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Nova temporada do espetáculo Bichado, montagem do Núcleo Experimental


Peça: Bichado, foto 1

Einat Falbel e Paulo Olyva interpretam Agnes e Peter, o tresloucado casal da trama

Peça: Bichado, foto 2

Adriana Alencar vive uma amiga de Agnes, papel de Einat Falbel

A comédia de humor negro Bichado, do dramaturgo e roteirista norte-americano Tracy Letts, está de volta à cidade, desta vez no Viga Espaço Cênico, e permanece em cartaz até 4 de setembro. Numa produção do grupo paulistano Núcleo Experimental e sob a direção de Zé Henrique de Paula, o espetáculo acontece num quarto de hotel, onde uma garçonete mora. Ela recebe a visita de uma amiga, que traz consigo um rapaz que acaba de conhecer na balada. Esta amiga logo vai embora e o rapaz fica e aí começa um romance tresloucado entre ele e a garçonete. Trama recheada de humor negro, mistério e paranoia.
Ao entrar na sala de espetáculo, o espectador já se depara com a trama em andamento. Agnes, vivida por Einat Falbel, está no quarto do hotel onde mora — localizado na beira de estrada, do centro-oeste americano — e o telefone não para de tocar: ela atende e ninguém responde; desconfiada que deva ser seu ex-marido que acabara de deixar a prisão, começa a xingar e dizer desaforos. Em seguida, uma amiga, vivida por Adriana Alencar, chega para visitá-la e traz à tira colo Peter, interpretado por Paulo Olyva, um rapaz metódico e de poucas palavras. Como Agnes não quer ir à festa, a amiga vai embora e Peter resolve ficar; o diálogo entre os dois é sempre truncado e ambos desconfiam um do outro, mas nasce uma atração entre eles.

Na manhã seguinte, Agnes é surpreendida: o ex-marido (Rodrigo Caetano) está tomando banho e sai pelado para dizer que está de volta. A briga é inevitável e o forasteiro antes de ir embora ainda se estranha com Peter.

Até aí, mesmo com as atitudes estranhas de Peter, a trama retrata o real, mas quando Agnes sabe que o rapaz é um desertor do exército e ele conta que é cobaia de experiências científicas dos militares, o tom muda radicalmente. O enredo começa a mostrar os delírios paranoicos do rapaz, que Agnes acredita e passa a vivenciar com ele destas loucuras.

“É uma peça de diálogos rápidos e afiados, carregados de humor negro, muitas vezes sarcástico. Porém, por trás dessa acidez existe uma camada mais profunda, que é uma reflexão sobre os tempos modernos e o avanço desenfreado das tecnologias, a diminuição da privacidade e a descrença nos governos e nas formas de poder. Essa tensão permite o estranhamento e o riso”, afirma Zé Henrique de Paula.

Além de um texto instigante e provocador, Bichado de destaca pelo cenário rico em detalhes (indicado ao Prêmio Shell/12), uma trilha sonora, assinada por Fernanda Maia, e uma iluminação, de Fran Barros, que pontuam muito bem a narrativa. Destaque também para a bela caracterização do forasteiro de Rodrigo Caetano e a sintonia interpretativa de Einat Falbel e Paulo Olyva.
O espetáculo tem sessões só quarta e quinta, até 4 de setembro. Não perca!
 
Fotografia: Guilherme Griebler

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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