Peça: Eu de Você, foto 1

Eu de Você : solo de Denise Fraga é composto de histórias reais

De em outubro 2, 2019

Peça: Eu de Você, foto 1

Denise Fraga, além de atuar, divide o texto final com Luiz Villaça e Rafael Gomes

Um dos significados de empatia é a aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, aprendendo da maneira como ele aprende. Não há definição melhor do que empatia para o espetáculo Eu de Você, que marca a reinauguração do Teatro Vivo. O solo de Denise Fraga reúne tanto histórias reais enviadas pelo público como trechos de obras de ficção. O texto final, assinado pela atriz, pelo diretor Luiz Villaça e por Rafael Gomes, compila estas histórias com uma extensa pesquisa e procura fazer ligações entre a vida comum e a arte.

“A peça foi construída na sala de ensaio. Nossa matéria prima são as histórias reais costuradas com pérolas da literatura, música, imagens e poesia. Contando histórias reais, rompendo a fronteira entre palco e plateia, fato e ficção, pedaços de vida embalados pela arte, pretendendo ampliar o nosso Teatro para uma real experiência de empatia”, afirma Denise Fraga.

Peça: Eu de Você, foto 2

Atriz desenvolve coreografia dirigida por Kenia Dias

 

Seguindo a proposta cênica do espetáculo — é urgente ver o outro, olhar pelo olhar do outro, ser eu de você —, Denise entra pela plateia e começa conversando com os espectadores, de forma informal e muito próxima de cada um deles. As primeiras histórias parecem ser do cotidiano da atriz, da sua infância, de seus primeiros professores, de seu pai. E sem que haja qualquer interrupção da narrativa, surgem experiências de vida de outras pessoas, trechos de poemas ou citações de músicas que conectam todos. É o caso da canção É o amor, de Zezé Di Camargo, já interpretada por diversos artistas, mas que Denise traz uma dramaticidade particular, repetindo versos e enfatizando algumas palavras, como o tiro, que ganha conotações diversas.

 

 

 

É o amor…/
Que faz eu pensar em você/
E esquecer de mim/
É o amor/
Que veio como um tiro certo
No meu coração”…

 

Ampliando ainda mais a proposta de quebra da relação palco plateia, a atriz desce novamente para junto das pessoas, fala olho no olho, criando uma grande cumplicidade. E sem constranger ninguém, pede a participação efetiva do público: entrega a um espectador, por exemplo, um bilhete com depoimento enviado e pede que leia. Depois, de volta ao palco, ela começa outra fala de uma mulher negra, da periferia e interrompe. Diz que nunca terá a dimensão de vida daquela mulher, são experiências de vida muito diferentes. Mas prova que na arte tudo é possível: a atriz incorpora o discurso daquela mulher com a maior verdade!

Com o palco todo vazio e rodeado de telões em branco, Denise se movimenta muito para criar as situações dos personagens que vive. E nestes telões são projetadas as imagens de muitas das pessoas que enviaram suas histórias, elas passam a dividir a cena com Denise.  O desfecho do espetáculo é surpreendente e novamente a atriz exige a participação da plateia e faz com que alguém suba ao palco para auxiliá-la a terminar. Antes, porém, cada espectador olha para quem está ao seu lado, Denise incita esta conexão.

 

 

Além da dramaturgia envolvente e de grande empatia, a direção imprime dinamismo e agilidade às cenas. A iluminação de Wagner Antônio é outro elemento que contribui para que a narrativa flua, assim como a participação essencial das musicistas durante todo o espetáculo. Destaque ainda para o belo figurino de Simone Mina. No entanto Eu de Você só atinge as pessoas graças à performance de Denise Fraga: é impressionante como a atriz consegue de uma frase para outra levar o público do riso solto às lágrimas. Sem dizer de seu carisma e de seu excepcional talento.
Felizmente a temporada se estende até dezembro. Programe-se e vá conferir.

 

 

 

Peça: Eu de Você, foto 3

Atriz  leva o público do riso solto às lágrimas

Roteiro:
Eu de Você
. Idealização e criação: Denise Fraga, José Maria e Luiz Villaça. Direção: Luiz Villaça. Elenco: Denise Fraga. Musicistas: Fernanda Maia, Clara Bastos e Priscila Brigante. Dramaturgia: Cassia Conti, André Dib, Denise Fraga, Fernanda Maia, Luiz Villaça e Rafael Gomes. Texto final: Rafael Gomes, Denise Fraga e Luiz Villaça. Direção musical: Fernanda Maia. Direção de movimento: Kenia Dias. Direção de arte e figurino: Simone Mina. Iluminação: Wagner Antônio. Produção: José Maria. Produtora executiva Adriana Tavares. Fotografia: Cacá Bernardes. Realização: Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania e Governo Federal.
Serviço:
Teatro Vivo (274 lugares), Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, tel. 11 3279-1520. Horários: sexta às 20h, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: sexta R$ 50, sábado e domingo R$ 70. Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Venda: sympla.com.br. Duração: 80 min. Classificação: 12 anos. Temporada: até 15 de dezembro.

Favo do Mellone
Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
Uba

Deixe comentário

Deixe uma sugestão

Deixe uma sugestão

Indique um evento

Indique um evento

Para sabermos que você não é um robô, responda a pergunta abaixo: