De em dezembro 29, 2010

Primavera


O outro
quem é
o outro
Quem?

Contar com o outro
Mas com quem contar
Se não há
O outro?

Estar só
Sem ter
Com quem contar!
Quer tristeza maior?

No mundo real
Vivo cada vez mais
a forma virtual:
tentativas de encontro que se diluem
em recados eletrônicos,
caixa postal
e torpedos ao além!

“que uma pessoa só não conta
que uma pessoa só,
não é ninguém”
Nando Reis


4 Comentários

Dinah

dezembro 29, 2010 @ 19:53

Resposta

Maurício,
Se o poema é de 2007, vc está up to date! As formas de comunicação virtuais estão tomando o lugar do cara a cara, dos abraços e do olho no olho, até mesmo entre os amigos…a ilusão de que estamos próximos, só porque a gente fala com várias pessoas todos os dias, não supera uma boa conversa ou o afeto que não se encerra quando a gente volta pra casa depois de encontros e risadas entre pessoas que se gostam.
Mas a foto (linda!) que vc escolheu para ilustrar sua poesia é a prova de que tudo se renova. Sempre haverá a beleza de florescer novamente – por mais que as coisas estejam difíceis – e sua vez há de chegar logo. O outro vai aparecer uma hora dessas e te pegar de surpresa. E não concordo com o Nando Reis: “que uma pessoa só não é ninguém”. Não se entristeça, porque você ESTÁ (temporariamente) só. É só isso. Como a primavera, o seu amor também vai florescer novamente. É melhor cantar Gilberto Gil: “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. um beijo grande. Dinah

Maurício Mellone

janeiro 3, 2011 @ 14:47

Resposta

Dinah:
Como disse na chamada do Face, aquele dia da postagem, estava muito triste mas não podeia deixar de
pelo menos postar uma poesia já “parida” anos atrás!
E concordo com vc qdo cita GGil (andar com fé eu vou)!
Fé no coração é que nos move!
Bjs imensos e obrigado pela força, SEMPRE!

Hamilton

dezembro 29, 2010 @ 18:05

Resposta

Achei este texto por aí e divido contigo.Não descobri o autor, logo fico devendo os créditos.Batalho todos os dias prá por em prática nisso que acredito e abandonar a ilusão do perfeito.Não é fácil, mas sofro bem menos com esse entendimento das coisas. Bjão.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. – Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso – o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidad

Maurício Mellone

janeiro 3, 2011 @ 14:52

Resposta

Hamilton:
Obrigado pelo texto lindo. Concordo com tudo: somos inteiros e não precisamos
do outro para nos completarmos. Um casal quando se forma, são dois seres completos e felizes
que começam a compartilhar momentos alegres e felizes!
Bjs e apareça sempre por aqui com sua sensibilidade e sagacidade!
Bjs

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