apresentação. No caso dos membros da Teatropéia, realizamos a nossa 1a reunião presencial, onde discutimos como estimular outros encontros e novos projetos do coletivo.
FM- Como foi a preparação para se apresentar em espanhol? Houve muita dificuldade para a tradução e ensaios em espanhol?
CD- Em 2003 apresentamos “Perdoa-me por me Traíres”, texto de Nelson Rodrigues, nas cidades de Puerto Montt, Valdívia e Santiago no Chile, em português. Em 2005 fomos convidados pelo Festival Chileno, que nos pediu outro espetáculo, só que em espanhol. Realizamos, então, a tradução e os estudos para fazer “Nesta Data Querida”, que lá se chamou “Cumpleaños Feliz”.
Quando surgiu o convite para o México, pensamos logo no espetáculo “Aqueles Dois”, em espanhol. Na verdade a diferença dos dois projetos foi o volume de texto, que agora era bem maior e com isso aumentava nosso desafio. Foram duas semanas em BH de trabalho intenso. Realizamos uma primeira tradução, que serviu de base para a tradução do professor e teatrólogo venezuelano Richard Santana, que adaptou o texto do Caio Fernando para a realidade local e fez uma preparação dos atores focando nas pronúncias e intenções corretas. Texto decorado, ensaiamos com a movimentação; antes de viajar, realizamos um ensaio aberto em Belo Horizonte que foi fundamental para a apresentação no México.
FM- Qual a reação do público mexicano com a obra do Caio Fernando Abreu?
CD- Apresentamos no dia 18 de agosto “Aquellos dos”. A platéia ficou emocionada e aplaudiu efusivamente ao final.
Nos outros dias que ficamos na cidade, fomos abordados por muitos espectadores, que diziam estar emocionados com a obra do Caio, com a delicadeza com que tratamos determinados temas, com o trabalho corporal, com a entrega dos atores e com o nosso esforço de fazer o espetáculo na língua deles!
FM- Do ponto de vista pessoal, como você avalia o encontro entre grupos teatrais de vários países?
CD- Fomos em sete pessoas para o México. A maior parte do grupo esteve lá e vivenciou todo o processo. Os mexicanos, sobretudo os artistas mexicanos, são extremamente carinhosos e afetivos. São pessoas que se emocionam facilmente, demonstraram muito carinho e admiração pelo nosso trabalho. Eles têm também uma relação próxima com a música do Brasil e um carinho muito grande com a nossa cultura.
Foi importante estar lá, conhecer uma cultura milenar, uma história fantástica que é anterior à descoberta da América. Um povo com uma gastronomia original e peculiar. Uma gastronomia que não foi abolida pelo conquistador europeu.
Foi bom também conhecer o teatro que se faz por lá. Um teatro que me pareceu muito político e até com uma proposta revolucionária, que pretende transformar a condição das pessoas.
FM- Para concluir: Luna Lunera ainda participa do Palco Giratório/2010 do Sesc? Quais os próximos planos?
CD- Estivemos no Rio no início do ano, com patrocínio do CCBB. Depois o projeto do Sesc, com apresentações em São Luiz, Fortaleza, Mossoró, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Cuiabá, Mato Grosso do Sul e Brasília. Estamos em Santa Catarina e temos ainda Porto Velho (Rondônia), a mostra Cariri (no Ceará) e novamente no Rio.
Fazemos ainda algumas apresentações em Minas, dentro de um projeto do grupo que se chama Expedição Lunar, patrocinado pela Usiminas. Terminamos o ano com uma curta temporada em BH, depois de percorrer quase todo o país e o México. O público mineiro está pedindo nosso retorno! São quase dois anos que não fazemos espetáculo por lá.
Para 2011, as atividades serão intensas também, para comemorarmos os10 anos da Cia. Luna Lunera.

Vida longa para essa companhia, tão criativa e talentosa!


2 Comentários

Adriano

setembro 14, 2010 @ 17:33

Resposta

Muito boa a entrevista…
Gostaría de saber mais sobre o espetáculo em si…de que se trata…enfim.

Posso dizer que amo o México e fico muito feliz de haver brasileiros interagindo com esse povo tão irmão…

Espero poder conferir algum dia o esperáculo.

Muchisimos besos a todos los del grupo…les deseo lo mejor…

Arriba Brasil y Mexico por siempre…Los quiero!

Maurício Mellone

setembro 14, 2010 @ 19:19

Resposta

Aqueles dois é um conto do escritor Caio Fernando Abreu que foi adaptado
pela cia Luna Lunera e há mais de dois anos percorre todo o país.
Já estiveram em 2008 no Sesc Paulista e em agosto no Sesc Ipiranga e Sesc Sto André.
A turnê continua.
Sobre o conto/peça, é a história de dois rapazes q começam a trabalhar
numa repartição e eles ficam muito próximos; isso provoca a inveja e a intolerância
no ambiente, até…. melhor vc ler o lindo e apaixonante conto.
bjs

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