Filme No com Gael García Bernal

Gael García Bernal protagoniza filme chileno No sobre plebiscito de 1988

De em janeiro 2, 2013

Filme No com Gael García Bernal

O ator Gael García Bernal interpreta o publicitário René Saavedra, que criou a campanha contra a ditadura Pinochet, no Chile em 1988

Não poderia iniciar o primeiro post de 2013 sem antes desejar um ano de muita paz, serenidade e amor a todos os meus leitores aqui do Favo!
Que o nosso ano seja de muita SORTE e arte; da minha parte, prometo manter este blog sempre com novidades sobre a produção cultural da nossa cidade, dando dicas e sugestões sobre o que de melhor é apresentado por aqui.
E é dentro desta premissa que faço minha primeira indicação cinematográfica de 2013: depois de ter sido premiado na quinzena dos realizadores em Cannes/12 e na Mostra Internacional de São Paulo, No, do diretor chileno Pablo Larraín, acaba de estrear na cidade. O filme traz como protagonista o ator Gael García Bernal, que vive o publicitário René Saavedra que acaba de voltar ao Chile e é convidado a criar a campanha pelo Não do plebiscito que o ditador Augusto Pinochet foi pressionado pela comunidade internacional a convocar, em 1988.

Filme No, foto 2

Cartaz do filme dirigido por PabloLarraín

Seguro da vitória, o ditador convocou o plebiscito com a intenção de manter-se no poder. Nem de longe Pinochet esperava que a população se engajasse na campanha e que os resultados da votação colocasse um fim na violenta ditadura do país.
Com roteiro de Pedro Peirano inspirado na peça teatral El Plebiscito de Antonio Skármeta, o diretor Pablo Larraín centra o filme nas ações do grupo de esquerda que organizou a campanha pelo não. Mesmo com divergências e oposições entre a liderança de esquerda, o publicitário René convence a maioria que o tom da campanha publicitária necessitava ser mais leve, otimista e moderna para trazer a grande maioria da população a participar do movimento. Apesar de poucos recursos e, principalmente, com a truculenta vigilância dos agentes governamentais, a campanha pelo não ganhou as ruas e mobilizou a população. Se no início poucos acreditavam que a vitória poderia acontecer (era necessário romper até a resistência interna das pessoas dispostas a votar contra a ditadura), aos poucos o No recebeu adeptos de artistas, intelectuais, estudantes e o movimento cresceu; a direita e o governo tentaram reverter a situação, tanto que o publicitário Lucho Guzmán (Alfredo Castro) — patrão de René — foi convocado para a campanha pelo sim. Mas já era tarde.

Filme No, foto 3

O olhar expressivo de Gael García Bernal emociona o espectador

O grande destaque de No é sem dúvida a atuação de Gael García Bernal: com um olhar expressivo, o ator passa ao espectador a tensão vivida pelo cidadão comum que vivia sob a ditadura militar chilena. Além de ser filho de ex-militante político, René está separado da mulher (interpretada por Antonia Zegers), uma militante que promove ações contra a ditadura, e precisa cuidar do filho pequeno. A incompreensão do personagem diante de tanta violência fica evidente só pelo olhar do ator! Numa declaração quando da estreia do filme, o diretor é enfático:

 

“Eu era criança nos anos 80. O filme retrata esse imaginário sujo que eu e outras pessoas ainda têm dessa época, uma memória cheia de dor”, explica Pablo Larraín.

 

Filme No, foto 4

René (Gael) precisa cuidar da campanha política e ao mesmo tempo do filho menor

No é o candidato do Chile ao Oscar de filme estrangeiro, assim como o brasileiro O Palhaço de Selton Mello e do argentino Infância Clandestina. Em breve saberemos qual destes latino-americanos estará na festa da Academia de Cinema dos EUA.

Fotos: divulgação


2 Comentários

Imad

janeiro 3, 2013 @ 22:07

Resposta

Oi, Mau! Um grande ano pra você! Mais uma grande dica de cinema, meu amigo. Acabei de assistir. O Gael, como sempre, foi uma boa escolha pro filme. E gostei de como mostraram a democracia como um produto publicitário a ser vendido para as massas. Em vez de um discurso de agonia, já que se tratava de uma ditadura, os publicitários da campanha do “No” optaram pela alegria para conquistar os votos do povo. Abraços!!!

Maurício Mellone

janeiro 4, 2013 @ 15:08

Resposta

Imad:
Com o distanciamento que o tempo nos proporciona,
é muito interessante olhar para a história do nosso vizinho
sul-americano, que sofreu tanto quanto nós uma ditadura violenta!
Aqui optamos pela campanha das diretas, com a maciça participação popular.
Depois vieram os movimentos para derrubada do corrupto de Alagoas e também
ganhamos as ruas, assim como no Chile.
Filme emocionante e reflexivo.
Obrigado por sua visita — constante — e seus comentários lúcidos e inteligentes!
bjs

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