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M – Medeia, Maria e Marilyn: livro reúne três peças de Sérgio Roveri


Livro: M – Medeia, Maria e Marilyn, foto 1

Obra lançada pela Giostri Editora traz as peças Medeia: 1 Verbo, Palavra de Rainha e Tempos de Marilyn

Uma das grandes lacunas do mercado editorial brasileiro sempre foi a ausência de publicação de peças teatrais dos autores contemporâneos. No entanto, nos últimos anos as editoras começaram a se redimir e o público já encontra nas livrarias alguns livros com obras dos dramaturgos brasileiros dos nossos dias. Sérgio Roveri é um dos que pode ser orgulhar: já tem três livros publicados com sua obra (O Teatro de Sérgio Roveri, Coleção Primeiras Obras e Sérgio Roveri em Quatro Tempos) e a Giostri Editora acaba de lançar M – Medeia, Maria e Marilyn, com três peças que estrearam nos palcos paulistanos neste segundo semestre: Medeia: 1 Verbo, uma releitura da tragédia grega clássica de Eurípedes, Palavra de Rainha, um monólogo que revela as agruras da rainha de Portugal Dona Maria I e Tempos de Marilyn, um poema cênico em que a estrela de Hollywood se depara com Norma Jean, a garota simples que se tornou Marilyn Monroe.

Livro: M – Medeia, Maria e Marilyn, foto 2

O jornalista e dramaturgo Sérgio Roveri é autor de 25 peças

No prólogo, o autor confessa a surpresa de constatar que, no intervalo de apenas dois anos, ele escreveu as três peças e que coincidentemente as figuras centrais das obras estabelecem um diálogo entre si:

 

“Cada uma a sua época e maneira, essas três mulheres foram protagonistas e ao mesmo tempo vítimas de um tempo que reservou a cada uma doses nem sempre balanceadas de poder e decadência, prazer e mágoa, beleza e repulsa, incontáveis vitórias e perdas inimagináveis. Difícil quantificar o saldo da trajetória destas três mulheres, a não ser um inquestionável lugar na imortalidade”, argumenta Sérgio Roveri.

 
A pedido do Grupo Folias, o dramaturgo escreveu Medeia: 1 Verbo, uma releitura da clássica tragédia grega de Eurípedes. Como no original, o autor mantém os personagens centrais, Medeia, Jasão, Creonte, Glauce, Ana e o coro, mas há variações no enredo e na localização da trama. O assassinato dos filhos de Medeia e Jasão ganha nova interpretação: as crianças podem ter desaparecido e a mãe pode não ter sido a criminosa, a dúvida é lançada. Outra licença poética de Roveri é a transmutação da trama: ao invés de Corinto, os personagens agora vivem em locais de chacinas, linchamentos e especulação imobiliária, muito parecidos com as periferias das grandes metrópoles do Brasil de hoje. A identificação do público é imediata. O interessante é que o leitor pode complementar sua visão sobre a obra, conferindo a montagem do diretor Marco Antonio Rodrigues, que permanece em cartaz até o final de novembro (Galpão do Folias, Rua Ana Cintra, 213, sexta e sábado às 21h e domingo às 20h).

Palavra de Rainha é a segunda peça do livro e faz um passeio sobre a vida de Dona Maria I, única mulher a assumir o trono de Portugal. É um monólogo em que Maria, considerada a ‘A Piedosa’ em sua terra natal e ‘A Louca’ no Brasil, de seu quarto, em seus devaneios, relata seu reinado, a fuga da família real para o Brasil em 1808, o drama da perda de seis dos sete filhos e o tempo que ficou confinada tanto no Palácio Queluz, em Lisboa, após os primeiros sintomas de loucura, como no Rio de Janeiro, onde morreu aos 81 anos. Palavra de Rainha (leia resenha aqui no Favo) também está em cartaz; a impactante montagem de Mika Lins com Lu Grimaldi (que já venceu alguns prêmios de melhor atriz) na pele da monarca merece a presença de todos.
Quem fecha o livro é o poema cênico Tempos de Marilyn, que foi dirigido por José Roberto Jardim, com Bia Borin, Débora Vivan e Priscila Oliveira no elenco. A trama remonta um embate ocorrido na última noite de vida de Marilyn Monroe, dia 5 de agosto de 1962. Sob efeitos de barbitúricos, a estrela se vê cara a cara com Norma Jean, a garota simples e suburbana que ela foi antes da fama. Norma volta para um definitivo acerto de contas entre elas. Com versos curtos, numa linguagem ágil, o autor produz uma polifonia, que traz à tona os principais acontecimentos na vida da estrela, ícone pop de todos os tempos.
Roveri conta uma novidade: este texto sobre Marilyn acaba de ser traduzido para o italiano e a atriz Giusi Merli (que atuou no filme A Grande Beleza) já está ensaiando e deve estrear em breve nos palcos da Itália.
Leia o livro e vá conferir no palco as versões dos diretores.

Fotos: divulgação

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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