Peça: Macunaíma- uma rapsódia musical, foto 1

Macunaíma – uma rapsódia musical: Bia Lessa revê obra modernista

De em julho 23, 2019

Peça: Macunaíma- uma rapsódia musical, foto 1

Elenco de 14 atores da Cia Barca dos Corações Partidos

A obra prima da literatura brasileira e marco do modernismo, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, do escritor Mário de Andrade, ganha nova versão teatral pelas mãos da diretora Bia Lessa e da Cia Barca dos Corações Partidos. Depois de estrear em Belo Horizonte/MG, Macunaíma – uma rapsódia musical acaba de chegar à cidade, no Sesc Vila Mariana, e, por feliz coincidência, no teatro que leva o nome do diretor Antunes Filho, que protagonizou a antológica montagem teatral da obra de Mário de Andrade em 1978 e depois remontada nos anos 1980.

 

Com produção de Andréa Alves, adaptação de Veronica Stigger e com 14 atores em cena, o espetáculo propõe uma reflexão sobre a vida contemporânea e o Brasil de hoje. O personagem central é interpretado por três atores: na infância por Hugo Germano e na fase adulta por Ângelo Flávio Zuhalê e Adrén Alves.

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Sacos plásticos: efeito cênico para o nascimento de Macunaíma

Com o palco todo coberto por sacos pretos, o espetáculo tem início com o nascimento de Macunaíma: ele rasga o plástico para sair, mas é resgatado; tenta mais uma vez e novamente é puxado para dentro; e só na terceira tentativa que consegue ‘nascer’. Atrás dele vem todo o elenco, formado por 14 atores que estão todos nus (somente com pinturas corporais) e representam não só os índios da tribo de Macunaíma como também os pássaros, animais e as árvores da floresta amazônica.

 

Para contar a saga do mitológico personagem — Macunaíma, misto de índio, negro e branco, representa um modo de compreender o Brasil —, Bia e toda a equipe se valem da música, com composições originais, além de trechos musicados da adaptação da obra. A direção musical é assinada por Alfredo Del-Penho e Beto Lemos, que executam as músicas ao lado dos demais atores. O primeiro ato (a peça tem três horas de duração, com 15 minutos de intervalo) mostra do nascimento de Macunaíma até sua fase adulta, quando resolve vir para São Paulo recuperar a muiraquitã, o amuleto que ganhou da amada Ci, a mãe do mato. Se no primeiro ato os sacos plásticos são o principal elemento cênico, no segundo ato o protagonismo permanece com o plástico, mas agora como a trama está na cidade, repleta de máquinas, ele surge como grandes quadrados inflados de ar. Depois de muita aventura pelos centros urbanos e da recuperação do amuleto, Macunaíma e seus dois irmãos, um tanto modificados com a experiência da cidade, voltam para terra natal. Lá encontram tudo dizimado e com a morte dos irmãos, Macunaíma sente que não há mais lugar para ele neste mundo.

 

 

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Verônica Stigger assina a adaptação da obra

O processo de criação, de acordo com Andréa Alves, a idealizadora do projeto, durou sete meses e contou com muita pesquisa e estudos, além da sintonia entre a diretora, responsável por recentes trabalhos premiados, como Grande Sertão: Veredas e PI – Panorâmica Insana, e a Cia Barca dos Corações Partidos, que encenou o premiado espetáculo Suassuna – O Auto do Reino do Sol, sobre o escritor Ariano Suassuna.

A montagem, que permanece em cartaz até 15 de agosto e depois segue para o Rio de Janeiro, se destaca pela plasticidade cênica. No entanto, a máxima ‘menos é mais, se encaixa muito bem neste trabalho: com uma infinidade de referências estéticas, excesso de lendas e mitos pouco conhecidos, uso de várias línguas (alemão, espanhol, tupi-guarani e o português) e a grande quantidade músicas em vários idiomas tornam o espetáculo em alguns momentos incompreensível, além de ser muito longo e exaustivo. Destaque no entanto para o desempenho afinado do elenco. E ter acesso a um clássico da cultura brasileira é sempre enriquecedor. Confira!

 

 

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Roteiro:
Macunaíma – uma rapsódia musical. Texto: Mário de Andrade. Encenação, cenário e escritura cênica: Bia Lessa. Elenco: Cia. Barca dos Corações Partidos – Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Renato Luciano, Ricca Barros e os artistas convidados Ângelo Flávio Zuhalê, Hugo Germano, Lana Rhodes, Lívia Feltre, Pedro Aune, Sofia Teixeira e Zahy Guajajara. Adaptação: Verônica Stigger. Assessoria teórica: Flora Sussekind. Direção musical: Alfredo Del-Penho e Beto Lemos. Idealização e direção de produção: Andréa Alves. Design de som: Gabriel D’Angelo e Felipe Malta. Design de luz: Paulo Pederneiras e Pedro Pederneiras. Figurino: Sylvie Leblanc, Maira Himmelstein e Bia Rivato. Fotografia: Elisa Mendes. Voz (em off): Maria Bethânia e Arnaldo Antunes. Realização: Sesc São Paulo.
Serviço:
Sesc Vila Mariana – Teatro Antunes Filho (620 lugares), Rua Pelotas, 141, tel. 11 5080-3000. Horários: quarta às 15h, de quinta a sábado às 20h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 15, R$ 25 e R$ 50. Duração: 3h15. Classificação: 18 anos. Temporada: até 15 de agosto.

 

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