Esther Góes dirige primeira montagem paulistana de A Coleção, de Harold Pinter

De em março 20, 2012

Marcelo Szpektor, Marcos Suchara, Amazyles de Almeida e Ariel Borghi vivem os casais em conflito

O instigante texto de Harold Pinter, A Coleção, em cartaz no Teatro Grande Otelo, é encenado pela primeira vez em São Paulo pelas mãos da atriz Esther Góes. O enredo se passa na década de 60 e mostra a relação recheada de atritos e mistérios entre dois casais, que moram no mesmo bairro. De um lado estão James e Stella (vividos por Ariel e Amazyles) que são donos de uma bem-sucedida grife e, de outro, o aristocrata Harry (Suchara) que vive com Bill (Szpektor), um estilista dez anos mais novo. Para mostrarem suas novas coleções, Stella e Bill participam numa cidade vizinha de uma feira de moda e se conhecem no hotel. O que acontece entre eles é o mote de toda a peça: Pinter faz o jogo de mostra e esconde e a plateia precisa ir montando o quebra-cabeça, tanto do que ocorreu entre os dois estilistas durante o evento de moda como da relação que se estabelece entre os quatro personagens.
O cenário é dividido em duas partes, de um lado o sofisticado apartamento de James e Stella e de outro o sobrado dos rapazes. Entre os dois ambientes uma cabine telefônica, que funciona quase como outro personagem, já que é por meio dela que há a comunicação entre os casais. Lembre-se: na época não existia aparelho de telefonia móvel, os corriqueiros celulares de hoje.

James e Stella são proprietários de uma grife bem-sucedida

 

Casados, Harry e Bill entram em atrito quando conhecem James e Stella

O texto de Harold Pinter a princípio parece naturalista e factual, mas à medida que as cenas se desenrolam, os mistérios surgem e as dúvidas não só permeiam as cabeças e corações dos prováveis cônjuges traídos como de toda a plateia. Stella e Bill tiveram um tórrido caso amoroso ou tudo não passou de mero encontro entre dois profissionais da área? James procura Bill com a intenção de evidenciar sua ira pela traição da esposa ou também sente-se atraído pelo charmoso estilista? E Harry sofre pela traição do amado ou se aproxima de Stella por ter ficado encantado com a beleza da jovem?
Para a diretora, em A Coleção o autor “explora o absurdo para refletir a realidade. Não lhe interessa teorizar, mas colocar em cena a verdade do ser humano, sem retoques. Ele não propõe soluções, mas investiga às claras. E neste texto, Pinter expressa a complexidade do mundo atual e encoraja o espectador a ir além, para encontrar a realidade que inclui o lado desconhecido da nossa natureza e nos surpreende com outra imagem, de nós mesmos e dos outros, inesperadamente”, analisa Esther Góes.
O espetáculo acaba de estrear e permanece em cartaz até meados de junho no Teatro Grande Otelo, este sim merece minha crítica. Louvável que o Liceu Coração de Jesus tenha aberto seu teatro para a cidade, no entanto a sala não recebeu as devidas adaptações para receber o grande público. As cadeiras da plateia ficam no mesmo plano e o palco não é tão alto: assim a chance da pessoa não conseguir enxergar tudo o que se passa no palco é muito grande. Lamentável para um teatro que acaba de ser entregue à população!

Fotos: Arnaldo Torres


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