Peça: As Crianças, foto 1

As Crianças: última semana na cidade da montagem de Rodrigo Portella

De em novembro 13, 2019

Peça: As Crianças, foto 1

Andrea Dantas, Mario Borges e Analu Prestes protagonizam peça da britânica Lucy Kirkwood

Com uma dramaturgia forte, que mexe com princípios éticos e morais, a peça As Crianças, da jovem e premiada dramaturga britânica Lucy Kirkwood, encerra a temporada paulistana neste domingo, dia 17/11, no SESC 24 de Maio.

 

 

Com direção de Rodrigo Portella e tendo no elenco Analu Prestes, Mario Borges (nos papéis do casal Dayse e Robin) e Andrea Dantas (Rose), a trama revela o cotidiano de um casal de físicos aposentados que mora em uma velha casa situada numa região que sofreu um acidente nuclear provocado pela usina em que eles trabalharam. O casal recebe a visita de Rose, uma antiga companheira de trabalho, que, além de provocar a volta de antigas lembranças, tem uma difícil missão a cumprir. O que ela vem propor aos amigos pode alterar radicalmente a vida deles.

 

Peça: As Crianças, foto 2

Montagem do Rio dirigida por Rodrigo Portella

 

Tendo como cenário somente uma enorme mesa de madeira e algumas cadeiras, a trama tem início com Dayse trabalhando na velha casa quando ela se assusta ao dar de cara com a amiga, que não vê há 40 anos. Depois do susto inicial (a dona da casa pensou que seria um assalto), elas iniciam um diálogo um tanto truncado, já que perderam o contato e desconhecem o rumo que deram para suas vidas. Passado algum tempo, Robin chega e fica contente em rever a amiga. Eles rememoram os tempos que trabalharam na velha usina nuclear — evitam se estender sobre o acidente que provocou a interdição da fábrica — e alguns segredos pessoais vêm à tona, inclusive o caso que Robin manteve com Rose.

 

 

No entanto, a cientista não veio fazer uma simples visita social. Preocupada com os níveis de irradiação da região, ela, aliada a uma ONG, quer convencer Robin e Dayse a retomarem o trabalho na usina para tentarem conter os riscos para as futuras gerações. Num momento em que o mundo e o Brasil em particular vivem graves problemas ecológicos — o derramamento da lama tóxica da mineradora em Minas Gerais que chegou até o Oceano Atlântico, as queimadas criminosas e ultimamente as toneladas de petróleo bruto que invadiram o litoral nordestino —, o texto de Lucy Kirkwood pode contribuir para a discussão sobre a responsabilidade de cada um de nós diante do chamado progresso tecnológico.

 

 

 

 

“A discussão da peça está além da questão nuclear. Ela nos provoca a pensar em como usamos os recursos disponíveis. A autora quer que pensemos em nossa responsabilidade com as futuras gerações. Pra mim a grande pergunta da peça é: salvar as crianças de um futuro catastrófico é heroísmo ou obrigação? A ficção evoca as terríveis e reais tragédias ambientais, o consumo desenfreado, a produção exponencial de lixo, a forma como usamos os recursos naturais e toda nossa irresponsabilidade com o clima, o planeta e as gerações futuras. O teatro ainda tem esse poder”, atesta Rodrigo Portella.

 

Sem dúvida, o grande destaque do espetáculo é para a dramaturgia densa e contundente, que é encenada de forma límpida, crua, direta (os próprios atores dizem as rubricas das ações, dos ambientes e das circunstâncias). O que importa é o que o texto provoca no espectador. Com belos figurinos de Rita Murtinho e uma iluminação precisa de Paulo Cesar Medeiros, a montagem se fortalece com a interpretação sensível de Analu Prestes, Mario Borges e Andrea Dantes. Espetáculo de grande impacto, pena que a temporada foi tão curta. Mas ainda há tempo: sessões só até o próximo domingo.

 

 

 

Peça: As Crianças, foto 3

Atuação comovente de Andrea, Analu e Mario

Roteiro:
As Crianças
. Texto: Lucy Kirkwood. Tradução: Diego Teza. Direção: Rodrigo Portella. Elenco: Mario Borges, Analu Prestes e Andrea Dantas. Assistência de direção: Mariah Valeiras. Cenário: Rodrigo Portella e Julia Deccache. Iluminação: Paulo Cesar Medeiros. Figurino: Rita Murtinho. Trilha sonora original: Marcelo H e Federico Puppi. Foto: Guga Melgar. Produção executiva: Bárbara Montes Claros.
Serviço:
SESC 24 de Maio (216 lugares), Rua 24 de Maio, 109, tel. 11 3350-6300. Horários: de quinta a sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: de R$ 12 a R$ 40. Duração: 100 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 17/11.

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