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Cassio Scapin vive o filósofo Diderot em O Libertino, montagem de Jô Soares


Cassio Scapin é o idealizador do projeto e vive Denis Diderot

Num momento em que se questiona o amor romântico idealizado e conceitos de fidelidade e traição na relação a dois, a peça O Libertino de Eric- Emmanuel Schmitt, em cartaz no Teatro Cultura Artística Itaim, que traz o filósofo francês Denis Diderot (1713/1784) em pleno século XVIII discutindo essas e outras questões tão próximas do nosso cotidiano, vem muito a calhar. Com adaptação e direção de Jô Soares, a montagem traz Cassio Scapin na pele do filósofo, considerado, ao lado de Voltaire, precursor da Revolução Francesa.
Antes do início do espetáculo, o público já é conduzido à trama por meio de um depoimento bem descontraído do ator Juca de Oliveira; no telão, ele relata a importância de Diderot para o pensamento filosófico da humanidade, já que foi o autor da “Enciclopédia ou Dicionário Lógico das Ciências, Artes e Ofício”, obra que influenciou a Revolução Francesa. Diderot foi também um crítico feroz ao clero e à nobreza, tanto que é o autor da frase ferina: “O Homem só será livre quando o último rei for estrangulado com as entranhas do último padre”.
Na peça de Schmitt, Diderot descansa num castelo de um amigo, localizado numa área rural próxima de Paris. Porém, quando está posando para uma pintora (Luciana Carnieli), é obrigado a interromper sua folga para escrever o verbete Moral, para a Enciclopédia. O filósofo, mesmo casado e com uma filha adolescente, interpretadas por Tânia Casttello e Erica Montanheiro, adora as mulheres é um inveterado conquistador.

Scapin e Luciana Carnieli: a pintora tenta convencer Diderot posar nu

De maneira leve e divertida, a peça discute o amor, sexo, traição, moral, ética e relações de poder. Como um mulherengo contumaz, Diderot é posto à prova e obrigado a se desvencilhar de situações embaraçosas com as mulheres. O conceito para o verbete moral vai se modificando em função das situações que ele vivencia. Além de divertir, o espetáculo provoca a reflexão: o público facilmente pode relacionar o tema da peça com o seu dia-a-dia. Em determinada passagem, Diderot confessa para a esposa sua traição com amantes, mas diz que a ama acima de tudo. Essa situação poderia muito bem ser vivida hoje.
“Assim que me deparei com o texto, fiquei fascinado com a inteligência e o humor ali presentes. Percebi que seria um assunto interessante de discutir, além de ser uma excelente comédia, que alia inteligência, informação e elegância”, diz Scapin, idealizador do projeto.
Com elegante figurino de época de Fabio Namatame e iluminação de Maneco Quinderé, O Libertino permanece em cartaz até o final de novembro.

Fotos:João Caldas

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