Peça: Ou Você Poderia me Beijar, foto 1

Ou Você Poderia me Beijar: amor de um casal gay, da juventude à velhice

De em fevereiro 10, 2014

Peça: Ou Você Poderia me Beijar, foto 1

Roney Facchini e Cláudio Curi interpretam o casal na velhice

Delicadeza, esta a melhor definição do espetáculo dirigido por Zé Henrique de Paula, Ou Você Poderia me Beijar, que acaba de estrear no Teatro do Núcleo Experimental.
Texto inédito no Brasil do dramaturgo britânico Neil Bartlett — que escreveu em parceria com a companhia sulafricana Handspring Puppet, dirigida por Adrian Kohler e Basil Jones — traz um painel da vida de dois homens que se amam (na peça eles não têm nome, são chamados de A e B). Eles se conhecem no final da adolescência e por mais de 60 anos vivem juntos, mas têm de lidar com a morte iminente de um deles que sofre de enfisema pulmonar e com os trâmites burocráticos para garantir os direitos civis ao cônjuge sobrevivente. Todos os personagens femininos são interpretados por Clara Carvalho e o casal é vivido por Thiago Carreira e Felipe Ramos na fase jovem, por Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano na maturidade e por Roney Facchini e Cláudio Curi na velhice.

Peça: Ou Você Poderia me Beijar, foto 2

Marco Antônio Pâmio e Rodrigo Caetano interpretam o casal na maturidade; Clara Carvalho faz todos os papéis femininos

Os atores ficam em cena praticamente durante todo o espetáculo: as três fases da vida do casal são representadas aleatoriamente e o público vai identificando quem é quem no decorrer da trama. O minucioso trabalho gestual e de corpo facilita esta identificação. Fiquei impressionado com o rigor e a entrega dos atores na composição dos personagens!
Se na TV comemorou-se o primeiro beijo entre um casal gay (em Amor à Vida de Walcyr Carrasco), nesta montagem de Zé Henrique de Paula para o Núcleo Experimental a questão da vida afetiva entre dois homens vai muito além. A peça mostra desde o primeiro encontro, a primeira transa, a decisão de moraram juntos e a constituição do vínculo afetivo entre eles. São mais de 60 anos de vida a dois, em que a cumplicidade, o respeito e o amor fundamentam esta relação. A assistência ao idoso e como a sociedade lida com o casal idoso e gay também são questões discutidas em Ou Você Poderia me Beijar.
Por mais que haja progresso no comportamento social, até na Inglaterra é preciso lutar pelos direitos civis dos casais gays. E a peça deixa clara a importância da regulamentação dos direitos civis:

 

“Esta peça é um elogio ao amor, com tudo o que ele tem de sublime. É também uma reflexão sobre as dificuldades de nutrir esse amor ao longo do tempo. E essas dificuldades agem insidiosamente na forma de preconceito, intolerância e segregação. Por isto que esta peça é dedicada aos habitantes de 76 países onde é ilegal amar alguém do mesmo sexo”, argumenta Zé Henrique de Paula, que além da direção assina a cenografia e figurinos da peça.

 

Além de um texto sensível e que discute em profundidade a relação entre dois homens que se amam, gostaria de destacar a delicadeza com que o diretor tratou o tema e o formato da montagem: a relação de tesão, afeto e amor entre o casal fica evidente graças ao trabalho de composição dos seis atores — os gestos de carinho entre o casal é evidenciado em cada fase da vida deles e os atores souberem muito bem caracterizar este casal.

Peça: Ou Você Poderia me Beijar, foto 3

Felipe Ramos e Thiago Carreira vivem os personagens na juventude

 

 

Ou Você Poderia me Beijar permanece em cartaz até final de abril, não deixe de prestigiar!

 

 

 

 

 

 

Fotos: Ronaldo Gutierrez


2 Comentários

Ed Paiva

novembro 20, 2014 @ 16:32

Resposta

Querido Maurício,
Tive oportunidade de assistir “Ou Você Poderia me Beijar” quase que como um milagre! A peça teve duas apresentações excepcionais durante o 22º Festival Mix Brasil, nos dias 19 e 20 de novembro. Fiquei muito emocionado com a sensível história de amor que passa por décadas. Pequenos gestos de carinho, descobertas, afeto, compreensão e silêncios e tudo o mais que compõem um relacionamento. Às interpretações enérgicas, vitais de Thiago Carreira e Felipe Ramos se contrapõem a sutileza das emoções em Marco Antônio Pamio e Rodrigo Caetano. Roney Facchini e Claudio Curi tocam fundo nossas emoções ao interpretarem os personagens já idosos. Magníficos. E Clara Carvalho permeia todo o espetáculo e nos conduz pela história com grande empatia.
Precisa assistir e me emocionar muito!
Obrigado, Maurício!

Maurício Mellone

novembro 21, 2014 @ 15:06

Resposta

Ed,
desde a estreia eu já havia lhe dito q
o espetáculo é lindo, sensível e tocante!
Fico feliz q vc tenha aproveitado a temporada no
Festival Mix Brasil!
Sua análise sobre a interpretação de todo o elenco
é precisa e certeira! Parabéns!
Bjs

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