Peça: Dez Encontros, foto 1

Tania Khalill e André Garolli vivem no palco várias situações amorosas

De em janeiro 21, 2015

Peça: Dez Encontros, foto 1

André Garolli e Tania Khalill em dez cenas dão vida a cinco personagens cada um

Num jogo cênico envolvente, os atores Tania Khalill e André Garolli dão vida a cinco personagens de classes sociais, profissões, personalidades e estilos de vida completamente diferentes que se encontram e travam relações amorosas conflitantes.
Na peça do dramaturgo inglês David Hare, Dez Encontros (The Blue Room), dirigida por Isser Korik e que está em cartaz no Teatro Folha, os sentimentos mais pungentes entre um homem e uma mulher — amor, paixão, sedução, ciúme, traição, repulsa e atração sexual — são postos à prova em dez esquetes, recheadas de humor.

Peça: Dez Encontros, foto 2

Os personagens de Garolli e Tania são de classes sociais, profissões, personalidades e estilos de vida bem diferentes

O dramaturgo britânico criou a peça The Blue Room, baseada no texto Reigen, escrito em 1897 por Arthur Schnitzler, já pensando em ser encenada por dois atores. De acordo com o diretor (que também assina a tradução da peça), todos os personagens do texto original foram transpostos para o universo urbano contemporâneo, com os encontros e desencontros apresentados de forma sintética.
O que prende a atenção do espectador é exatamente esta troca de situações e personagens a cada esquete: do casal do primeiro encontro, um permanece em cena e o outro volta na pele de um novo personagem para a cena seguinte, assim sucessivamente nos dez encontros, formando uma interessante ciranda.
Os elementos que compõem os cenários, assinados por Gilberto Gawronski, são em número reduzido e trocados rapidamente entre uma cena e outra, graças ao trabalho afinado dos contrarregras, o que contribui para a agilidade narrativa.
No entanto, os conflitos e dilemas surgidos dos encontros e desencontros dos casais (traição, fidelidade, possessividade, posturas machistas e conservadoras na relação a dois) são muito pouco explorados no espetáculo. Senti falta de uma discussão mais profunda e atual, em que o modelo do par romântico tradicional fosse questionado e posto em xeque. A forma (o jogo cênico, a troca de personagens entre os dois atores) é enfatizada em detrimento do conteúdo (os reais conflitos da relação amorosa nos dias atuais).


Fotos: Bob Souza


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