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Antes de mais nada: peça marca 60 anos de carreira de Fulvio Stefanini


Peça: Antes de mais nada, foto 1

Roney Facchini e Fulvio Stefanini interpretam os amigos Bernardo e Alfredo da primeira peça de Flavio Cafiero

Com delicadeza, humor e sensibilidade que o escritor e roteirista Flavio Cafiero — em sua primeira peça teatral — propõe uma discussão sobre o sentido da vida em Antes de mais nada, espetáculo que acaba de estrear no TUCA e que comemora os 60 anos de carreira de Fulvio Stefanini. Alfredo, papel de Fulvio, é chamado a refletir sobre sua existência no mundo exatamente no dia da morte de Bernardo, vivido brilhantemente por Roney Facchini, seu melhor amigo, mas que há 30 anos eles estão afastados. Bernardo visita o amigo e eles finalmente têm ‘aquela conversa que nunca tiveram’, o que provoca uma profunda transformação em Alfredo.
O autor, no programa da peça, procura explicar o que o motivou a escrever sobre este tema:

“Todo o homem cumprirá seu único compromisso obrigatório, todos nós morreremos, é inevitável. Mas primeiro seremos obrigados a viver. E viver é procurar, antes de mais nada, sentidos. Qual o sentido de uma vida não vivida em sua plena potência? É sobre isso que conversam os personagens desta peça”, diz Flavio Cafiero.

Peça: Antes de mais nada, foto 2

Chris Couto vive Mariângela, filha de Alfredo, e Karin Rodrigues é a vizinha deles

Num cenário criativo e modular assinado pelo diretor — facilmente os módulos se alteram mostrando todos os ambientes do sobrado —, Bernardo ‘aparece’ e, como numa cena de Shakespeare, começa a conversar com Alfredo. Mesmo abalado com a notícia da morte do amigo, ele responde e engrena um diálogo que procura resgatar a amizade e superar problemas e atritos do passado. O espectador logo percebe que aquela conversa está “num outro nível de vínculo”, como diria o poeta Caetano Veloso, tanto que a filha de Alfredo, Mariângela interpretada por Chris Couto, não capta a conversa e acha que pai está mesmo caduco.

O contraponto para aquela situação vivida entre pai e filha é exercido pela vizinha deles, papel de Karin Rodrigues, que também está comemorando 50 anos de carreira. Com humor, ela provoca um ruído de comunicação e traz pai e filha para a realidade.
Além de uma trama comovente e da condução delicada e sensível de Zé Henrique, Antes de mais nada cala ao coração do público graças à interpretação impecável do elenco; Fulvio consegue demonstrar as variadas facetas do personagem e sua mudança interior. Já Roney Facchini prova mais uma vez que vive um momento ímpar na carreira: depois de uma passagem brilhante por Ou você poderia me beijar em que recebeu indicações aos prêmios APCA e Shell, o ator emociona, com a composição do personagem que provoca a reflexão existencial proposta pelo dramaturgo.
Sem dúvida um dos grandes espetáculos do ano.

Fotos: João Caldas

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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